Revendo a retrospectiva 2012

8 de janeiro de 2013 por cinthia lopes

Comentários 0

Como o blog estava em “modo de pausa”, estou postando a retrospectiva 2012 que fizemos para o FDS. Quem não leu, confira aqui

 

ALTOS E BAIXOS DA GASTRONOMIA EM 2012

 

Qual o sabor que o ano de 2012 deixou no paladar de quem acompanha a gastronomia e seus desdobramentos na capital potiguar? O caderno FIM DE SEMANA ouviu a opinião de chefs, consultores, jornalistas, comerciantes e blogueiros para saber as coisas boas – e outras nem tanto – que os cardápios, adegas e vitrines de Natal ofereceram. No geral, 2012 foi um ano difícil, comercialmente falando, mas que rendeu boas iniciativas e degustações.

Festivais desorganizados e vinda de chefs internacionais

O chef Ângelo Medeiros viu com bons olhos as intervenções internacionais que aconteceram em 2012. Ele cita a vinda do chef Christian Le Squer – um dos mais renomados da gastronomia francesa atual – para ministrar uma palestra na UnP em julho, bem como a participação da universidade no concurso anual das escolas de gastronomia da Laureate International Universities, em agosto. Ângelo também achou importante a vinda do Brasserie de La Mer, com menu assinado por Erick Jackin. Ele destaca ainda o Meu Barraco, boteco e bistrô da chef Kize.
Nos pontos negativos do ano, o chef Ângelo reclama da “crise” dos festivais gastronômicos, “todos desorganizados e sem atrativos”. Lamenta também o fechamento da Casa de Bambu – devido a morte de seu criador, o japonês Nawa. “Era meu restaurante japonês favorito. E cito também o Tofu, que durou muito pouco”, ressalta. “Também tivemos uma queda em serviço e qualidade com a avalanche das compras coletivas. Deixei de ir ao Sal e Brasa por isso. E a churrascaria Fogo & Chama prefere cuidar mais da lagosta que da carne, infelizmente”, conclui. Para 2013 ele adianta que haverá mais oficinas gastronômicas no Senac (confeiteiro, incluso), e mais articulação culinária para o Circuito Cultural da Ribeira.

Vinda do chef Christian Le Squer para palestras foi um dos destaques para o chef Angelo Medeiros. Foto: Tribuna do Norte

 

Iniciativas para mercado de vinhos
O consultor de vinhos Gilvan Passos assinala que, sem dúvida, um dos acertos do ano na cidade foi a realização da Vinexpo – o 1º Salão do Vinho de Natal. “Foi uma iniciativa vencedora e promissora. O evento atraiu muita gente, e vamos aumentar o número de empresas participantes. Estamos batalhando agora para que ele se torne referência em nível nacional, algo que alcançaremos a médio prazo”, afirma. Como ponto baixo, Gilvan afirma que os restaurantes precisam melhorar a qualidade de seus serviços em relação ao vinho. “Até há boas adegas, mas poucos restaurantes contam com uma equipe qualificada para lidar com isso. Os donos precisam investir também em pessoal”, diz.
O fraco movimento de Petrópolis

Benício Siqueira, editor da revista Deguste, afirma que em mais um ano a cidade incrementou seu cenário gastronômico, com casas novas e a reforma e ampliação das antigas. “Cito o Camarões Potiguar, que ampliou seu hall de entrada para deixar o cliente mais confortável durante as inevitáveis filas de espera”, diz. De negativo, Benício fala da situação difícil de Petrópolis. “Senti uma reclamação geral de que o movimento caiu na área. E isso se deve à falta de segurança pública, e a um fator comportamental: a popularidade do Teatro Riachuelo. As pessoas saem do show e ficam nos restaurantes do shopping. É mais cômodo. Petrópolis sentiu isso. O movimento é melhor nos finais de semana, mas não é mais como antes”, explica.

 

 

Menu degustação embasado

O blogueiro, médico e gourmet Elmano Marques destaca a abertura da Dois Vinho & Gastronomia, da dupla Ana Roberta Hunka e Severino Souza. “Muita gente já faz menu degustação, mas eles trabalham isso de uma forma diferenciada, mais aprimorada”, garante. Como ponto que precisa melhorar, Elmano aponta o tratamento atual que os restaurantes estão dando às suas cartas de vinhos. “Os serviços precisam melhorar muito, estão bastante fracos”, ressalta.
Custo dos alimentos

Paulo Guillem, da Genot Cafés Especiais, afirma que em 2012 a tendência do café gourmet se solidificou de vez na cidade. “Estamos com um público cada vez mais exigente, e os novos cafés estão acompanhando isso. A evolução é clara”, afirma. Ele cita a realização dos torneios de ‘Latte Art’, em que os participantes desenhavam com leite vaporizado e café expresso. Segundo ele, o problema maior de 2012 foi a inflação de alimentos, que fizeram os custos subirem bastante para quem trabalha na área.
Valorização dos chefs

A chef Sanylle Faraj acredita que 2012 foi o ano em que gastronomia local mais se beneficiou da popularidade dos chefs e da exposição que a culinária teve na mídia. “Pode ser moda, febre, paixão ou tudo isso, mas neste ano tivemos uma abertura grande de cursos profissionalizantes na área gastronômica, e isso é ótimo. Foi bom também ver a valorização dos ingredientes regionais em todos os restaurantes. A gastronomia é a cultura que realmente mais viaja pelo mundo”, diz.

Crise no comércio
Verônica Chianca, da Magazzino, afirma que 2012 foi um ano especialmente difícil para os comerciantes da área, em Natal. Uma junção de fatores, que vai desde a queda do turismo internacional na cidade até as medidas do governo que aumentaram a alíquota de impostos sobre importados, resultaram em uma ano de retração. “O poder de compra do natalense diminuiu. E nem sempre a qualidade pode acompanhar os preços mais baixos. O que a Magazzino pode fazer é entender esse mercado e se adaptar a ele da melhor forma. Mas a falta de vontade política provocou um desânimo geral muito grande. Esperamos um cenário melhor em 2013”, declara.

Vinhos e botecos

Abro espaço para destacar dois eventos neste final de ano. O primeiro foi o Desafio Queulat, proposta da vinícola Ventisquero que contou com participação de três restaurantes locais (Buongustaio, Lótus e Dois Gastronomia). Apesar de cansativo (três noites seguidas em três jantares), e de ter recebido algumas críticas por conta da escolha do juri, o evento mudou o formato já batido dos encontros de vinhos que acontecem na cidade. Ponto para a proposta diferenciada.

Bar do Zé Reiera, em dia de Festival

O outro evento foi o Festival Pratodomundo, do Beco da Lama, que fez um evento mais redondinho e organizado. Fui jurada em outras edições e achei a proposta desta edição bem mais interessante: um petisco para acompanhar a cerveja gelada. Os jurados tiveram fichas disponíveis, com os horários de funcionamentos de todas as casas e itens a serem observados. Para o ano que vem, uma consultoria simples do pessoal da UnP ou Senac seria de grande importância para instigar a criatividade do pessoal que está na cozinha do dia a dia e muitas vezes não tem tempo para criar. Parabéns à turma da Samba. Ah, e o grande vencedor foi o Yakissoba do Recife, preparado pelo Bar do Sapato. O 2º lugar ficou para o Enroladinho do Beco, do Bardallos, e em 3º o frango enrolado com bacon, do Recanto dos Boêmios.

 

 

Faça um comentário

Você pode deixar uma resposta, ou trackback a partir do seu próprio site.

Comentário