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POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerrl@tribunadonorte.com.br 

Hoje às 14h45 eu fico com 49 anos. É uma idade estraha pois não é nem 48, nem 50. De todo modo eu escrevo no dia 27 de junho de hoje pois neste exato dia consta que cheguei ao mundo, apressado, pelas mãos da parteira Dona Joaninha. Meu primeiro leito foi a cama que pertenceu ao meu bisavô Henrique Bezerril. Meu nome ia ser Horácio. Mas acabei ganhando o nome do meu avô materno acrescido de Neto. É um presente ser Augusto Bezerril, assim como é um presente ser neto João Costa. Minha vó Carminha morreu aos 33 anos. Talvez explique eu sempre me espantar cada ano que passo vivo. Deu um pânico fazer 20 anos. Aos 30, eu já achava tudo lucro. E acreditava que eu seria lindo,feliz e muito simpático aos 37. Nem foi tão assim. Na verdade, não foi nada assim. Mas acho que consegui manter a beleza de ser fiel a mim. E conheci o funk de Tati Quebra Barraco e fui amigo do Galeria Café, em Ipanema. Pois bem: cismei que seria lindo, feliz e com menos boletos aos 47. Não foi nem de longe assim, mesmo. Até que o povo me elogiava, mas os boletos….  Avisaram-me à época ser um síndrome universal sem data para findar no mundo.  Eu descubro, hoje, que sou trend-hunter. Antes da atual quarentena,  recomendação da OMS, eu já iniciei distanciamento social. Não que isso me traga alegria. Mas ao menos posso dizer: persevere e ficar em casa é bom se traz um certo sentido em paz. E não se acanhe de tomar Rivotril e algo quebre a monotonia. Qual a paz…

FROM PONTA NEGRA…

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Aviso que  home office tem uma tendência à cama, rede, chão, esteira office. É uma coisa tão mágica que sua cabeça trabalha no silêncio da noite, deitado no chão, olhando para lua e estrelas. Meu recorde foi ficar na areia da praia das 19h às 2h da madrugada olhando estrelas. Pensei em tanta gente e coisas que, em certo momento, eu era completamente eu. Ana Claudia Couto, que adoro, diz que meditei.  Desde criancinha tenho o “sumido” para um rio, mato ou duna onde eu pudesse me ater somente a mim. A mangueira da casa de Ceição – minha tia vó – é testemunha. Deixei o hábito quando minha amada mais amada da vida disse que o “diabo assobia” quem joga bola debaixo da mangueira. ABZ Tribuna do Norte tem o link #vidareal. Deve ter nascido do susto! Mas Ceição me amava tanto que entendi a proteção. E o que dizer do São João sem Ceição, Ia, Vovô Zezé e o mais devoto: Vô João?  Seu João de Bili tinha um jeep pink abastecido de bandeirinhas e fogos para crianças distribuir entre os netos e crianças da Rua da Linha. Moisés cuidava de atirar os rojões em direção da plantação de milho e algodão. Era muito lindo! Obrigado, Vô João!  Em 2020, devido à pandemia, Tia Marta não pôde acender fogueira em homenagem ao patriarca da família. “É lei”, acabei de falar via cel. Canjica fica para dia 10. É o aniversário de Marta, Vô João e Tio Marinaldo. Acreditam nisso? Todos cancerianos como eu, Gisele, Marisa Monte e Vovó Maria de Lourdes Mariquinha. Vovó era diversão. Mas vovô Zezé Bezerril- low profile como era –  fazia fogueira discreta. Tia Marta não deixa barato na altura e fogo alumiar…. a tradição.

