160399929_1114864175631311_1971927047292709114_n

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br 

Sexta-feira, 12 de março. A grande maioria da população sextou no pânico. A sensação de terror se torna ainda mais incontrolável quando se percebe que, para além da vidas perdidas, observa-se o movimento de quem deseja se  aproveitar do caos para tomar trincheiras. Seja qual lado for,  é um movimento de brutal desumanidade. O terreno movediço sobre qual vivemos aparecem mãos travestidas de bondosas vestida por uma manga morcego capaz (vamos buscar uma imagem de moda) que pouco importa com o final da nossa agonia. Tudo vale desde que se ostente a imagem do bem lendo os números. Em geral, as manifestações do bem respaldam-se em aberrações sobre as quais não tem como aliar-se. Como alguém pode seguir ao lado de quem reforça discurso de morte, manda enfiar máscara onde nem vale evocar Freud frente ao bárbaro da coisa. A areia movediça tem, contudo, anjos de fazer tremer ao cândido ar de humanidade. Sem quere adentrar nos detalhes mais horripilantes da psicopatia travestida tomo como exemplo a imagem do Zé Gotinha pronto para matar. Quem?  Alguém pode dizer ser uma imagem de proteção? Mas qualquer comunicador sensato deve pesquisar sobre o grau de letalidade do elemento de “proteção”.  E o exemplo não está no gramado do Zé Gotinha convertido em Coriga. Basta uma busca recente sobre “luta” para se chegar em versões aterradoras. A verdade, a verdade, cala por total asfixia. Eu, que tenho por hábito buscar o lado bom da vida, confesso minha exaustão. A sexta-feira asfixiante de um país voltado para o jogo em que todos perdem. Sim, você que tenta asfixiar dia pós dia, pode ser chamado para real. Não se trata de desejar o mal. Posto que bomba é artefato de fabricação voltada para explosão. Quero não ser a pessoa capaz de responder secamente a perde uma única vida. A frieza mata ou deseja que “se morra”.

O jornalismo de moda sempre é mal compreendido. Trago uma revelação irrefutável. Uma camisa de viscose é uma camisa de viscose. Uma saia de seda será uma saia de seda. Uma bota de camurça será, mesmo quando se fala suede, vai ser uma derivação do veludo. Um lobby, ao contrário, pode ser chamado de ajuda humanitária, vocação para o poder. E dependendo do grau de engajamento, poderá ser chamado de milagre.  Se isso já é complexo, digamos, em dias normais. Imagine exercitar uma ode parcial quando morrem mais de 2 mil pessoas por dias. Lembram da mão do anjo da areia movediça?  O corte da manga da camisa é de fácil identificação. Mas a face obscura do anjo do anjo depende de princípios e valores. Ainda como comunicador, trago mais uma reflexão: o que é um grito abusivo no whatssap? Negligenciar seria o novo grito. Ah! Eu não respondi, mas não sabia que tratava-se de asfixia. Quem é brasileiro jogado ao ponto máximo de asfixia sabe. Sabe e sabe que tem de calar. Tem de morrer, sem ar. Tem morrer sem que saibam que levou a morte. Jornalismo é o registro. Eis o registro. Aqui está o registro. Querem nos matar. Na certeza que sobreviverão. Na certeza de dominam, corrompem,  narrativas. Tem certeza dos aliados torpes. Aqui ninguém crer mais em céu. Pois os que das coisas do céu fala bem sabe alinhar o credo.

Sexta-feira. Há dias pausei as atividades do projeto Ciclos e Tramas – Conexão Entre Mulheres Caiçaras e Ribeirinhas. É uma pausa sofrida, doida. Eu choro. Pois as histórias das comunidades invisíveis são muito delicadas, encantam. Eu falo sobre mulheres vivedoras da sustentabilidade. Dona Josa, além de usar materiais sustentáveis, mantém uma casa decorada por plantas expostas em garrafas pets reaproveitadas. Não, ela não fez para uma live. Não mesmo,  há quem não use das agruras para lacrar ou ferir quem não pode se defender. Não, ela não faz uso pois bem sabe da legitimidade da verdade. Dona Josa é um exemplo. Dona Ciça é outro. E a cada conexão a trama se mostra frágil. O bordado de junco ou sisal são saberes asfixiados. Mas elas, em suas comunidades, continuam. Não bancando heroínas. Pois heroínas são. O mais bonito  descobrir a inexistência de revanchismo ardiloso,  mesmo ao falar sobre perdas. Emociona saber que existe coração capaz ligada à rede  móvel nefasta da revanche. Eu agradeço muito a lição. Agradeço cada instante de resistência. Agradeço a Deus por me fazer mixado. Aberto ao desejo de uma vida melhor. Não para mim. Quem me conhece reconhecerá a elipse. Sim, elipse é uma figura de linguagem. Eclipse é uma sobreposição. O dia de hoje parece o fim do mundo. Sim, existe o inominável.  Deus permita usar meu trabalho em pauta capazes de fazer o dias melhores, pra você, #emcasa.  Prometo voltar escrever post mais animadinhos. Beijo de longe.

Ainda bem que Vânia Silva, uma potiguar vencedora que tive a sorte de contar história, me fez rir com o lacre certo brincar com Sabrina Sato e Dolce “cabana”.

 

Comentários do Facebook

Deixe um comentário