Sexta-feira de felicidade pelo casamento real mundo afora, sexta-feira de tristeza e constrangimento em Natal.
Na praia de Ponta Negra, após o café da manhã no hotel Esmeralda, o turista paulista Jorge Luís de Almeida Prado, 42 anos, da cidade de Jaú, foi com a esposa, dois filhos e um grupo de amigos tomar banho de mar.
Ao perceberam uma correnteza, resolveram sair da água. Mas Luís Jorge viu um adolescente em apuros e voltou à água para ajudá-lo. Salvou a vida do garoto e perdeu a sua.
Seu corpo ficou desaparecido por uns 15 minutos. Quando os médicos do Samu chegaram, tentaram reanimá-lo de uma parada cardíaca, sem sucesso. O salva-vidas chegou depois.
Agora, os atropelos de um Estado que vai gastar mais de um bilhão de reais num estádio em nome do turismo para bombar com a Copa de 2014:
Quando o Samu foi acionado, informou-se que o turista estava desaparecido. Ao falar na solicitação do helicóptero para sobrevoar a área em buscas, a alegação absurda: a aeronave não podia sair do hangar porque o seguro está atrasado.
Mais. Sabendo que o Itep não recebe corpo sem antes passar por uma unidade hospitalar, a equipe do Samu levou para o Walfredo Gurgel, que tem necrotério.
Acreditem: a equipe do hospital se recusou a receber o corpo, mesmo diante dos apelos do pessoal do Samu e da explicação à exaustão o que se sabe bem por lá: o Itep não recebe sem antes passar por uma unidade hospitatar.
Enquanto o impasse durava, a família e os amigos aguardavam tristes e constrangidos do lado de fora, e o corpo dentro da ambulância. Após mais de uma hora, finalmente o hospital aceita.
O paulista Jorge Luís veio curtir as belezas naturais da capital-potengi e a propalada hospitalidade dos natalenses, morre como herói e não recebe tratamento digno.
Ques triste para todos, que vergonha para a cidade-sede da Copa do Mundo.
Que vergonha.
O pior: ficará tudo por isso mesmo. Ou seja: como dantes.
Lamentável.
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