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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Estamos em 2020, a pandemia avança ao passo que  o mundo se debruça sobre novas expectativas de  vivências. Assim como a  moda, a arte reflete o tempo. Para além de uma produção feita a partir de hoje, a arte tem aquietado angústias, sinalizado caminhos e estabelecido referenciais de propósitos. ABZ Tribuna do Norte conversou com a escritora e artista plástica Ângela Almeida na expectativa primeira  de descobrir como a arte pode nos ajudar na travessia da quarentena. Faltando pouco para o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, o olhar ampliado da artista vai além do período da pandemia e nos levando ao encontro entre arte, história, comportamento e moda. A audiência recorde de lives, abertura de acervos de grandes museus e a crescente popularização do e-book  revelam quanto diferentes formas de artes responderam prontamente, mesmo no mundo digitalizado,  ao anseio do público durante a pandemia. Segundo Ângela Almeida, tanto a música quanto a literatura e o cinema mostrara o quanto são importantes para o nosso espírito. “Seria muito mais difícil passar por uma quarentena sem eles. ois são como alimentos para amenizar a angustia, incerteza, a solidão“, pondera.  Já as artes plásticas criadas ou não nesse contexto, não é de consumo imediato. Vamos entende-la, diz a escritora, mais na frente.
A produção artística serve para o próprio artista como expressão necessária, nesse contexto ou não. “Para muitos artistas é uma das formas de sobrevivência, porque é vida. Para mim é resistência”, revela. Assim como o mundo tenta visualizar maneiras de vivências, a pandemia terá impacto sob a fruição e consumo de  arte em grande escala. “Frequentar museus, galerias, feiras de arte,isso provavelmente vai passar por uma nova forma de consumo.”, prevê Ângela.

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CASA E MODA 

Os adornos e ornamentos, agora tão visíveis, aos olhos por tanto tempo em casa,  instigam em formas e toques, assim como denotam escolhas passíveis de mudança. Casa e moda tecem uma trama instigante. “Especificamente nessa quarentena, onde fomos direcionados para dentro de casa, as roupas e adornos ganharam o rumo do conforto, da maciez dos tecidos, do aconchego, do estritamente necessário. Não cabe o supérfluo, o pesado, o over dentro de casa. Talvez isso extrapole após pandemia com muita força, diz Ângela ampliando perspectivas sobre o design.  No mundo pós-pandemia, tenderíamos, segundo Ângela, a olhar para a natureza:  os produtos que não agridem o meio ambiente. Objetos que foram moldados de forma artesanal, como a cerâmica que incorpora pigmentos naturais, como objeto de decoração. Os tecidos, os tingimentos naturais, com romã, alecrim, urucum, por exemplo. O algodão orgânico, produzido aqui na Paraíba vizinha (veja na foto acima, imagem do desfile Senai/Cetiq Paraíba na edição da Brasil Eco Fashion Week, cobertura exclusiva de ABZ Tribuna do Norte). A seda que nasce de fibras do nosso meio ambiente. Entender melhor essa cadeia da moda que começa no processo das fibras, na fiação, na tecelagem, no tingimento dos tecidos, para chegar na modelagem, mercado, produto e comunicação.

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É PRECISO REVER….

Ao voltarmos os ponteiros para o centenário da Semana de Arte de 1922,  a escritora diz: “A Semana de Arte Moderna no Brasil foi inicialmente uma ação de um pequeno grupo de pessoas, que reverberou com o tempo. Entretanto, o que estamos vivendo é planetário, é um sentimento maior, o que vem no futuro também terá essa perspectiva, ampliada.”, observa. Embora o Brasil conviva concomitantemente uma crise sanitária e política, o que nos remete ao Parangolé. A obra de Hélio Oiticica foi essencialmente
experimentação. Estava amalgamada entre homem e objeto. O próprio parangolé eram tecidos enrolados nos corpos. É uma obra muito forte e não envelhece, então é com que a gente continue com ela, não procure substituto”, observa. A obra do concretista deixa, contudo, uma recado aos fashionistas em tempos de incertezas.”O experimentar livremente de Oiticica, é uma das formas de avançar no tempo. Ele mesmo declarava que seguia o postulado de Paul Klee que era pela experimentação atingir o coração das coisas. E também um conselho do pai que tudo pode ser feito, que não se devia prender nunca ao não pode. Essa experimentação e liberdade ampliada confronta com uma das clássicas regras da moda, que é ditar o que pode e não pode usar, ou que deve ou não usar” reflete Ângela.  Em tempos de um consumidor autoral e consciente do repertório das escolhas,  a questão do corpo individualizado leva a desobedecer essas regras. “Essa parcela da moda talvez esteja mais próxima da experimentação e proposta de cumplicidade entre corpo e vestimenta, corpo e moda“, diz. Muito provável que não vamos voltar ao mundo que deixamos em 2019.

Na foto 03, Caetano Velo veste Parangolé.

Foto Cedida

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