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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

C´est la vie ! A moda chorou o fim da edição brasileira da Elle. Acompanhei a trajetória da revista desde 1988, quando foi lançada, recheada por produções (bem editadas) de Leda Gorgone e textos de Christiane Fleury. A chegada do título internacional alegrou quem, como eu, era um jovem fascinado por jornalismo, economia, arquitetura e moda. Antes de jornalismo, cursei Economia. Mas desde cedo tive olhos abertos para imagens de fotógrafos como, por exemplo,  Gilles Bensimon – um nome super Elle. Radicada em Nova York, Leda Gorgone lembra que a primeira capa da Elle Brasil teve a modelo Julie Kowarik – brasileira cujo ideal de mulher bem personificava o editorial proposto pela publicação. Ela ficou exclusiva da publicação pelo período de um ano, lembra a stylist.
Eu, nessa época, dava prosseguimento ao estudo de revistas de moda e decoração como elemento de um consumidor autor (algo que, anos depois, virou tema de livro de Francesco Morace). A semente nascida na adolescência se converteu em trabalho de final de curso na UFRN (cuja nota foi, acreditem, fechada em 10). O título do estudo: Cultura Vogue de Estilo. Tratava-se de um corte temporal na trajetória da revista à época comandada por Andrea Carta e cujo diretor de redação era ninguém menos que Inácio Loyola de Brandão. Para empreitada, eu me debrucei – tendo como orientador o “temido”  professor de Semiótica Eduardo Pinto –  sobre revistas tais Capricho, Elle, Marie Claire, Ana Maria, Cláudia (que se salvou ao corte na Editora Abril) e revistas semanais tais Veja, Isto É.
Além de analisar o conteúdo, eu acompanhava os números divulgados pelo IVC na revista Imprensa, criada por Luís Nassif.  Também analisava e criava gráficos da estatísticas de tiragem, veiculação de impressos, como também da audiência de programas, segundo Ibope. A Folha divulgava, semanalmente, os 5 programas mais vistos em cada emissora (o que já rende outro Euzinho).  A Elle seguiu, por muitos anos, o conceito da matriz.  A Vogue tinha projetos especiais. Coisa que, sob o comando de Suzana Barbosa, surgiu na fase final da Elle.
Uma coisa que aprendi foi, a partir da Vogue, muito de uma publicação está na distribuição e o cuidado na finalidade do que se publica. Quem viveu em Natal nos anos 80 é testemunha de que a Vogue era encontrada em duas bancas na Cidade Alta: a Tio Patinha e uma outra numa galeria, localizada na rua João Pessoa.  E começou ampliação no mercado potiguar a partir da parceria entre a distribuidora e Tota Barbosa (leia-se Banca Cidade do Sol). Levou um bom tempo até  hoje a Vogue ser, por assim dizer, popular.
Entre lágrimas e desconhecimentos, a Elle some numa névoa de equívocos, tendo uma paisagem em que a falta de visão ampliada da realidade faz com que muitos entrem num jogo de poder em que todos tendem a um fim pouco feliz. Alguns, por razões ideológicas, chegaram a festejar o fim da revista em redes sociais. Uma revista, como veículo impresso, não se resume à redação. Existem profissionais capacitados que fazem ser tão lindo textos e fotos ilustrados e impressos. Assim mesmo. C´esta la vie. Nem deveria ser assim…
Imagem Reprodução.

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