O exibicionismo virtual

24 de fevereiro de 2014 por Eliana Lima

Comentários 5

Cada vez mais as pessoas estão cada vez menos interessadas nos assuntos em torno da política, da cultura, ações sociais. Principalmente no circuito jovem. Cada vez mais estão lendo cada vez menos. Com o advento das redes sociais, cada vez mais se valoriza a banalidade.

Muitos vivaram colunistas sociais de si próprios. No mundo virtual, o exibicionismo está em alta. Até mesmo os que se diziam reservados e evitavam os holofotes, hoje não se constrangem em mostrar o poder de compra. Cada gole de vinho caro é um flash. Pratos bem apresentados, também. Mesas bem postas, idem. Talheres, pratos, guardanapos. Flores. Velas. Tudo vale na composição que se deseja exibir para mostrar fino trato. Também uma roupa de grife. Bolsa, idem. Sandálias, então. Cabelos, animais, piscinas, hotéis exclusivos, joias, viagens. Almoços, jantares. Sempre com aquela lagosta, camarão tipo exportação. Carnes suculentas. Etc, etc, etc. Tudo que uma boa conta bancária pode comprar vira notícia. Em fotos. Regozijos múltiplos.

As redes sociais estão trazendo de volta um costume do colunismo social de outrora, quando o poder de divulgação permitia entrar numa loja e levar produtos sem pagar a conta. Ou ir a um restaurante, etc e mais, deleitar-se e não ter despesa. Raforma-se o bordão de um dos mais famosos colunistas dos tempos em que o glamour era item indispensável, Ibrahim Sued: “sorry, periferia”.

E as redes sociais estão revelando um item abominável pelos verdadeiros bem-nascidos – – leia-se educação de berço: falta de educação. Quem entra no exibicionismo social não adianta colocar o cadeado de bloqueado (liberando-se o acesso apenas para quem se deseja), porque o mundo virtual é aberto. Uma pessoa pode bloquear sua mídia social, mas pode ser acessada por meio de outros. Libereados. Tão feio recusar a liberação para os que se conhecem. Muito feio.

E curtir fotos é um sinal de gentileza, para isso a tal rede foi criada. Mas, muitos desconhecem. Preferem. Sabe-se lá o quê. Basta navegar um pouco para saber, como diz Jota Oliveira, os que são e os que querem ser. Bem que Glorinha Kalil poderia lançar um livro de finesse nos novos tempos de colunistas sociais virtuais. Quem sabe.

Todo esse conjunto que forma o cenário de um novo mundo em que o glamour ficou para trás ainda não é o mais, digamos assim, banalizado de ser. Muito pior é ver – – ler – – agressão à linga portuguesa. Percebe-se que sequer se aprendeu o bê-a-bá da gramática. Que adiantaram colégios caros. Taí outra faceta revelada pelas redes sociais. E assim segue a capital dos magos-atraentes. E seguem os flashes ao exibicionismo. A Abelhinha também adora. Diga-se.

Mais notícias no Twitter da Abelhinha

Faça um comentário

Você pode deixar uma resposta, ou trackback a partir do seu próprio site.

5 Comentários para “O exibicionismo virtual”

  1. Castilho Sávio disse:

    Muito poucos tem renda para tanta ostentação, a grande ver que existe, vem do lucro fácil ou da sonegação. Você bem sabe o padrão de renda em Natal, e não é fácil se ganhar muito pra. Você lembra do leilão da Land Rover em São Paulo-SP, onde de 200 carros tomado por financeiras no Brasil, 57 eram oriundos de Natal-RN. Esse povo ganha dinheiro de onde? Um gerente da CAIXA, BB, no máximo ganha 10 mil, mês. A renda média de bons salários em Nata, fica em torno de 6 mil mês, de onde vem esse padrão monetários dos nobres burgueses daqui?

  2. LUIZ TRINDADE disse:

    Essa ostentação toda tem uma origem: dinheiro fácil!!! Intensificada a prática depois dos PTralhas no poder, pois credita-se aos agremiados PTralhas o uso da facilidade de se “roubar dinheiro público sem ser preso”… Agora é que veio dar uma cadeiazinha de leve pra uma meia dúzia dos muitos que “labutam” em Brasília, pois a bancada que está recolhida na Papuda só vai pra cela dormir. O tempo passa tão rápido que eles nem sentem que estão atrás das grades por estarem dormindo, né, não???

  3. Semiramis Fernandes disse:

    Parabéns pelo artigo, você descreveu muito bem o que significam, para a maioria das pessoas, as redes sociais.

  4. CLAUDIO VARELA disse:

    Abelhinha, perfeito o seu comentário. Se fosse no Parlamento Municipal ou Estadual, deveria ser transcrito para a posteridade nos anais de ambas. Recebo constantemente a visita de amigos e familiares de outras cidades, economicamente mais desenvolvidas, e eles ficam impressionados como uma cidade como Natal, onde o maior empregador é o Governo Estadual, Federal (inclua a UFRN) e as Organizações Militares, os moradores ostentam tanto luxo! Já repararam que aqui não trafega carro velho? Muitos do pib, jet, peba, frequentam as listas dos cartórios de protestos, bens indisponíveis, fichados no SPC, SERASA e outros do genero, mas não deixam de brilhar nas mídias e colunas sociais, e mostrar uma realidade bem diferente das suas contas bancárias. É a vida que segue…..

  5. Eliana Lima disse:

    Obrigada, Semiramis, Cláudio.

Comentário

Você deve estar logado para postar um comentário.