
A sorte está lançada. Ou, quem sabe, o azar. Palavra feia. Pé de pato, mangalô, três vezes.
Seja o que Deus quiser. Ou o que o eleitor preferir.
Na escolha sem mais opções , ou ele ou ela, teme-se por um Brasil futuro, acomodado hoje em pirotecnias de ilusões e magias que vão além das imaginações satíricas de Lewis Carroll e o Mundo das Maravilhas para Alice, que não é brasileira.
Teme-se pela continuidade de um Brasil estereotipado. Teme-se pelo novo que se prega.
Vai-se ao dilema hamletiano. Ser ou não ser – a continuidade do poder ou a sua alternância -, eis a questão.
Remetendo-se ao verso inspirado por Shakespeare, encaixa-se entre os eleitores e eleitoras deste país varonil:
“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.”…
O debate da TV Globo, noite de ontem – que na verdade foi um pingue-pongue entre eleitores indecisos e candidatos indefinidos -, mostrou que nem todo brasileiro, seja ele o mais, dito, ‘esclarecido’ ao mais humilde dos conhecimentos, caiu na armadilha marqueteira de que se vive hoje num país azul anil.
Das histórias do cotidiano do Oiapoque ao Chuí, levou-se à tela global o que se vê nos jornais e telejornais: assalto à mão armada, esgotos a céu aberto, corrupção diante da impunidade, saúde moribunda, etc, etc, etc…
Os candidatos – que passaram a campanha em ataques de bolinhas de papel e bexiga d’água – perderam-se postos ao inusitado: a inquirição direta do eleitor.
Mesmo à vista de temas tão triviais, mas que eles se abstiveram de analisar e chegar a soluções. Soluções que são as aspirações do povo de um Brasil ‘gigante pela própria natureza…à espera de um futuro que espelhe essa grandeza…
Ó Pátria, ó Pátria amada…Salve Salve…o futuro dos pendões da corrupação…
Debate que inverteu os protagonistas – dos candidatos aos eleitores-inquiridores-indecisos.
Do pouco aproveitável, salvou-se a resposta de José Serra à pergunta do advogado brasiliense Lucas Andrade sobre ‘corrupção’.
O tucano lembrou da necessidade de se apoiar, respeitar e da total liberdade a órgãos fiscalizadores, aos vigilantes e à justiça, como Tribunal de Contas, Ministério Público, imprensa e Judiciário. Foi à baila o risco que se corre da mordaça e da atadura.
Dilma Rousseff tentou justificar que atualmente a Polícia Federal está mais aparelhada e eficiente, que nunca se trabalhou tanto. Mas esqueceu que após a prisão do banqueiro Daniel Dantas a PF foi meio que, digamos assim, amordaçada. Trabalha-se hoje num silêncio ensurdecedor. Sabe-se de operações, mas não dos implicados. Pontanto, sem palpáveis para cobranças.
No quesito corrupção nos gabinetes do poder, Dilma justificou o trabalho da Controladoria Geral e foi na jugular dos Sanguessugas (numa alusão aos tempos FHC).
Serra devolveu com a impunidade dos Aloprados – “R$ 1,7 milhão que PF apreendeu. Ninguém foi condenado. Um mau exemplo” - e lembrou que a controladoria é comandada por uma pessoa indicada pelo presidente da República. Ou seja: sem a liberdade e a isenção a que se deveria.
Outra ótima do ‘debate’, ou melhor, inquirição, foi a pergunta da cabeleireira mineira Madalena de Fátima.
Item que a Abelhinha insiste na tecla: as propagandas que elevam o Brasil ao país de Alice, com saúde, educação, habitação, saneamento…perfeitos, enquanto que a realidade é feia e suja. Com “gente morrendo” todos os dias nos hospitais, tratadas “como animais”, “lixo”…desabafou Madalena de Fátima.
Os candidatos arquearam as sobrancelhas, arregalaram os olhos e comprimiram os lábios. E agora, dizer o quê?
Para Serra, que não é governo e foi autor de avanços na área quando governou São Paulo e foi ministro da Saúde, saiu-se um tantinho melhor.
No quesito violência, à pergunta da cearense Vera Lúcia, que foi vítima de assalto com a arma apontada para a cabeça, por um bandido que queria a sua bolsa, Dilma levou a culpa ao padrinho Lula, há oito anos no poder. Ao admitir que o Governo Federal é que tem força e recursos para combater o crime e há anos está inerte.
Serra aproveitou a deixa para falar do seu Ministério da Segurança Nacional e da interação entre governo, estados e municípios, através de cadastro de bandidos…
Dilma pescou a ação para ela, dizendo que “agora nós estamos fazendo um cadastro”…o que deixou no ar a pergunta que não quis calar: “poxa, somente agora, depois de oitos anos de governo e tantas vidas ceifadas…”.
É isso. Amanhã é dia de urnas. Seja o que Deus quiser. Ou o que o eleitor se permitir…
Bom voto para cada um de nós brasileiros.
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ELIANA, ESTE BORDÃO DO SERRA DE BRASIL VARONIL NÃO LHE CAIU MUITO BEM, CREIO QUE SE ENCAIXA PREFEITAMENTE NA DILMA QUE É AUDACIOSA, CORAJOSA, FIRME, ENÉRGICA E HERÓICA. VAMOS BRASIL VARONIL…………COM DILMAAAAA
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