Juiz federal diz que a morte de João Faustino deve reflexão à “condenação midiática”

9 de janeiro de 2014 por Eliana Lima

Comentários 14

O juiz federal Ivan Lira de Carvalho foi ao Twitter para fazer um alerta à pressa da imprensa em publicar notícias com se o fato já tivesse consumado, citando o caso do ex-senador e ex-deputado João Faustino, que foi preso numa operação do Ministério Público Estadual e, antes do julgamento, condenado por alguns veículos.

Eis o post:

Ivan Lira ‏A morte de João Faustino convida à reflexão sobre os efeitos da condenação midiática antes de um processo e de um julgamento justos. Meditem.

E citou outros exemplos:

Ivan Lira ‏1)Um dia questionei notícias que linchavam os donos da Escola Base, SP, como pedófilos. O meu interlocutor, brabo, disse: existem filmagens.

Ivan Lira ‏@2)Nunca vi as “filmagens”. Acho que a Justiça, se as viu, foi com a serenidade que se espera dessa instituição. Os donos da escola foram…

Ivan Lira ‏ 3)… absolvidos,mas já estavam emocionalmente mortos. Pouco importa, em casos tais, eventuais indenizações. A dor da vergonha não tem preço

Ivan Lira ‏4) Com o episódio passei a respeitar mais o “princípio da presunção de inocência”, que pode conviver harmonicamente com o dever de informar.

Ivan Lira ‏5) Que Deus conserve em mim o sentimento de, ao saber de uma “bomba”, perguntar ao ego: “E se fosse comigo, mortal que sou?”

Ivan Lira ‏6) Isso não implica em pusilanimidade ou tendência a absolvições graciosas. É sim, um exercício cristão de equilíbrio e de…

Ivan Lira ‏7) ….ciência das limitações humanas, a partir do próprio umbigo.

Mais notícias no Twitter da Abelhinha

Faça um comentário

Você pode deixar uma resposta, ou trackback a partir do seu próprio site.

13 Comentários para “Juiz federal diz que a morte de João Faustino deve reflexão à “condenação midiática””

  1. Rogerio Diniz disse:

    Perfeito, o magistrado….

  2. Kelson Guarines disse:

    Importante observação apresentada pelo Excelentíssimo Juiz Federal, Dr. Ivan Lira. A presunção de inocencia deve ser sempre observada nos casos de denuncias ou acusações sem a devida prova e, no caso de ação judicial, de seu transito em julgado.

  3. Carla Ribeiro disse:

    Concordo a a reflexão muito bem colocada, O Sr. João Fautino era um homem de bem.

  4. Elvis disse:

    Se existiam provas contundentes no processo, tinha que ser preso mesmo, seja quem for. O Ilustre Magistrado assim desrespeita quem ordenou a prisão, quem efetuou a prisão, etc, etc. A prova é que todos os envolvidos serão condenados. Não é porque morreu que o homem fica isento dos seus defeitos aqui na terra.

  5. Aguinaldo Correia disse:

    Bem lembrado Excelência, o caso dos Proprietários da Escola de São Paulo. É nisso que dá a inobservância de princípios básicos de respeito pelos pares de nossa sociedade.

  6. O professor Ivan Lira, que tive a honra de ser seu aluno em curso de mestrado, além de dominar, como poucos, a Ciência do Direito, e por tal motivo compreender em sua plenitude o conceito de Estado Democrático de Direito, é um homem de extraordinários valores morais, de ética superior e de profunda formação humanística. Quisera nós, brasileiros, podermos gozar de um padrão de agentes políticos, em especial de magistrados, com a compreensão de mundo e a formação cristã do professor Ivan Lira.

  7. LUIZ TRINDADE disse:

    Eliana, solicito o seu valioso apoio em publicar o que se segue sob a minha responsabilidade: …e quando um juiz federal “sentencia antecipadamente” suspender o pagamento de proventos de um servidor público aposentado, ação ganha judicialmente desde 1991, do tipo PLANO BRESSER, antes mesmo que o STF julgue o mérito??? Dr. Ivan Lira, eu estou prejudicado HÁ 5 ANOS por sua precipitada decisão, pois retirar salário que é a sobrevivência do servidor aposentado e ainda antecipadamente ao julgamento do mérito pelo STF é algo isonômico ao que acabas de condenar, meritíssimo…. Depois da sua precipitada decisão, eu sim, Dr.Ivan Lira, fiquei “emocionalmente morto”, continuando vivo!!!
    Luiz Trindade
    086.135.674-87

  8. mércia disse:

    Porquê todas as pessoas que morrem, tem todos os predicados de bondade a seu favor?

  9. vicente mauricio disse:

    Os políticos poderosos do nosso RN sempre são protegidos, isso qualquer um percebe, é só ver os clãs proprietários de emissoras de tv aqui. Mas mesmo assim, quando surge algum indício de irregularidade, TODOS OS MEIOS IMPRESSOS ABAFAM! Salvo esse espaço que a nobre blogueira comenta alguns “lapsos” dos nossos políticos, de forma coerente. João Faustino foi quase que uma exceção no que tange à falta de blindagem midiática.

  10. Omar disse:

    Lembram do caso de Mução, aqui ?

  11. Wilson Soares de Araújo disse:

    Nobilíssimo Magistrado:
    Dr. Ivan Lira

    Fico feliz com lucidez jurídica de Vossa Excelência. Permita-me parabenizá-lo pela reflexão nos proporcionada, qual a de respeitarmos o direito de defesa de qualquer cidadão. O saudoso Prof. João Faustino era um homem de singular honradez, quer como; educador na acepção da palavra, escritor, professor, político, amigo, pai e esposo amoroso. Era um homem temente a Deus. Tinha conduta de ilibada e fraterna lealdade. Era um humanista amante da pacificação. O seu brilho jamais será ofuscado pela fragilidade humana. Deus é suprema condição de todas as coisas.

  12. Çivirino disse:

    Discordo do magistrado, a imprensa nada mais faz do que informar a população sobre os acontecimentos que por sua vez tem o direito de cobrar das autoridades apuração e julgamento. O caso da escola citado por ele é pontual, em se tratando de improbidades as chances de errar são mínimas porque as denuncias são fundamentadas em apurações de Tribunais e Ministério Público.
    Registre-se que o poder ao qual o juiz pertence tem decepcionado a população caracterizado-se por baixa eficiência no cumprimento de sua missão causando grande impunidade, tem características de ser capturado pelo poder politico e não raro está envolvido também em casos de corrupção conforme tem denunciado a mídia e apurado pelo CNJ.
    Mesmo com penas brandas, o Mensalão jamais teria sido concluído se não fosse a pressão popular e da imprensa, lembrando que oito dos onze ministros do STF foram indicados por Lula e Dilma cujo partido estava sentado no banco dos réus.

  13. M.D.Rufino. disse:

    Quer ser bom!… mude-se ou morra!… já dizia nossos até-passados.

Comentário