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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Atenção para o refrão: quando o sol se põe vem o farol iluminar as águas da Bahia. A música dos Novos Baianos refaz todos os novos e novas baianas. O por do sol no Porto da Barra é um espetáculo que, asseguro, transcende sol, mar, céu e chão. Acho que dali sai aquele tal “tira o pé do do chão” ouvido nos trios elétricos. O astro-rei se vai vermelho e rápido como se furta. Quando bate nas águas, muitos cabeludos, barbudos e carecas aplaudem em ode ao natural. Naturalmente tudo vem da liberdade que se tem na cabeça. Além do espetáculo, gosto da diversidade daquele recanto de praia. O lugar são as pessoas. No Porto se assegura que pode seguir em direção do Farol da Barra, tomar sorvete na Sorveteria da Barra, que fica na orla, e ouvir o que o baiano tem para (en)cantar. No barzinho do legendário beco da Off, a cantora repete deixa “a gira girar”.  Um baiano diz que 2020 é o ano do Xangô. Fala sobre o martelo e a missão dos filhos do orixá. Pergunto: como você sabe disso? “Aqui na Bahia, a gente cresce ouvindo essas histórias. É uma coisa que passa de avô, pai e filhos“, diz em voz pausada. Lembro que volta e meia alguém diz que meu orixá fica só no final.  Deve ser tudo  diversão no Terreiro Quincas Berro D´Agua entre astúcia do caçador e a paciência do pescador do orixá do Okokok Gil e o realce de polêmico Logun Edé. Certa feita um paulistano disse que é ” é preciso vir ver a Bahia de todos os santos“.  No Porto da Barra, uma amiga diz que a Mãe de Santo disse que o amor vai chegar em menos de 24 horas e vai chover todos os dias do Carnaval. Em face de instantes, cai um mar de chuva e todos correm em busca de um lugar seguro numa marquise. Como é seu nome? “Augusto“, respondo. Descubro que já conhecia tal o sujeito que estava sentado por horas ao meu lado. E é impossível não sorrir da divindade da “amigã” que, na profética frase, fez eu ir parar num café no Porto Barra. Digo eu, é preciso estar atento às divindades da Bahia. Anyway, existe um Filho de Gandhy chamado eu. Mesmo que seja potiguar, tudo começa começa na Bahia. A Bahia pode ser São Paulo ou Nova York, por exemplo. É só viajar.

Confesso que não conheço Porto Seguro. De vez em quando, vejo as mudanças na Costa do Sauípe. Além das suítes novas do Sauípe Premium Brisa, descobri a tecnologia da pulseirinha (poderosa) e o sabor do caldo de “lambreta” do restaurante Bendito Frutos. Que dizem ser  afrodisíaco.  Mas Afrodite baiana me pôs a dormir sozinho na espaçosa cama da suite depois de tomar um drink chamado “Pra Charlar”. Bruna Castelo Branco, minha amiga que acaba de se tornar Mestre pela Universidade do Maranhão, traduz charlar ” por sair festando, arrasando, luxando”. Nada como uma cama enorme para charlar sozinho. É um luxo!  Antes de me chamarem antissocial, o jornalista Léo Souza é testemunha que até caminhada de tartaruga eu vi. É preciso, sim, ver o divino da natureza do trabalho do projeto Tamar.  E ainda me inclui num bando de cangaceiro no scape room. Quem descobriu o enigma da “loira do banheiro”? Não foi a detetive Kiki Biasi, fui eu. Kiki é especialista em outros enigmas e campeã em jogos transcendentes. Fato que  a Vila Assombrada é divertida e fica coladinha com a Quermesse da Costa do Sauípe, onde ontem Iza se apesentou. Isto: Iza! Creiam, mesmo sendo ateu! Bahia é axé inesperado. Você está e o axé baiano é seu carnaval.

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Superbacana, voltando à Cidade Alta de Salvador, é que o circuito do Corredor da Vitória passa por transformações. A prefeitura de Salvador está fazendo obras na Avenida 7. O soteropolitano está tiete e orgulhoso da urbanidade que toma Salvador. Euzinho curti refazer o caminho que vai o Pelourinho. Tudo ligado: do Fera ao novo Fasano. Da alegria de vivenciar Lapa, 2 de Julho. Oxente para quem desconhece a abundância das gordas (inspiradas em baianas reais e personagens de Jorge Amado) de Eliana Kertész – exposição em cartaz no Palacete das Artes. Ir no Baile O Pente no Cortejo Afro.  Eita, Bahia redonda que faz escrever quase (neo)  barroco! Mas o bom em Salvador é ouvir. Seja o bom ouvinte da verdade que Deus dá. Stop sem go que, daqui, eu já fui folião. Já passou meu carnaval. Muito obrigado com axé da justa flor do querer ficar quieto em casa. Feito gato na cama. Bate o martelo e o coração encantado em  avistar o azul da Baía dos Todos os Santos.

Foto ABZ imagens

 

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