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POR AUGUSTO BEZERIL 

@augustobezerril

O futuro começou. Ao menos é o que sinalizam a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e SENAI durante a Olimpíada do Conhecimento 2018. Você imaginou entrar em uma loja e não precisar experimentar nada para saber se uma peça serve? A roupa vai caber porque será feita especificamente para você, com as cores, estampas e modelos que você escolheu. Essa é a promessa das tecnologias da Indústria 4.0 (atenção à nomenclatura usada pela indústria) aplicadas à moda: maior autonomia e poder de customização ao consumidor. A planta 4.0 do SENAI Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt), baseado no Rio de Janeiro, não só mostra como isso funcionará na prática, como dá uma prévia da agilidade que o processo pode ter. Apenas 30 minutos separam um pedido feito de uma peça pronta.

A experiência começa na loja. Um espelho virtual, criado com recursos de um videogame, reconhece as medidas e o tônus muscular do cliente, com a ajuda de um robô. Na tela, o consumidor escolhe o modelo da peça, a cor e tem a possibilidade de misturar estampas em diferentes padrões. Até assinar a peça é possível. Produto escolhido, toda a informação da peça vai direto para a fábrica por meio de um QR Code. As máquinas utilizadas na planta 4.0 não são novidade para a indústria. “Impressora, calandra, máquina de corte e máquina de costura são equipamentos comuns nas fábricas. A diferença é que desenvolvemos maneiras de conectá-las. A conversa entre elas automatiza e agiliza o processo”, explica Fernando Moebus, especialista em manufatura do SENAI Cetiqt. Com base nas informações do cliente, começa a produção a partir da impressão da estampa desejada em um papel. Da impressora, o material segue para a calandra, onde a padronagem é transferida ao tecido branco por meio da sublimação – submetida a altas temperaturas, a tinta é liquefeita e tinge o tecido com precisão. O processo de feitura segue até se chegar ao “sob medida”. A moda volta, ironicamente,  aos moldes clássicos dos alfaiates.

O estilista Ronaldo Fraga, conhecido pelos desfiles na SPFW e curadoria e trabalho de coach para o próprio SENAI, reflete sobre  a inovação com base no clássico alfaiate. “Acho muito legal quando a tecnologia, a serviço da vida, traz valores perdidos. A Indústria 4.0 é como uma volta à confecção sob medida, com cuidado com o corpo e a medida de cada um. Moda era assim lá atrás. A tecnologia faz pontes entre os tempos”, avalia.

Amaro Sales, presidente da Federação das Industrias do RN (Fiern), Emerson Batista   Diretor Regional do SENAI-RN e comitiva de dirigentes e empresários do RN prestigiaram a Olimpíada, que aconteceu na semana passada (5 a 8/7), em Brasília.