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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte 

Hoje é Dia do Jeans. A celebração dos 450 anos do surgimento do tecido foi eclipsada pela pandemia da Covid-19. O poder índigo de se reinventar durante séculos e moldar-se às mais diferentes culturas se mostra resistente mesmo em tempos de pandemia. Os especialistas em tendências mundiais de moda, estilo e comportamento apontam o bom jeans como clássico e longevo tecido, hoje, e no futuro próximo. Léo Macedo, estilista da grife Colmeia e consultor em denim, aponta sinais, dá dicas e celebrar, discretamente como o momento pede, o democrático e versátil jeans – nascido na França, crescido nos Estados Unidos e, hoje, aparece um quatrocentão renovado em passarelas tais Fendi, Dior e Givenchy.

DRAGÃO DO JEANS 

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Um dos mais respeitados profissionais quando o assunto é jeans,  Macedo sabe que, hoje, a Holanda produz o que há de melhor denim, vai buscar referências no Oriente (veja foto no Japão) e garante que a produção nordestina, especialmente de Fortaleza, tem o mesmo padrão de qualidade das grifes do eixo Rio/São Paulo. A diferença esta no valor de marca (para quem se preocupa) e na escolha acertada. Febre na última década, o modelo skinny, diz o consultor, não fica bem em todo mundo. O modelo carrot (cenoura) é ideal para quem tem o tipo físico em que o tronco é um pouco maior que as pernas.  O home fit, uma versão semi bag, é o modelo da vez por garantir conforto e elegância. É campeão de venda na Colméia, grife que tem na equipe de estilo o potiguar. “Mas não devemos pensar jeans só em calça. Há infinidade de uso no vestuário e também na decoração“, ressalva Macedo, cuja cabeça não para de pensar em aplicações do tecido.

EFEITO COVID-19

Assim como estilistas em todo mundo, Léo Macedo prevê impacto da pandemia sobre o universo do jeans. O reuso de tecido e redesenho de peças devem virar ainda mais realidade. “Nós já intensificamos o upcycling, preferimos tecidos com lavagem de baixio impacto, seja através da tecnologia, seja a utilização do que chamamos do índigo bruto”, diz. O Nordeste vai bem no quesito tecnologia e sustentabilidade.  Senai Paraíba apresentou na edição de 2019 do Brasil Eco Fashion Week um jeans feito de algodão colorido. Azul, tem tingimento. O conforto é uma tendência tida como natural no mundo após isolamento e a consolidação de home office.  “Há uma tendência por modelagens amplas e tecidos mais leves”, revela. Vamos ouvir muito falar no chambray – um tecido com aspecto de jeans, mais leve e maleável. “O crescimento da produção reflete há procura igualmente crescente”, diz.

MADE IN BRASIL

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Embora o mercado brasileiro não tenha grifes reconhecidas pelo jeans, Léo Macedo acredita que o jeans brasileiro tem como característica o sexy. A calça da Gang – modelo em fleece ajudado ao corpo – causou no mundo inteiro. “Quando cheguei em Paris não acreditei no que estava vendo. Considerado brega ou não, o modelo preferido da carioca à época foi um fenômeno”, reflete Macedo. Para o estilista, uma imagem que bem traduz o jeito brasileiro de olhar para o jeans como veste do corpo é a imagem do biquíni jeans, criado anos 70 pela também carioca Blue Man. “A união de dois clássicos made in Brasil“, exclama com expertise de quem já assinou inúmeras coleções de sucesso e causou na passarela do Dragão Fashion Festiva, evento autoral de Fortaleza, tendo como companheiro de estilo o quatrocentão jeans.

Na foto 01, Léo Maccedo em pesquisa no Japão. Em seguida, imagens do backstage do Dragão Fashon Festival por Nicolas Gondin. Foto 3, look da coleção Colméia em clique do potiguar Luís Morais.

Imagens Divulgação

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