Sete anos sem Paulinho Ubarana

21 de setembro de 2011 por Eliana Lima

Comentários 20

Éramos felizes. Ao fundo, outro que também deixou saudades: Kuka Lima

O texto é praticamente o mesmo que escrevi no dia 21 de setembro de 2010. Praticamente o mesmo de todos os anos.

Tudo permanece, a não ser a liberdade daqueles que o assassinaram covardemente.

21 de setembro de 2004: Paulinho Ubarana partiu para não mais voltar. Foi cruel e covardemente assassinado.

Éramos felizes.

Todos os dias bate uma saudade danada. Mas, no dia 21 de setembro aperta mais o coração. Dia em que, há sete anos, meu querido, meu doce, meu eterno e bom amigo partiu. Não se despediu. Não deixaram que ele se despedisse. Permanecem a melodia da sua voz e o seu sorriso inconfundível. A sua voz  nos mínimos detalhes, até hoje. Até amanhã. Até sempre.

No fatídico dia, nos falamos por telefone. Eu pedia para irmos à gravação de um show para a MTV na praia de Pipa. Ele disse que não poderia porque naquela noite teria uma reunião de trabalho da campanha política de Américo Godeiro para vereador, e no momento seguia a caminho de resolver um problema. Súbito, eu disse chateada que iria sozinha. Ele, que normalmente se irritava com meus rompantes de indepedência, apenas pediu em voz serena: “ou minha amiga, não vá não, é tão perigoso”.

A serenidade na sua voz sensibilizou a minha teimosia. Mas senti algo diferente naquela voz, que até hoje soa viva.

Às próximas ligações, o silêncio do celular desligado. Até que veio o telefonema informando que ele estava sumido. De início achei surto. Quando cheguei a uma das ruas de Parnamirim, o carro estava lá, parado, fechado, sem ele. O Itep demorou a chegar para abrir. Ainda tinha esperança de que estivesse vivo no porta-malas. Discuti com o delegado para que abrisse, pois se ali estivesse vivo poderia morrer asfixiado. O delegado explicava que não poderia abrir sem a perícia do Itep. A angústia foi aumentando, até que, depois de muita demora, chega o Itep. Diante de amigos trêmulos, os peritos constataram lugar vazio. Medo. Tristeza. Mas esperança dele aparecer vivo.

Eu, Gracinha Vilar, Wellington Paim, Lourdinha Alencar, Cláudia Rocha e tantos amigos demos praticamente plantão na delegacia de Parnamirim, à procura de uma mínima notícia. À noite, continuávamos juntos no Berlim Bar. Nada de notícias.

Dos muitos telefonemas, lembro de um, de Micarla de Sousa. Disse que sonhara com Paulinho num lugar estranho, sofrendo, pedindo ajuda, como se estivesse amarrado. Bateu o desespero.

Fomos eu, Luciana Ubarana (irmã de Paulo) e o então marido Jamaci ao xerife Maurílio Pinto falar que Paulo poderia estar preso, sequestrado, ainda vivo. Ele, do alto da sua experiência, perguntou: Vocês querem saber a minha opinião?

À afirmativa, não pestanejou: Paulinho está morto.

O mundo desabou. Mas a esperança continuou.

À noite, em mais um encontro no Berlim, fui ao banheiro e desabei. Pela primeira vez minha costumeira pressão baixa foi às alturas. Acionaram outro bom amigo, o cardiologista Ricardo Bittencourt, para me atender ali mesmo.

Ainda péssima, recebo uma ligação muito especial ao celular. Assim que atendi, ouvi a voz da minha filha Maria Eduarda: “mamãe!”, que, do nada, passou a cantar, com a sua doce, doce, doce voz: “Tem gente que chega pra ficar, Tem gente que vai pra nunca mais, Tem gente que vem e quer voltar, Tem gente que vai e quer ficar, Tem gente que veio só olhar, Tem gente a sorrir e a chorar, E assim, chegar e partir”.

♪Encontros e despedidas ♪

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=4FRQfomNDCU&feature=youtu.be

Confortou-me de tal forma que não sei explicar. Ela não sabe dizer por que ligou. Nem por que cantou. Cantou como se a letra soubesse de cor e salteado (tema da novela que passava naquele ano, ‘Senhora do Destino’, mas que ela não assistia).

Música que marcou as duas. E à família de Paulinho, ao saber da ligação.

Dois dias depois, recebo a ligação de um policial muito querido que ficou amigo: Ranulfo Alves. Daqueles que se firmam laços para sempre. Mais dor e desespero. Ele diz: – “Achamos o corpo de Paulo, mas para resgatar precisamos de um trator escavadeira”.

Logo depois: – “Não precisa mais. Um urubu deu as orientações do local exato”.

Sem mais comentários.

Madrugada no velório. Em cima do caixão, apenas a sua foto. Sorridente, claro.

O dia amanheceu sem percebermos. Dos músicos que Paulinho tanto proporcionou oportunidades no palco do Blackout, poucos apareceram. Tentamos ainda reunir, sem sucesso, alguns para tocar no momento do sepultamento. Na hora do adeus…

Na missa de um mês de aniversário da sua morte, momento inesquecível: Jolian Jones, Clênio Maciel e Karol Posadzki em só voz entoando ‘Canção da América’…As palavras bençãos de Padre Nunes tocavam no fundo d’alma.