SÃO JOÃO, SÃO GENARO ! 
Tia Marta morou na Mooca. Anos mais tarde vim conhecer a história da Mooca para além de Tia Marta através dos relatos do amigo paulistano Marcos. Estou quase um expert em tradição italiana. O engraçado é que conheci Marcos em Ponta Negra. E descobrimos termos em comum a paixão por arquitetura, especialmente os prédios modernistas paulistanos da região central de SP. Eu queria morar num apartamento do Vilvanova Artigas. Marcos já é um banco imobiliário de endereços. Todo instante fala de uma joia arquitetônica. Amigo que é amigo faz reconhecer beleza no kitsch dos Artachos. Pois aqueles prédios esquisitos tem varandas sonhadoras. Geová sabe onde todo mundo morou ou mora. De Di Cavalcanti à Catherine Deneuve. Antes de paquerar com os prédios paulistanos, eu sonhava com edificações do Flamengo. Gente, tem ou tinha um prédio em frente ao MAM/Rio que era um sonho. Sonhei, cai da cama. Eu não sonho mais, já dizia o refrão de Chico na voz de Elba. Mas, sendo hoje meu aniversário logo após perder um amigo por causa do aniversário de Chico Buarque, podem me presentear que agradeço. Eu não tinha planejado nada de especial, mesmo, para os meus 49 anos. Um apartamento vendo a Marina da Glória é uma surpresa edificante. Sem deixar de lembrar que eu ia ser vizinho da “maravilhosa” Elle Alves. Sei que ela me ama. Um amor dividido, meio bandido, como deve ser tudo que sobe o Morro de Santa Tereza. Para!
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Então: estou desprogramado aos 49. Mamãe andou me sugerindo umas coisas. Eu estou a pensar e, claro, fazer contas. Além do clima de de fim de mundo no mundo, acho que mamãe me entendeu quando foi no final do ano em Salvador. Eu sou totalmente aquilo ela viu. Não sei se moraria em Salvador. Sei que sou ligado por lá. Clévis, Gui e um tanto de amigos me relacionam à Bahia. Deus me deu um amigo, Marcelo Pessoa, nascido em Santo Amaro da Purificação. Não cheguei no Recôncavo além das letras de Amado e da cantoria de Caetano e Bethânia.  Deus me deu o Largo 2 de julho. Deus me deu… Ontem, ao ver a laive de 78 anos de Gil lembrei que temos mesmo signo e ascendente. E o mesmo orixá. Realce! Também, ontem, Patrícia Pontaldi – gaúcha fashionista e amigã de tempos – refletiu sobre ser “velha”. Eu respondi: “Um velho tem tanta novidade. Que facilmente sabe o que é verdadeiramente novo”, aspas minhas antes de completar meio século. Pois você pode ser quem for, mas só KYLIE MINOGUE cantou Dancing Queen no encerramento dos jogos olímpicos de Sidney!
ONDE É A SAÍDA, ALICE?? 
O tumultuado mundo e minha falta de traquejo para coisas consideradas “normais” fazem com que eu olhe e o futuro e diga: calma, você chegou aqui só Deus sabe como. Resumindo: trabalhando, sem olhar e nem cobiçar o que é dos outros e com desejo de paz felicidade para todo mundo. Amo felicidade e sucesso dos outros. Pois gente feliz não tempo de azucrinar os outros.  A pessoa pode me odiar, mas se eu puder ajudar: eu ajudo.  Se tiver um bom propósito, here i am.  Palone Leão me perguntou o que move moda. “Depende do que a pessoa tem concebido como moda. De modo geral, acho que o efêmero”, respondi. O que move a vida? O instante, o efêmero. A pandemia tem mostrada que os segundos não tem sido como eram antigamente. Euzinho sempre fui ligado no presente, passado e futuro. Mamãe ontem queria que eu lembrasse de um fisioterapeuta que me atendeu quando voltei de São Paulo com 7 anos de idade. Da viagem lembro da Estátua do Borba Gato (nunca vi tão feia) e da volta recordo não ter ficado tão fascinado por Sampa. Tem coisa que amo, tem coisa que dá um branco e tem coisa vai para muro do perdão. Cabala veio a luz, do catecismo a fé e religiões matizes afros  e indígenas meu coração de axé.
augusto
AGORA, pode fazer 3 pedidos?
Meus filhos íntegros e civilizados, razão de eu resistir às tempestades, furacões e mágica errada de circo.
Sair no Filhos Gandhy no Carnaval. Meu filho Gabriel diz que não vou achar nada do que penso, mas deveria cuidar (isso envolve estratégia) de realizar o afoxé.
Não me vejo além de hoje. Mas vai que Deus me dá mais do que muito já me deu, eu aceito ser velhinho em Salamanca, Pedro Velho,  Salvador, Vila Buarque… e no Leme.  Joguei Banco Imobiliário, tá !
P.S – Mundo Feérico é uma maneira irônica de falar sobre deslumbramento,
Fotos Reprodução

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