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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Hoje é o Dia da Terra. Para otimistas e pessimistas, a  possibilidade de queda da emissão de gases na atmosfera em cerca de 6% é, por si, motivo de comemorar. O resultado chega, no entanto, fruto da pandemia da Covid-19. Se a data serve para lembrar sobre que fazemos para o tal fim do mundo, os economistas profetizam dias sombrios devido à parada mundial. A globalizada aldeia impôs muros, delimitações e, podemos dizer, cedeu à liberdade – base das civilizações democráticas. Liberdade e fraternidade dão de cara com finitude da igualdade.  Freud já tinha apitado sobre o tanto de felicidade deixa de sentir em nome da  segurança. Um pouco de limite aqui para que se possa chegar mais ali.  Mesmo que o acolá seja uma loja, onde vende máscaras com  monogramas ditos de  um luxo há algum tempo duvidoso. Antes do queimar das fogueiras, a questão é: o que faríamos se fossemos livres para tudo? O que você faria se tivesse o poder de fazer o que bem conviesse? Até que ponto aceitamos o que presumivelmente vai além do limite? A resposta silencia na gritaria apaixonada das convicções (uma verdade intransferível).  enquanto tentamos trazer para nós a ilusão de Ícaro e o voo libertário para além do labirinto. Há quem se arrisque por fogo no  céu alheio. Assim como a mitologia grega fazia ciência com o sistema solar,  está tudo ligado  numa live civilizatória. Como se asas  dos novos mitos queimassem nas labaredas das desventuras hedonistas e atormentadas do famoso Marquês de Sade.

POIS BEM…

Passei alguns anos dedicados ao romance libertino. É interessante como as tramas vestem os personagens para o jogo que muito atual que no qual todos perdem para que  um único caia em derrota tal uma carta  jogada para fora do carteado. Um libertino ateu faz-se crente para cumprir aquilo que impulsiona ação de ver o estabelecido à presa. Pode se aplicar hoje em modelos de gestão privada ou púbica. Não surpresa da literatura dos tempos da Revolução Francesa povoe palestras em pleno 2020.  Sem ir ao fim, voltamos ao pensamento de Freud nas narrativas libertinas, o impulso instintivo ou amoroso ganha amarras da frieza, cálculo e estratégia para lidar com Justine ou Juliette. Sim, estamos vamos falando em seres vulneráveis. Podemos tomar como exemplo contemporâneo a performance de Marina Abramovic, na qual a artista se deixa deitar nua,  entre objetos afáveis e beligerantes para fruição dos passantes. A perfomancer, creia, chegou a ser agredida. O que parece incoerente à ideia humanista de uma civilização, se toramos só 2 mil anos,  diante da sensível e instigante provocação da sutil da arte. O que tudo isso teria  com o Dia da Terra? A aparência de ser bom está na origem do enredo libertino. As frases benevolentes ou beligerantes da cegueira apaixonada dos divergentes em órbita, hoje, nas redes sociais sob “sol” do poder da tal liberdade, talvez nos permita “permitir”  traçar um plano de voo  à altura do amor. Ficar em casa, longe de quem se ama,  é uma demonstração de fraternidade. Parece que inacreditável posto que uma parede é um muro, a escolha de não ir e vir, (fundamento universal da liberdade), o isolamento nos confronta com o brilhante de ser  humano. A imperativo da vulnerabilidade. Do meio ao fim, fica o legado para quem fica a comemorar mais dia da terra.

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Seja qual for a verdade sobre a criação, todo filho do “criador” tem a  liberdade de escolher sobre como lidar com os mais vulneráveis pode, sim, ter uma delimitação. Já parou para pensar na angústias de quem está ao seu lado? Todo mundo tem um amigo ou amiga que parece sempre bem, sorrindo, gentil. Amo quem tem o charme de deixar um mecha do cabelo fora do lugar em demonstração de leve desapego estético e certa sinalização ética. A afabilidade e generosidade naturalmente expressas tem uma ética contrária ao jogo dos  libertinos. É aquele tipo de ser capaz de perceber o sistema – vamos dar como exemplos  ciclos da moda,  talvez desperte o estranhamento por lidar  com o feérico da aparente frivolidade e gosto ao efêmero. Mas tem a leitura histórica de que o céu tem sol, mesmo que chova, mas a mitologia já deixaram na história da esteta Grécia uma opção pelo=o motor estoico da disciplina.  Para a coisa não complicar muito na filosofia, lembre de Cinderela. Aquela amiga sabe  que pode repetir mil vezes a mesma roupa. Assim como sabe qual hora exata de retocar o batom e fazer-se bela sem nem perceber que dança o príncipe.. Naturalmente escreve ou fala coisas possivelmente sem sentido. Sem a estratégia de libertina de limar o que mais reluz no humano da civilização do bem e do mal: estamos falando de amor no Reino. Bom dia da Terra, gatos e gatas borralheiras..

As imagens que ilustram o post são obras do artista plástico e psiquiatra Ricardo Prado Lima. A paleta de cores evocam desejo de leveza, vistos nos trabalhos dos chamados caçadores de tendências. 

P.S / Os quadros também remetem às personagens Justine e Juliette. Mas, vale salientar, ser uma livre associação semiótica do autor do texto.

Foto Reprodução

 

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