Depois de Paulinho, seu sábio pai Ubarana se foi. Sua simpática vozinha, também.

E hoje podemos contar com o carinho e a alegria da sua mãe querida e saudosa do filho amado, Maria Olívia, dos seus queridíssimos irmãos e sobrinhos.

Na capela do Condomínio Ubarana, segunda-feira (26), às 19h, a família manda celebrar missa de sétimo aniversário, às 19h, em Monte Alegre.

Quantas saudades!

Meu eterno uBACANA.

♪Amigo♪ (♪Canção da América♪)

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=4FRQfomNDCU&feature=youtu.be

Mais notícias no Twitter da Abelhinha

Faça um comentário

Você pode deixar uma resposta, ou trackback a partir do seu próprio site.

20 Comentários para “Sete anos sem Paulinho Ubarana”

  1. Ana Cadengue disse:

    Estava em São Miguel, trabalhando na campanha de 2004, quando o telefone da casa do então candidato – hoje prefeito Galeno Torquato – tocou. Era Iracy Azevedo com a terrível notícia de que Paulinho tinha desaparecido. Na época, em São Miguel não pegava celular. Sabedora de meu carinho, Iracy dividiu sua dor comigo. Lembro como hoje que assim que recebi a notícia tive a inexplicável certeza de que Paulinho estava morto. Chorando, me sentei num boteco da cidade e comecei a tomar cervejas e contar histórias de Paulinho e do Blackout para Renê Guida, Julinha e outros amigos micaelenses. Quando recebi a confirmação da morte de Paulinho – tarefa que coube a Elizabeth Venturini -, meu coração ficou pequenininho. A revolta até hoje é grande. A saudade eterna. As lembranças constantes. Beijo, Ana.

  2. Eliana Lima disse:

    Conforta, Ana, são as mensagens do padre Flávio, que desde o segundo ano celebra a missa em sufrágio da alma de Paulinho. Ele, mesmo sem poder, revela que vê nosso querido amigo com o seu sorriso peculiar na igreja, olhando para todos nós com muito carinho. Beijo.

  3. Euclides Barreto disse:

    Amigas , que saudades daquele sorriso e abraço gostoso
    Amigo , você faz muita falta .

  4. Ubarana junuior disse:

    Obrigado pela linda homenagem querida!!!

    Muito tocante. A família Ubarana tem você no coração!

  5. Bebeto Torres disse:

    Eliana,

    Esse seu texto-relato sempre me emociona.

    Um beijo no coração,

    Bebeto

  6. Alencar disse:

    Não dá para não emocionar, tristemente, com a partida de Paulinho, com seu texto, com as músicas, com o vazio.

  7. Chico Zé disse:

    As pessoas especiais não morem, acredito que amigos e família fazem o complemento do sentido viver. Devemos cultivar boas amizades, os verdadeiros amigos são aqueles que em momentos difíceis se solidarizam com os outros. Não tive a oportunidade de conhecer o Paulo Ubarana. Tudo que escuto são boas referências e carinho ao Paulo.

  8. Eliana Lima disse:

    A família Ubarana mora no meu coração, Juninho, obrigada. Sempre.

  9. Eliana Lima disse:

    Obrigada, meu querido e doce Bebeto. É bom ter você como bom amigo 🙂 Paulinho que não fique com ciúmes 🙂

  10. Eliana Lima disse:

    Relato com saudade, Alencar.

  11. Eliana Lima disse:

    Você sabe o que é ser bom amigo, Chico Zé. E um grande companheiro. Sou uma mulher feliz por ter encontrado você 🙂

  12. Nathália disse:

    Nossa… que texto emocionante Eliana!Eu não o conheci, mas a forma que você escreveu parecia até que eu o conhecia… Muito bonito!

  13. Eliana Lima disse:

    Obrigada, Nathália. Escrito com emoção e lembranças.

  14. Fera disse:

    Abelha Rainha,o seu carinho e amor pelo Paulinho, é muito bonito, lamento pela perda.

  15. Eliana Lima disse:

    Obrigada, Fera. Amor incondicional.

  16. Elisa disse:

    Eliana, eu também não o conheci, mas acompanhei na época o seu desaparecimento,pensei que o mesmo estivesse sequestrado,vivo.Porque não acreditava ainda, que a crueldade daquele casal pudesse chegar a esse extremo.O pior de tudo, é ver a justiça branda com esses bandidos!!!!!!!!!!!!

  17. Maria alves disse:

    Belíssima homenagem!

  18. Eliana Lima disse:

    Enquanto houver impunidade, Elisa, haverá crueldade.

  19. Ceciliano Ennes disse:

    Oi
    Eu tb lembro do nosso amigo. Beijos linda homenagem.

  20. andrezito disse:

    o que mais me sensibilizava em paulinho era a humildade. Muito comum trocar uma conversa fiada com ele, no amanhcer do dia do Black-out , fechando as portas e tolerando os notivagos que só vão para casa no raiar do dia…e paulinho lá, varrendo o chão, limpando o balcão,ouvindo elogios da casa, reclamação de outros e sereno, com o olha de quem sonha longe…….

Comentário

Você deve estar logado para postar um comentário.