Como é o dia a dia com um carro elétrico: quanto roda, onde recarregar, custo etc

13 13Etc/GMT+3 agosto 13Etc/GMT+3 2019 por fernandosiqueira

O Brasil ainda está dando os primeiros passos no que tange aos carro elétricos, infelizmente. Somos o País do ÁLCOOL combustível, embora com preço abusivo. Somente agora, as montadoras de automóveis estão envidando algum esforço para se colocarem na era do carro elétrico. Este ano, será marcado pelo lançamento de quatro veículos elétricos com preços abaixo de R$ 200.000,00. São eles: Renault ZOE e Nissan LEAF, que estão à venda em algumas concessionárias, bem assim GM BOLT e JAC iEV40, que estão em regime de pré-venda.

Além dos carros acima nominados, no segmento de luxo existem o BMW  i3, com preço entre R$ 206.000,00 e R$ 238.000,00, e o recém-lançado Jaguar I-PACE, que custa R$ 450.000,00.

Na prática, a oferta ainda é muito tímida e os automóveis, todos importados, têm preços muito altos, quando comparados a equivalentes a seus concorrentes a combustão. Aí advém a pergunta como é rodar com eles realmente? Colegas jornalistas de São Paulo passaram 5 dias com o Nissan LEAF e o GM BOLT, semelhantes em suas dimensões.

Durante o período, os carros foram usados para tarefas normais, como deslocamento entre casa e trabalho, além de uma viagem curta. E não foi tarefa muito fácil.

Os carros

Os veículos LEAF e BOLT são dois dos hatchs médios que estão disponíveis em nosso País. O carro da General Motors é oferecido em pré-venda por R$ 175.000,00, com entregas em outubro.

O modelo da japonesa Nissan esteve em pré-venda até o dia 18 de julho por R$ 178.400,00. Com a chegada às concessionárias, o preço foi majorado para R$ 195.000,00. A montadora afirma que o aumento é motivado pela a alta do dólar, bem como a inclusão do carregador caseiro (“wallbox”) e sua instalação.

Autonomia

Autonomia é item da maior relevância quando se fala de veículo elétrico. É equivalente ao consumo no carro tradicional. Ela indica quantos quilômetros o carro elétrico percorre até esgotar a bateria. Mas, mesmo com essas referências de medições oficiais, a autonomia varia muito. Assim como acontece com os dados de consumo de automóveis a combustão.

General Motors e Nissan informam a autonomia usando dois padrões diferentes de medição. Segundo o ciclo europeu (NEDC), onde a parte urbana predomina, o LEAF percorre 389 kms, enquanto o BOLT alcança 520 kms.

No padrão americano, chamado de EPA, onde a estrada predomina, a autonomia é mais baixa: 241 kms para o Nissan, contra 383 kms no GM.

Parâmetros como temperatura, uso do ar-condicionado e topografia podem fazer com que o motorista consiga rodar mais ou menos. O “peso” do pé do motorista também é outro fator que deve ser levado em consideração.

Ainda assim, na cidade, é possível rodar  e “esquecer” o número no quadro de instrumentos que indica quantos quilômetros restam.

Considerando que o brasileiro roda, em média, de 32 a 41 kms por dia, isso significa que a autonomia é suficiente para usar o carro durante praticamente uma semana.

Viajar

Depende do destino. E, ainda assim, a viagem ainda vai precisar de planejamento. Em tese, é possível, por exemplo, percorrer os 430 kms entre São Paulo e Rio de Janeiro com apenas uma parada para recarregar as baterias. Mas isso só pode acontecer porque há pontos de recarga espalhados pela Rodovia Presidente Dutra. Se o motorista quiser escolher outra estrada, poderá ser surpreendido com problemas.

Um jornalista foi e voltou de São Paulo a Campinas (SP). O percurso total foi de 200 kms, e não teve problema para o motorista. Ainda mais porque, naquele trecho, tanto a Rodovia dos Bandeirantes, quanto a Anhanguera, possue postos de recarga rápida.

O  Nissan LEAF saiu de São Paulo com 259 kms de autonomia e chegou a Campinas com 191 kms restantes. Ou seja, no percurso de 86 kms, foram consumidos 68 kms da autonomia.

Dependendo de como o condutor guia o carro, uma parada pode ser necessária para chegar ao destino com segurança. Com uma pausa de 40 minutos, a autonomia voltou a ser suficiente para seguir viagem sem preocupação.

O BOLT da GM fez o roteiro de forma mais tranquila. Ainda que tenha sido carregado em um posto no caminho de volta, sua autonomia garantiria um retorno sem maiores problemas.

Vale salientar, que em roteiros mais longos, o carro a combustão ainda é a opção mais segura para não correr o risco de ficar sem energia. Não que a autonomia dele seja maior: é que há mais postos de combustível do que locais para carregar o carro elétrico.

PARA RECARREGAR

Dentro de grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, até existem mais opções de carregadores, em sua maioria, espalhados em supermercados, shoppings e postos de combustível.

Segundo o site PlugShare, usado para catalogar pontos de recarga de carros elétricos, São Paulo possui 60 locais com essa finalidade. No Rio, há menos pontos.

O BOLT utiliza o chamado Type 2, o mesmo dos híbridos da BMW e da Volvo e do Jaguar I-Pace. É o padrão mais comuns dos carregadores brasileiros. O LEAF tem um tipo próprio, chamado Chademo. Segundo a Nissan, há apenas 3 pontos de recarga deste tipo em São Paulo.

Para contornar o incômodo, todos os veículos serão entregues com um adaptador do Chademo para o Type 2.

No prédio, em casa

Além dos pontos de recarga rápida, também é possível utilizar tomadas convencionais de 110V ou 220V. No entanto, no caso do LEAF, a instalação deve ser aterrada. E, ainda assim, a carga é bem mais demorada.

Outra alternativa é instalar um ponto de recarga na própria casa e perder a chance de poder recarregar o veículo de forma gratuita nos postos de locais públicos.

Os R$ 195.000,00 pedidos pela Nissan também incluem a instalação completa do carregador caseiro. A General Motors do Brasil ainda não definiu se irá vender o “wallbox”.

 

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