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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerrl

augustobezerril@tribunadonorte.com

Era uma vez um tempo em que se lamentava a segunda-feira e sonhava-se com sexta, sábado e domingo. Terça e quinta eram dias de eventos e, onde tem tradição, happy hour. Eis que uma invisível sombra deixou todo mundo no mais desesperador fim do mundo. A vida está tão ficcional que filmes e novelas não dão conta. É como se meio mundo fosse aquela noiva deixada no altar, tipo Patrícia Pillar na novela Brega e Chique. O que fazer? A personagem da trama, tadinha, chegou à porta da igreja. Quis matar meio mundo, esbravejou. 30 anos depois,  hoje, talvez ela desejasse salvar meio nundo e agradecer por não se unir a um calhorda. Pois vamos combinar: deixar a pobre moça planejar meticulosamente cerimônia e festa é coisa para gente de malévolo coração. Como vingança, a agora liberta de cerimônias medievais  (massantes, ostensivas e melosas) pode estabelecer  a ponte ilustrada na simbólica iniciativa de  distribuir flores dos arranjos, alimentar os sem comida com o comes da pretendida comemoração. E, sim,  dádiva de tão retumbante irritação: todos tomam champanhe!

O muito de tecido do vestido se transformaria em máscaras. E do look restaria sutiã, hot pant, sandália. Surge então uma Madonna em tempos de um like a virgin nada gótico em  o visual arrematado por véu e máscara. Ao final,  feliz por fazer das lagrimas alegria se trancaria em casa por dias. E talvez pudesse rever todo tempo gasto à espera de um futuro não tão final feliz assim. Com espírito de Cinderela, a nossa heroína dedicaria horas à higienização do lar, do corpo e da alma. O que inclui entrar no instagram e aproveitar os preços para refazer as referências estéticas.  Hora de usar aquele salto que nunca subiu e andar pela casa bela sem ilusões,certa de que nos contos de fadas também existem a tal “meia-noite'”.  Sendo atual e lembrando que ontem, domingo, foi dia contra homofobia, a trama não tem gênero. O noivo é ele ou ela. Seja como for, é preciso aceitar a realidade de modo a reinventar-se no isolamento com a garantida da recomendação de 2 metros de distância. Perfeito para não ouvir aquele “tadinho” ou “tadinha”. Gente chata, tchau! Let me see.! A vontade de gritar na janela clamando por não dizimar a humanidade,  posto existe pessoas legais e  (noivos e noivas) desamparadas”-  esbarra na existência do marco civilizatório proposto pela boa  educação de, sempre que possível,  não incomodar os vizinhos. Não é momento de resolver ser a “Alok”. Melhor ficar meio de boa como o filho da Ivete (melhor da laive da cantora).

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Já da para escapar “fita” do enredo surreal, é preciso diferenciar o que é plausível ao que se tem preferido chamar de “loucura” aquilo que representa o mais asqueroso do ser em vida: não respeitar a vida. Assim como noivos deixados no altar, um bom recurso de redenção seria reconhecer-se às cegas por uma paixão, delatar-se  por ser incapaz de observar os sinais dos mais prosaicos aos cosmológicos. Finalmente reclusa, em meio à brigalhada solta em antagonismo,  aproveite o isolamento para ficar de lado algum. Soluço e solução. O despertar da  Cinderela  se dá varrendo a cassa, bela e feliz. Lembra da resiliente mocinha resgatada pelo príncipe?  Pois ponha-se no seu home office com estoicismo e evite textos repletos de receitas de como ser feliz em meio ao caos. Esta liberado de dizer “Affe de tanta laive”, assim como trazer à razão os mais inconvenientes e incautos.  Hora de olhar aquela foto e perceber que não era lindo aquele vestido transparente com aquela hot pant. E, no caso do esquecido noivo, não chorar ao constatar que aquela  estampa botou flores em demasia em você.  Descobrir que você, como vários sertanejos, incorreram no topete errado.Tenho amigo revelou, agora na real da pandemia, ter descoberto a frustração de não ter viajado ao Ártico. Gastou dinheiros e milhas entre  Nova York, Chicago, Paris, Roma. Mas o grande o desejo foi recalcado em troca por giros por restaurantes e lojas grifadas. Outro amigo ficou feliz em saber que teria ficado por gordo por opção, mesmo que a moda vaticinasse o contrário, manteve-se fiel ao propósito de adiposo. “Sou feliz por escolher por mim, mesmo”, exclamou.  Entre os relatos esperançosos tem o caso de um sujeito obrigado a sair de causa em razão da pandemia e, ao dar uma passada no abandonado lar, viu a morte de uma jabuticabeira no rooftop. No ímpeto de salvar e proteger vidas humanas, o moço conteve a tristeza e  prometeu, quando tudo voltar ao novo normal, plantar uma arvore frutífera.  Outro colega diz ter usado o tempo a trabalhar e  aprender consigo a partir do florescer de uma semente, já semeada em coração fértil, conhecida como  amor #emcasa.

Moral da estória: Seja a fada que você que tanto espera em ambiente verde, cinza e branco.

Foto  Reprodução + Marcos Biazi

 

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