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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

Não sei se alguém percebeu, mas as páginas, em geral,  estão em branco. A tecnologia muda, mas eis que o quadrado ou retângulo, enfim o espaço, está em branco. Ontem ganhei um vídeo de Mari Caldas – minha menina baiana que tem um jeito como eu para o mar. A tela estava azul e um platinado da água. Tentei algumas letras sobre a imagem, mas escrever sobre o mar é para quem sabe. Tipografia sobre a imagem do céu e da marina, então, é quase que se sobrepor ao que que já se expressa sem retoques. O mar da Bahia me reconduz ao afetivo primordial de uma ligação minha com a natureza. Um wild caiçara. Da nascente do rio, seguindo em direção ao quase infinito azul do mar eu me sinto como uma folha que vai ao livre do vento. O tempo relativo. Paisagens, luas, chuvas: a folha quase morre. Quase não chega mas, com sorte, faz o trajeto pelo qual a força da natureza leve. É uma teoria relativa já que nos obriga pensar no esforço que se faz para se chegar em algum ponto. Os seres humanos não são folhas.  Um bom exemplo disso alguém tem dor de cabeça toma analgésico e segue para luta por um ideal relativo. E, mesmo sabendo que o universo é uma imensidão e um dia vai dar pane em algum astro, qualquer motivo vale um Star Wars.

Acho divertido como se leva sério algumas premissas e algumas verdades são vaticinadas com uma convicção fervorosa. Eistein poderia ter deixado claro que convicção é uma verdade pessoal e quase intransferível. Mas dependendo do fervor pode, sim, aglutinar simpatizantes. Um, dois, três ou milhares. Uma pessoa que tenha um certo grau de ironia podia bradar, bradar e finalizar com um “não estou bem certo”. Tenho escrito uma coisa que parece um romance. E todo vez penso em “Sei lá” como título. Lá pode ser ser Oceania, Amazônia. Lã pode ser uma casa. Lã sempre deveria ter a natureza. O pé no chão. Lã tem manhã, noite e dia. O tempo suspenso como se o mundo tivesse parado. Lá pode-se acreditar em Deus. Ou na divindade mais sublime. Pois se não religiosa a pessoa venha ser, Deus (sábio de todas coisas) vai compreender que a sensação transcendente só pode vir de quem? De Deus, mesmo! Mesmo que muita gente torça o nariz, acho que Deus curte quem se interessa por teorias (religiosas, também) fundadas a partir das forças da natureza terrestre e astral. A força da lua, por exemplo, é inegável para quem observa dia pós dia o mar. Notou que no réveillon todo mundo pensa em praia, roupa branca e brilho? Se a lua estiver cheia então, o prata do mar deixa o recomeço ainda ainda mais radiante. Lembrou daquela folha atrevida citada acima? Ela pode estar no chão da praia e você, muito feliz, pisar impiedosamente sobre ela. Mas livre como só ela pode ser. O novo dia chega, a maré move, a folha seca e fica de linda no ambiente no mais esplêndido dos lugares: junto à natureza.

O humano, sim aquele que toma no réveillon bons drinks, tem o relativo de ter ou não ressaca. Não há nada mais natural que um recurso farmacêutico para cura. Como mais o milionários dos seres sonhar com dias de vida de caiçara: perto do mar, sombra e tranquilidade.  Verão já é ano novo. E no criado mudo tem uma lista de mudanças e metas para o novo período. Objetivos novos e pendentes. Hora de esfoliar, hidratar e deixar melhor o rosto um ano, vamos dizer, renovado. Lá, voltemos à nascente do rio, outra folhinha cai. E sabe-se lá onde vai parar. Nãos sei, mesmo se uma telescópio, posto em marte apontado para terra é capaz de detectar tão minúscula parte vegetal  e cadente do nosso planeta dito azul. Ou se captura aquele sinal do tempo que o espelho nos mostra exatamente no dia 01 de janeiro, lembrando da visita ao dermato ou falível daquele creme milagroso. Agora lembrei que uma vez, estando nos Lençóis Maranhenses, uma pescador – no alto de seus 80 anos – conversou histórias do mar e me perguntou: o senhor de outros cantos, né? Um segundo de silêncio num espaço, tempo parado, do afetivo que existe na sabedoria da  natureza humana. Nem sei exatamente se sou. Ou sei lá qual que canto da terra de mar e rio. A indagação perspicaz nos fez sorrir. É a vida.

 

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