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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

Dia 04 de outubro é um dia especial. Celebra-se São Francisco, padroeiro de Pedro Velho – cidade do litoral Agreste do Rio Grande do Norte, lugar onde nasci em casa. Cheguei ao mundo numa cama linda, herança do meu bisavô Henrique Bezerril. Tal meu avô José Augusto Bezerril,  vovô Henrique era um luxo. E, quando passava dias ou férias Pedro Velho, eu me deliciava com o  doce de caju e bolo “preto” feitos por Ia – grande amor da vida meu bisavô. Entre orações, rezas e benção, Ia contava uma pouco da história da minha família. Eu, criança e depois adolescente, ouvia deitado na rede. Da casa do meu bisavô, avistava a Igreja de São Francisco e ouvia o badalo do sino. Sete toques: hora da missa. Com Ia aprendi rezar (ainda costumo fazer) na hora do Anjo. Quieto irrequieto, eu ficava, por vezes, dividido entre a casa de Ceição (pense uma uma pessoa que me amou de verdade!) e outras casas da família. O jantar na casa Ceição se dava pontualmente às 17h. Dedé comia sozinho e contava os minutos para tomar os remédios para cardiopatia. Numa outra mesa,  eu, Ceição, Michel e Dindo comíamos e nos divertíamos juntos. A rotina era quebrada dia 04 de outubro. Tia Marlene chegava e dedicava-se a costurar. E eu e minhas primas  Margarete, Maristela e Carminha podíamos jantar mais tarde. Depois, todos iam mostrar os looks na Praça, em frente ao mercado. A Casa de Princesa era o point. A casa dos meus pais bombava de vaqueiros, festivos e afins. Todos eram recebidos com toda alegria que só São Francisco podia enumerar na famosa oração. É dando que vai festando. O mundo é um baile de santinhos e engraçadinhos. E um dado de sorte entra-se na história. Eu, por exemplo, entrei de gaiato em várias estórias sem saber. Quer um exemplo?

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ONDE EU ESTOU NA HISTÓRIA? 

A minha primeira comunhão foi com ninguém menos que Frei Damião. Antes do amado franciscano rondar a lista de possíveis santos brasileiros, ele era “Santo” lá  em casa e todo Nordeste do Brasil.  Agora imagina ter, sei lá, uns 8 anos de idade e ter de confessar os pecados ao Santinho (com aquele ar carinhoso e severo)!!  Avisaram que, se eu não contasse todos os pecados, a hóstia podia virar sangue na hora da missa. Dei a revirar o quanto teria eu já trilhado pelo mundo do pecado. A hora finda e uma multidão rodeava a porta da casa paroquial quando entrei numa sala. Acaba a história. Apaguei da mente até hoje o que teria dito e a soma de orações vaticinadas pelo Santo Frei. A hóstia não virou sangue. Eu e minha irmã Carminha pudemos fazer a primeira eucaristia em paz. Em paz entre aspas, depois fomos ver Frei Damião abençoar o balneário construído no Rio Piquiri – que abastece as cidades de Pedro Velho, Nova Cruz, Montanhas e Canguaretama. Uma multidão seguiu lá para casa dos meus pais,  onde por volta do meio dia Frei Damião almoçou. A foto mostra o exato instante. E, prestando atenção, um observador pode me achar na profissão repórter da minha própria história. Nasce um jornalista? Se assim for, Frei Damião me guiou um anjo da guarda não muito disposto ao estrelismo e deslumbre. Eu poderia ter feito primeira comunhão com qualquer um sacerdote, mas veio um candidato a Santo, é uma coisa de Deus. Quem vai decidir sobre Frei Damião? Eu acho que é Papa Francisco.

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Olha que Lindas (de Lindalva, mesmo) minhas comadre e afilhada. E minhas irmãs em santo fashionismo. 

Uma graça divina foi o poder de antevisão de tendência do meu DNA. Minha irmã Carminha usou uma traje branco, usado anteriormente por minha prima Liliane – filha da minha tia e madrinha (festiva!)  Marli. Trata-se do mais genuíno movimento de upcycling e economia criativa com vista para o exuberante bioma de Mata Atlântica da região onde Pedro Velho está. Agradeço a Deus por ter sido batizado nas águas do Rio de Piquiri. Confesso me fazer falta o banho em tão abençoada água. Mas dia 04 de outubro?  Não, não!  O balneário ficava lotado. A cidade era tomada pela procissão e o entorno era todo Vaquejada – considerada uma das mais importantes do Brasil.  Um personagem da moda, antes das semanas de moda, entra em cena: Graça Cabral aparecia na festa de linda. “Eu ficava observando como ela era estilosa“, diz Lívia Bezerril Luz. Pois Graça já era luminosidade em Pedro Velho. Eu fui descobrir todo laço fashionista entre a casa de Hozana Bezerril e a SPFW quando seguia. certa vez,  para Pampulha, em Belo Horizonte. Graça contou-me da amizade entre nós pais e primo. tios e avós.  No horizonte da Rua da Linha, hoje é dia de procissão. Hoje também data de quando fui primeira vez padrinho ao lado da minha irmã Carminha. Lembro eu, usando camisa da Company, e Carminha usava conjunto de petit pois Cantão. Juliana, neste dia, causou ao usar camiseta e saia, ambos Company, nas cores rosa e verde.  Independente da Pantone, as cores sempre existiram. Obrigado, meu Anjo Power Rangers.

P. S / Toda cidade tinha por hábito comprar roupa nova para festa de São Francisco. Eu ainda hoje lembro de uma camisa preto-e-branca comprada numa loja no Centro. Dizem que o senhor que conversava gentilmente chama-se Antonio Gentil. 

Foto Acervo ABZ

 

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