LINDEBERGUE10

POR AUGUSTO BEZERRL 

@augustobezerril

O grande diferencial do DFB Festival reside na proposta de uma moda autoral com linguagem regional e planetária. O nome Lindebergue (Fernandes) se converteu, desde a estreia, como síntese da moda no Ceará. Em 2018, o estilista deixa de lado o tradicional handmade e faz manifesto a partir do tema Amor Próprio. A camiseta universal com poucas peças do quarda-roupa: proclama “Amor”  e “Amor Próprio” em letras pink ou azul sobre a malha branca. Lindebergue consegue a proeza de tocar em temas delicados como a mastectomia na silhueta do seio vista nos vestidos;  a sutileza aliada ao providencial humor se revela, também na estampa de lúdica de órgãos genitais. O casting estelar da cena trans de Fortaleza provocou aplausos. E um cisgênero (homem que nasceu e gosta de ser homem) pode vestir calcinha? Na passarela de Lindebergue, pode sim, senhor! A inteligência em usar símbolos fazem do desfile do estilista verdadeiro oxigênio criativo, mesmo em tempos em que falam tanto de “genderless”. Cláudio Silveira, diretor do DFB Festival, fez questão de lembrar da estreia de Valentina – modelo trans – na passarela do Dragão. Para quem acompanha a trajetória do estilista, o  desfile de “Linde” surpreendeu por looks mais “clean”.  As sacadas de mestre sempre fazem parte do repertório defensor da diversidade e, claro, do amor próprio.  O elemento central está no desafio entre o que é realmente belo. Ataduras e plásticos filme e modelos fora do padrão da indústria fazem lembrar o legendário editorial da Vogue Itália, pensado pela revolucionária editora Franca Sozzano.

Foto Henrique Fonseca

 

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