Graças às locadoras, vendas de carros para empresas são quase metade do total no ano

14 14Etc/GMT+3 fevereiro 14Etc/GMT+3 2020 por fernandosiqueira

 

 

carros-de-locadoras

Vendas de carros a locadoras aquecem o mercado automotivo. FOTO: divulgação.

A locação por médio e longo prazo, conhecida como “Carros por Assinatura”, contribuiu significativamente para o aquecimento do faturamento das locadoras e, consequentemente, também impulsionaram a indústria automotiva nacional nos últimos anos.

Os dados oficiais mostram a importância das chamadas vendas diretas, feitas pelas montadoras às empresas, locadoras ou não, que envolvem expressivos volumes por que os carros custam bem menos do que o consumidor paga os adquire em uma concessionária.

 As vendas diretas cresceram 70% em 4 anos, comparando os números de 2015 com os de 2019 divulgados pela Fenabrave (federação dos concessionários).

Na “crise” de 2015, elas representavam 29% do total de vendas do segmento automotivo no Brasil, bem aquém dos números das “concessionárias”, denominadas vendas no varejo. Em 2018, superaram pela primeira vez a marca de 1.000.000 de veículos. Este ano, são responsáveis por quase metade do “total” (46%). 

“Isso é um fenômeno mundial. Vem ao encontro do perfil do consumidor atual, que quer mais do que a propriedade. Ele quer escolhas”, afirmou Ricardo Bacellar, líder do setor automotivo da consultoria KPMG.

Segundo a ABLA (Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis), aproximadamente 20% das “vendas diretas” atualmente é para locadoras.

A Fenabrave não informa os números de venda direta separados por tipo de empresa. Afirma que, além das locadoras e frotistas, estão incluídas as vendas de veículos PCD (deficientes físicos), feitas pelas concessionárias.

Até quando essas vendas vão crescer?

São vendas de veículos voltados a portadores de deficiência, que também têm grandes descontos e cujo volume disparou nos últimos anos.

Para Bacellar, as “vendas diretas” ainda são uma forma de movimentar o mercado. No entanto, ele acredita que essa modalidade deve começar a se estabilizar. “Vai chegar uma hora em que o fôlego vai diminuir”, declarou o líder.

A Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores) , tem a mesma opinião, e entende que o percentual atingido no ano passado deve se manter a curto e médio prazos.

A hora dos aplicativos

Ainda de acordo com a ABLA, a frota das locadoras foi de 773.222, em 2014, para 826.331 veículos em 2018, um aumento de 6%.

No mesmo período, o faturamento dessas empresas, subiu 4%, passando de R$ 14,7 bilhões em 2014 para R$ 15,3 bilhões em 2018.

O crescimento aconteceu não só de OLHO no consumidor comum, mas com o “boom” dos aplicativos de transporte. No 1º semestre deste ano, as locadoras somam 829.723 veículos alugados e 150.000 estão nas mãos de motoristas de APPS (18%).

Segundo a agência Reuters, dois terços dos 600.000 motoristas do Uber no Brasil não possuem os veículos que dirigem. Esse número é um dos mais altos registrados pelo app em todo o mundo.

Em 2013, um ano antes do Uber chegar ao Brasil, apenas 6% das vendas do  Onix eram destinadas a empresas. Este ano, a fatia atinge 42%, considerando números de vendas até novembro de 2019.

Ainda de acordo com a Reuters, a Localiza saiu de um nível de compra de 2% dos veículos leves do Brasil em 2012 para 10% este ano. Os motoristas de APPS são o segmento que mais cresce para a empresa.

Giro rápido

A revenda de veículos usados pelas locadoras também explica o salto das vendas diretas. Segundo a Abla, 90.000 carros foram negociados com pessoas físicas em 2019.

O giro da frota é rápido: as empresas podem passar os veículos para frente a partir de 1 ano após eles serem incorporados à frota.

E as locadoras têm um trunfo diante das lojas comuns de seminovos e usados, visto que compram esses carros sem intermediários e em grande volume, conseguindo descontos de até 23%. Assim, conseguem atrair clientes com valores abaixo do mercado, um privilégio inadmissível no entender deste BLOG.

Os comentários estão desativados.