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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

Mistérios do planeta orbitam uma segunda de pandemia, pós domingo de Páscoa. O pombo correio da notícia não tão feliz conta da partida de Moraes Moreira – artista fundamental para formação do que chamamos brasilidade. Ao recordar as canções, remontei um laço entre o cantor e a moda e a veia artística que liga Alagoas e Bahia. Poucos que acompanharam os desfiles e coleções da estilista alagoana Maria Cândida Sarmento – fundadora da Maria Bonita e Maria Bonita Extra – sabem que a primeira loja da designer, ainda em solo alagoano, foi inspirada na música “Preta, Pretinha”, celebrizada por Moraes Moreia. “Ela amava a música”, – nos contou Fernanda Vilela, amiga e dona de um acervo chique e atemporal da grife que marcou a moda brasileira. Discreta e pouco afeita ao tom do vermelho, Maria Cândida vestiu artistas tais Marina Lima. Para mim, um momento ímpar foi apresentação de Adriana Calcanhoto, abrindo o line up da Semana Barra Shopping de Estilo, durante um final de tarde no Rio de Jaaneiro. A gaúcha usava papel como elemento percussivo e repetia nomes de mulheres. Adriana, Suzana até, ao sair da passarela a última modelo, repetir Maria Bonita. A sala aplaude e, como uma menina do interior, Maria Cândido deixa entrever, agradece  e  rapidamente sai de cena. Quando fui no famoso Largo dos Leões, quartel general da Maria Bonita, descobri histórias fascinantes de uma nordestina universal Elle Alves, com quem fiz produção de moda no Caderno H do Jornal do Brasil, pediu que eu escrevesse sobre o que vi e vivi nas semanas de moda.Nem tudo dá para publicar, teria de ser um livro.  Moraes Moreira e Elle conclamaram tal abolição do coração poeta das cenas da moda. Na foto abaixo, Carol Ribeiro desfila look do acervo da Maria Bonita em desfile em homenagem à Maria Cândida Sarmento.

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É MELHOR…

Samba da Benção abre a playlist. Estava eu na primeira fila do desfile da Totem – grife carioca cuja produção era toda em algodão e vinha da Indonésia – quando soa uma versão nova e sofisticada de “Samba da Benção”,  ecoar na sala de desfiles da Semana Barra Shopping de Estilo. A voz de Bebel e o arranjo cadenciavam um desejo ser leve e, como sempre um sempre, reverenciar à Bahia, em roupas estampadas e coloridas. A letra diz que o samba por lá nasceu e se hoje é branco na poesia, é negro no coração. A canção faz parte do show Bebel In Brazil, gravado no Arpoador com cenografia de Gringo Cardia. Escutar Aganju, música de Carlinhos Brown, tendo no entorno o Ipanema e Leblon é o Brasil em estado mais leve e lindo. Mas, ironicamente, Aganju teve um lançamento, digamos, tenso. A música foi lançada num desfile da Forum na SPFW. A sala desfile virou set, fotógrafos e jornalistas em polvorosa. Paulo Borges, diretor artístico, mantinha a a tranquilidade que só o axé pode dá.  A novela era Celebridades. Malu Mader e parte do elenco estavam na primeira fila. Eu não sabia mas a Mila Moreira conversando bem próximo a mim era parte da trama. Eu só vim descobrir depois, como deve fazer um jornalista, após apuração. As canções se conectam, hoje, dentro de um passado (presente, também)  de rezas que sempre tive olhando o Dois Irmãos. O desejo, como hoje, é de  um dia não ser “mais triste”, não.  O samba é uma tristeza que balança e traz a esperança de percorrendo a cruz chegarmos à luz pascoal. Cada luz é uma páscoa. O céu descortina, para quem acredita, o sentido da compaixão, perdão e manter a lamparina da luminosidade.

AXÉ, MORAES ! 

Um post que causou impacto no meu ig trazia letras da Pequena Eva e falava sobre o bloco Afro Filhos de Gandhy. Vou contar, eu considero a abertura o DVD   Ivete no Fonte Nova uma dos momentos mais lindos da música e do show bizz no Brasil. Logo de início,  Veveta reza, beija David Moraes (filho de Moraes Moreira), aparece no palco emocionada,  recebida por 80 mil pessoas. Sabe o que é reunir tal quantidade de pessoas num estádio da cidade onde cresceu? “Eu tenho orgulho de ser baiana”, diz Ivete no medley de canções da Banda Eva. Onde entra moda? Ivete usa looks  de Vera Arruda, estilista alagoana considerada crucial para o boom de brasilidade da moda. Vera se foi e hoje é nome de uma praça em Maceió. Fico feliz de ABZ Tribuna do Norte ter sido o primeiro site a mostrar Ivete e Silva vestindo Handred. Ivete está deusa. Mas é impossível imaginar o show do Fonte Nova sem Vera Arruda. Nem imaginar a música brasileira sem Moraes Moreira. A labuta segue #emcasa. 

MENINA FROM BRASIL 

Foto Reprodução

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