Marcella Alves Vilar: ‘O preceito do amor ao próximo’

27 de setembro de 2012 por Eliana Lima

Comentários 6

Merece reprodução o artigo da advogada Marcella Alves Vilar, publicado na edição de hoje (27) desta Tribuna do Norte, sob o título ‘O preceito do amor ao próximo’.

É ler atentamente e surpreender a partir do quarto parágrafo:

Estamos vivendo um contexto no mundo contemporâneo marcado por características que reforçam a dominação, o mercantilismo, a exclusão, e que vem modificando o ser humano e seu cotidiano, afetando necessidades, interesses e desejos, exacerbando posturas desumanizadoras e o predomínio de uma cultura utilitarista.

Refletindo sobre tal contexto, Zygmunt Bauman, sociólogo da atualidade, afirma que a modernidade em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido, que estimula desejos conflitantes de estreitamento desses laços e ao mesmo tempo de mantê-los frouxos ou inexistentes.

Na verdade, assistimos a cada dia situações que expressam estas contradições, com predomínio de posturas individualistas fragilizando o amor ao próximo. Bauman ainda nos diz que este amor é o ato fundador da humanidade, e também a passagem decisiva do instinto de sobrevivência para moralidade.

Sobre estas questões, relato uma experiência que vivenciei recentemente e merece ser levada ao conhecimento público.

Fui dar uma palestra na Escola Estadual Anísio Teixeira, participando do ciclo de encontros do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania, e lá conheci um jovem que faz um trabalho voluntário de grande relevância social. Ezequiel Barbosa, por volta de 19 anos, por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), transmitiu a minha palestra aos alunos portadores de deficiência auditiva que, naquela Escola Pública, são cinco só no 3º ano do ensino médio.

Quando encerrou a palestra, o professor que estava presente, me informou que aqueles adolescentes com deficiência auditiva foram matriculados por determinação do Estado na Escola Anísio Teixeira, sem que os professores fossem instruídos com qualquer capacitação para se comunicarem com os mesmos, até que apareceu Ezequiel, “um anjo”, que todos os dias comparece àquela Escola para traduzir em libras, as aulas lecionadas para aqueles cinco alunos especiais.

Muito impressionada, fui até Ezequiel saber um pouco sobre ele, que relatou ser estudante do curso de Letras Libras no IFRN e que ia todos os dias àquela Escola para contribuir com os que necessitavam do seu auxílio para aprender, recebendo apenas como recompensa interior a felicidade de ajudar o próximo.

Enquanto assistimos ao descaso do Estado em todas as áreas sociais, em especial na saúde e na educação, eis que surge o exemplo de Ezequiel, um jovem de origem humilde, que, todos os dias, apenas com as mãos, a linguagem dos sinais e o seu grande coração, oferta gratuitamente relevante contribuição à nossa sociedade e nos desafia a não perdermos a esperança em um mundo mais humano, justo e solidário.

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6 Comentários para “Marcella Alves Vilar: ‘O preceito do amor ao próximo’”

  1. ubaldo jacome gama disse:

    Uma verdadeira prova de cidadania e amor ao proximo. Sua atitude cobre ate as deficiencias e o descaso do poder publico com a educacao. Parabens Ezequiel!

  2. tete bezerra disse:

    São relatos como esse que faz a gente ter esperança na humanidade!

  3. Eliana Lima disse:

    Vero, Tetê, por isso fiz questão de reproduzir.

  4. Thalia disse:

    Que nada Ezequiel. Vocea faz um trabalho muito mais imttrpanoe do que o meu que e9 blogar em Portugueas todos estes absurdos.Eu escrevinho aqui e ainda ne3o tive coragem de expor isto aos brasileiros.Um abrae7o!

  5. Izabel Ramos disse:

    Parabéns Ezequiel,

    Pelo grande exemplo de humanidade e por fazer alguma coisa para que estes jovens com deficiência exerçam verdadeiramente o direito fundamental à educação e no futuro não fiquem excluídos ou escondidos por falta de conhecimento. O Poder Público poderia copiar o exemplo e pelo menos manter as escolas acessíveis com professores capacitados para ensinar TODOS os alunos. Valeu!

  6. Kelson Guarines disse:

    Mais uma prova de que o poder público é omisso naquilo que lhe compete. O Judiciário determina o acesso dos estudantes com deficiência as escolas e o poder público se omite em suas obrigações. Belo exemplo do estudante Ezequiel. Maravilhosa a percepção da Magistrada e a iniciativa de escrever e publicar o artigo.

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