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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Alguns centímetros de tecidos, linha e elástico: bastar costurar e está produzida a máscara de pano – principal elemento de produção de individual durante a  Covid-19. Convertida em item universal, a peça parece estranha à imagem de saúde no mundo ocidental. Mas é tida como normal no cotidiano do Oriente. Em países como Japão usar máscara para não disseminar gripe é um hábito comum. ABZ Tribuna do Norte conversou com  a jornalista Silvan Holzmeister – professora da Escola de Belas Artes, jornalista da Harper’s Bazaar e autora do livro O Estranho na Moda – no qual analisa a imagem de moda  ( algumas pouco saudáveis) veiculadas em campanhas e revista de moda nos anos 90. A pandemia acontece numa realidade diferentes do final do século passado. A nova normalidade converteu-se em vida real para milhões pessoas.  “Há um sentimento de estranheza, sim. As pessoas estão acostumadas a ver a expressão facial do outro e isso não é mais possível. Sem contar os modelos “criativos” que estamos vendo circular pela internet. Entretanto, trata-se de acessório necessário para barrar a transmissão do coronavírus. Por isso, nem há muito espaço para discussões estéticas, seguindo tendências, por exemplo. Talvez isso seja possível em um segundo momento, quando a pandemia estiver controlada“,  reflete Silvana.

VIDA REAL  

Já estamos vendo máscaras fazendo parte de capas de revista de moda. Isso porque a moda é, pondera a escritora,  reflexo do que se passa na sociedade. No momento, o uso de tecnologia em editoriais de moda parece ser a resposta imediata. Na avaliação da jornalista e também professora de moda ainda é  difícil dizer se a Covid-19 vai despertar a produção de imagens estranhas resgatando o mood dos anos 1990. “Vejo o mundo bastante assustado”, exclama.  A literatura sobre moda, arquitetura, design e estilo de vida demonstra o efeito de como a moda traduziu e respondeu aos momentos críticos da humanidade. Os pesquisadores, daqui alguns anos, poderão detectar com mais clareza o efeito sobre saúde, educação, ética e costumes. Existem, revela Silvana, observações sobre a ideia de inserir a preservação do meio ambiente, vida Floresta Amazônica, dentro da problemática e também soluções para o mundo pós Covid-19.

PRIMÓRDIOS 

Criada na década de 1890, a máscara facial do tipo que cobre o nariz e a boca são acompanhadas de um símbolo incômodo porque estão ligadas à proteção contra doenças E poluição. Ou” seja: segue um paradigma diferente do ideal livre e despojado das imagens relacionadas à saúde, quase associado à expressão de alegria em grupos e lugares paradisíacos. “As máscaras já foram símbolo de protestos. Agora, são a face da pandemia do coronavírus. “A Covid-19 nos assombra, embora muitos tentem minimizar seu alcance e perigo. E a máscara, o distanciamento e o álcool gel são, nesse momento, as únicas maneiras de conter a transmissão do vírus”,  diz Silvana ao lembrar de, além do uso de máscara, o isolamento e distanciamento faz do estranho além do uso de um elemento de proteção, agora, de possível significado estético.
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HISTÓRIA 
Ao estudar sobre a aparições da máscara, Silvana conseguiu demarcar o uso do instrumento,  pela primeira vez no final do século 19  por cirurgiões como medida de impedir que bactérias transportadas pelo ar contaminassem uma ferida aberta. Em 1910, autoridades chinesas adotaram para impedir a propagação da peste pneumônica. Em 1918, foram extremamente importantes para barrar a gripe espanhola. Viraram nessa época item do vestuário, como acho que vai acontecer agora. Na China, mesmo depois da I Guerra Mundial elas continuaram populares como consciência cívica, como vemos até hoje. “Talvez  a máscara seja o símbolo da distopia que vivemos no mundo hoje”, pontua, sem se ater a teorias conspiratórias.
INFLUENCERS 
No globalizado cenário atual, cabe retroagir em alguns sinais. Silvana lista alguns instantes de criadores influentes.” Na passarela, há tempos vemos máscaras nos desfiles da Maison Martin Margiela. A Swarovski usou em 2015. Nos últimos 3 anos, Gucci, Fendi, Off-White fizeram máscaras. Agora, celebridades daqui e de fora estão postando fotos usando máscaras, o que ajuda a conscientizar o outro”, exemplifica. . Neste momento, apesar de algumas marcas estarem vendendo, muitas outras estão distribuindo, como ato de solidariedade. “Máscara grifada, agora, ainda é visto como algo sem propósito, mas é possível que, quando o pior passar, as pessoas queiram unir luxo ao acessório.”, responde Silvana sobre as possibilidades que cercam o estilo. Mas é certo que o uso de máscara certamente não será tão estranho assim.  “Segundo previsões mundiais, é possível que convivamos com o controle do coronavírus nos próximos anos. Isso significa que essa estranheza inicial seja substituída pela sensação de normalidade”, prevê.
Na foto, Silvana usa máscara feita de resíduos de tecidos da grife lenços Scarff Me. Na imagem 2, capa do livro O Estranho Na Moda, disponível em livrarias virtuais.
Fotos Divulgação + reprodução
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