Coluna “Alta Roda”. Por Fernando Calmon

11 11Etc/GMT+3 julho 11Etc/GMT+3 2018 por fernandosiqueira

Rota difícil à frente

Destrinchar tudo o que o Governo Federal anunciou no último dia 5 sobre o programa Rota 2030 tomaria o espaço de
algumas destas colunas. Então a intenção é comentar certos pontos e, em especial, a validade de decisões que ainda
passarão pelo crivo do Congresso até novembro próximo, para se tornarem lei.
Primeiro, em um País com baixa cultura de planejamento e alto grau de imprevisibilidade, qualquer plano de 15 anos – dividido em três quinquênios – pode ser considerado conquista importante. Vários países incentivam P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) no próprio território. Pode ser feito de forma eficiente ou não, dependendo de como se monta estratégias. O Brasil cometeu erros no Inovar-Auto, mas também aprendeu como evitá-los.
O Rota 2030, de fato, atrasou seis meses por ser complexo e ter levado a um conflito entre ministérios (Indústria e Comércio e
Fazenda). Perdeu-se muito tempo em discussões se R$ 1,5 bilhão por ano de incentivos para P&D era um valor
incompatível com a atual penúria fiscal do País. Bem, o Brasil concede aproximadamente R$ 300 bilhões ao ano em subsídios
variados, inclusive à agricultura…
Para conseguir compensar aquele valor em P&D, o conjunto das fabricantes de veículos deve comprovar ter investido
montante 233% superior, ou seja, R$ 5 bilhões por ano no Brasil. Alternativa seria aplicar esse dinheiro no exterior e assim
criar empregos em outros lugares.
A indústria automotiva, na maioria dos países, é incentivada – ou até disputada como ocorreu com marcas japonesas
em Estados americanos – de forma clara ou velada, em razão da longa cadeia produtiva e da qualidade dos empregos.
Entretanto, no Brasil há uma situação curiosa. Essa indústria representa 4% do PIB do País, mas recolhe em torno de
10% dos impostos pertinentes: carga fiscal sobre automóveis é a maior do mundo.
As empresas de autopeças também receberão suporte fiscal para investir em tecnologia. Foram criados, ainda, incentivos
específicos ao conjunto da indústria para campos de atuação considerados estratégicos e que não podem mais ser
negligenciados. Entre eles, conectividade, carros autônomos, inteligência artificial e manufatura avançada.
Há vários pontos positivos no Rota 2030. Exige redução compulsória de consumo de combustível: ganho estimado de
11% a cada cinco anos. Nenhuma marca escapa, tendo ou não fábrica no Brasil. Foram criadas duas faixas de economia
adicional, com até 1% de desconto do IPI em cada etapa, para modelos, individualmente, que conseguirem superar o
mínimo. Isso ocorre porque a tecnologia fica mais cara para avançar em eficiência energética.
Automóveis nacionais e importados (especificamente da China) também terão um cronograma para melhorar
segurança passiva e ativa em prazos compatíveis para absorção de parte dos aumentos de custos. Ao longo dos 15 anos,
espera-se que o mercado cresça, para o aumento de produção gerar escala suficiente. Para tanto, é necessário alcançar o
patamar de 4.000.000 a 5.000.000 de unidades vendidas anualmente.
Em 2018, porém, as previsões estão menos otimistas. Com os problemas gerados pela greve dos caminhoneiros e o
estresse político, o crescimento de 15% ou mais vem sendo revisado. A Fenabrave (Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores) rebaixou os números mais otimistas esperados pelas concessionárias, enquanto a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores) desistiu de reestimar para cima o crescimento de vendas de 11%
sobre o ano de 2017.
Agora, se prevê que 2,5 milhões de veículos leves e pesados, ou algo muito pouco acima desse nível, ganharão as ruas
este ano. Rota difícil à frente.

ALTA RODA

HYUNDAI ainda não tem acerto final do plano de produtos até 2022. Depende de eventual acordo com Grupo CAOA
(talvez renovação do contrato de importações por prazo menor, a cada dois anos e não 10 anos) e da provável fábrica
na Argentina para picape compacta. Mas, segunda geração do HB20 poderá chegar em 2019, ao se completar o ciclo de
7 anos da primeira geração.
CHEVROLET Spin virou seu ciclo de vida de 6 anos com mudanças estilísticas que amenizam bastante sua forma
exageradamente rústica. Capô mais baixo (com 9 vincos), grade e faróis redesenhados, tampa e lanternas traseiras
em harmonia, além de rodas de 16 polegadas e a retirada (não era sem tempo) do estepe externo, deram equilíbrio ao
conjunto. Versão aventureira Activ passou a oferecer 7 lugares.
INTERIOR do Spin modelo 2019 também evoluiu. O banco intermediário, agora é corrediço e bipartido, que permite, não só melhorar o acesso à terceira fileira como flexibilizar a utilização entre mais espaço para as pernas dos passageiros e maior
volume de bagagem (até 756 litros). Novos bancos dianteiros e quadro de instrumentos refinaram a vida a bordo.
DIRIGIBILIDADE também melhorou no único monovolume tradicional que restou no mercado brasileiro, com presença
significativa (Fit vende mais, porém é meio-termo entre hatch e monovolume). Suspensão bem acertada e respostas mais
suaves do câmbio automático, completam a renovação do Spin. Preços vão de R$ 63.900,00 a R$ 83.490,00.
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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

 

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