LUANA CARVALHO 2 crédito Jorge Bispo

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

Não tira a máscara, pois o baile continua em casa. Do lado da música, entre morro e asfalto, tem-se um lançamento mais que bom: Segue o Baile,  novo álbum de Luana Carvalho. Produzido e mixado por Kassin, o álbum tem clássicos do funk tais “Me Leva”, clássico de Latino; o Rap do Solitário, composição de  Mc Marcinho/Sullivan & Massadas. E o baile abre com Hoje, megahit de efferson Junior e Umberto Tavares. Luana acerta o compasso até em temas delicados como preconceito e desigualdade na faixa Selfie. ” Por causa da nostalgia que a quarentena me trouxe, voltei meus ouvidos a tudo que mais profundamente me constituiu como ser musical. E lá nos primórdios das minhas tardes inteiras ouvindo e decorando letras de música, encontrei, inevitavelmente – também pelo ano de falecimento e homenagem – o repertório de minha mãe, e os fiunks que tanto embalaram uma época fundamental da minha vida. Também a transformar em letras, reflexões sobre o comportamento da minha classe social e assuntos como racismo, feminismo, doenças tão recorrentes como câncer de mama (tanto em ‘Teta Sem Treta’, música que compus em parceria com a atriz Andreia Horta, quanto em ‘Mainha’). Ao sentir a resposta do público do meu instagram às minhas gravações caseiras de Mc Marcinho, Bob Rum, Latino, Jefferson Jr e Umberto Tavares (gravada por Ludmilla), compositores clássicos e atuais do movimento, tive vontade de falar de um outro baile. Este que não são os de carnaval, mas que unem e separam morro e asfalto ­­– o Baile de Máscara a este disco agora, como uma espécie ‘duologia’ – na mesma proporção; e que ajudam o Brasil menos favorecido– a seguir o baile da vida“, revela.

VAI NO BAILE 

Reconhecidamente Zona Sul carioca, Luana não se faz real ao cantar com uma base acústica hits dos bailes da periferia. “Na adolescência, frequentei muitos bailes funk. Fui fundo mesmo: bailes da periferia; favelas em morros do rio; plays na Tijuca, Méier, Vila Valqueire, Vila da Penha e Nilópolis; viaduto de Madureira; boates da zona sul. Aprendia os passos, ensaiava em casa, ia pra dançar, levava a sério. Mesmo não sendo ‘nativa’ – termo usado por Hermano Vianna no livro ‘Mundo Funk Carioca’, para as pessoas que eram, de fato, das comunidades e arredores – fui sempre bem recebida e acho que, principalmente, por ter amigos que eram ‘nativos’, já que o samba e o futebol (profissão de meu pai) me fizeram criar muitos elos no subúrbio e favelas do rio. Minha relação com o funk tem muito em comum com minha relação com o samba, embora, na minha casa, o funk fosse considerado uma espécie de problema sociocultural; Insistia-se em condenar o que chamavam de dominação que, supostamente, a ‘música americana’ estava exercendo sobre espaços dos morros, que deveriam ser de samba, exclusiva e historicamente“, diz a cantora, poetisa e compositora, filha de ninguém menos que a Beth Carvalho.

LEGADO  DANÇADO 

Se Beth Carvalho percebeu no samba a sonoridade capaz de transpor classes sociais e divisão entre elite e o povo, Luana empresta voz ao ao funk com fluência de quem sabe onde encontra a boa música. “Assim como o samba sofreu preconceito no início do século XX – sambistas iam, inclusive, presos por portarem determinados instrumentos típicos do ritmo – o funk seguiu, e ainda segue, um caminho parecido. Tanto no impacto quanto na discriminação. Isso, claro, tem a ver com a origem popular de seus locais de propagação, e com a imagem violenta e vulgar que a grande maioria da elite carioca julga ser a desse universo. Mesmo com a explosão de nomes como Anitta e Ludmilla, de uns anos pra cá – o que é muito importante, historicamente – existe ainda – também com ícones como Zeca Pagodinho – uma espécie de folclorização no que poderíamos chamar de respeito ou admiração das classes mais altas por esses ‘personagens do povo’. A questão é que, da mesma maneira que o samba, cuja origem sempre foi polêmica, se tornou um dos maiores símbolos da cultura brasileira, o funk carioca – e pasmem com a quantidade de teses escritas sobre esse movimento desde o livro de Hermano, portanto seria leviano aprofundar o assunto num release de disco – movimentava, já no início dos anos 80, um número perto de 700 bailes por fim-de-semana, frequentados por uma média de 5 mil bailarinos, cada. Além disso, é uma música que muito se difere do Soul ou do Jazz Funky, de onde provém, teoricamente; principalmente por sua mistura com o maculelê“, reflete Luana. Como resultado, Segue o Baile desperta sobre mais música de Luana.

OUÇA, PENSE E DANCE

Aperte no link!

ME LEVA 

https://www.youtube.com/watch?v=_6glSd2-4C4

SELFIE 

https://www.youtube.com/watch?v=SGDnjyfREXE

Foto Jorge Bispo Divulgação

 

 

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