“O tomate, o ajuste fiscal e outras considerações”

14 de agosto de 2015 por Eliana Lima

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Valem atentar para todos os traços do bom artigo escrito pelo professor Pedro Hélio Gomes Teixeira, do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN:

O tomate, o ajuste fiscal e outras considerações

O estado de degeneração das públicas contas forçou o Executivo a um duro ajuste fiscal, balizado inicialmente em 1,5% do PIB e reavaliado posteriormente, para poupar algo em torno de 70 bilhões de reais com implicações nos públicos serviços, por natureza já desqualificados.

Em artigo outro defendi, como todo e qualquer agente econômico racional faz, a venda, a Petrobras o processo encabeçando, de ativos, assim chamado na verborragia contábil posto que na realidade mais próximos são de inativos, para arrecadar o montante necessário sem de lado deixar o ajuste das públicas contas, mirando-se na gestão Palocci que alcançou um superávit de 4,25% do PIB e que responsável foi pelos avanços sociais. Este artigo outra proposta Em período recém passado, o tomate alçado foi a condição de vilão pelo seu impacto na taxa de inflação, esta um grande problema pelo histórico brasileiro.

Para a inflação trazer ao centro da meta, objetivo mor da monetária política, o Banco Central se vale da taxa Selic, aumentando-a com o propósito de inibir o consumo fundado na concepção de que a inflação é de demanda, tête-à-tête uma baixa oferta de produtos ou serviços, buscando o sonhado equilíbrio entre oferta e demanda.

A elevação da taxa Selic, como todo remédio santo, traz efeitos colaterais como a recessão, derivando um quadro de desemprego e de queda da arrecadação fiscal, aumentando o déficit público, o DNA do desvirtuoso círculo, realimentador do desequilíbrio das públicas contas ad eternuum. Diretamente, como o governo é um grande devedor, sua dívida mobiliária interna é de R$ 2,46 trilhões de reais, as públicas contas proporcionais são aos aumentos da taxa SELIC pois esta corrige a maioria dos títulos públicos. Um verdadeiro tiro Posto isto, qual o papel do tomate no quadro de recessão instalado? A inflação no Brasil avalia dois tipos de preços, os livres e os administrados pelo governo, como os da energia elétrica, pedágios, água, telefone, transporte urbano entre mais e obedecem aos objetivos de políticas públicas, como são as do Passe Livre, Luz para Todos, Gratuidade para Idosos por exemplo. Fruto de uma mudança na política econômica, feita foi a correção destes preços trazendo-os para uma realidade financeira, pena que abrupta e tardiamente.

Por sua vez, os livres preços, em livres sendo, sujeitos são a ventos e trovoadas, assim classificadas: – externos: elevação do preço do petróleo, do trigo, dos fertilizantes, etc.

– internos de demanda: aumento do preço pelo aumento da renda não seguido de aumento de produção

– internos de oferta: queda da produção local por seca, enchente, incêndio, pragas e diversas causas outras.

Dos três tipos, os mais voláteis são os do grupo último e aqui se destaca oportunamente o papel do tomate. Por circunstâncias alheias a linearidade dos fenômenos econômicos, o preço do tomate recentissimamente subiu mais de 40% impactando fortemente na taxa de inflação, catapultando-a as alturas. Como medida corretiva e no exercício de seu funcional papel, o Banco Central elevou a taxa Selic que de janeiro a julho do ano em curso cresceu 2,5 pontos percentuais significando um acréscimo na conta de juros do governo algo próximo dos 65 bilhões de reais.

Evidente e naturalmente que este aumento levando a inflação além do teto estabelecido, não foi culpa só do tomate, apesar de apresentado ser como o vilão. No limite, usando um preceito teórico facilitando o entendimento do processo causal, considerando a culpa apenas ser do tomate, este agravou o déficit público na mesma dimensão que o sacrificoso ajuste fiscal, sem negar que tal perseguido sempre ser deve.

Destaco como fundamento do presente texto que pontos fora do natural processo econômico pertinentes a demanda ou oferta de tomate, exemplificadamente, desconsiderados sejam na inflação. Aliás, como recomendam os estatísticos, pontos fora da curva e decorrentes de causas como enchentes, secas, terremotos ou qualquer causa outra extemporânea ao funcionamento natural dos processos econômicos não podem serem considerados na aferição da inflação. Em assim não sendo, como exercitado, perpetua-se no processo econômico uma extemporaneidade, ou seja, medida a inflação com o preço do tomate ou qualquer outro produto ou serviço aos céus elevado por condições circunstanciais, pontuais, esta inflação corrigirá, devido ao alto grau de indexação ainda reinante na economia brasileira, vários preços, salários por exemplo, e sobre esta desmiolada correção, acumuladamente outras se seguirão no tempo, perpetuando e amplificando uma extemporaneidade passada. Cabe lembrar que quando ministro, Delfim Neto propôs tal expurgo, o vilão da época sendo xuxu, condenado sendo ao fogo do inferno acusado de manipulação da inflação.

Exemplificando, o salário corrido hoje foi para comprar tomates em períodos de escassez por condições alheias ao funcionamento natural das condições de produção do tomate o que provocará um excesso do poder de compra quando voltarem as condições normais da cadeia produtiva. Tal correção nada mais é do que habilitar a compra de um produto em falta no mercado causada por condições extremas e externas, anulando a soberana força dos agentes econômicos, produtores e compradores, comprometendo a racionalidade do processo econômico, muito mais se tratando de um bem com demanda elástica, não essencial. Preciso e necessário é que o preço reflita as condições de oferta e não corrigir a demanda, correndo atrás para equilibrar os fatores econômicos por situações alheias ao processo econômico. Por fim cabe destacar que os rendimentos do mercado financeiro surfam na alta do preço esquizofrênico do tomate por seu impacto na inflação e derivada repercussão na taxa Selic.

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