Indústria automotiva se prepara para retomada, mas em velocidade menor, diz Anfavea

25 25Etc/GMT+3 abril 25Etc/GMT+3 2020 por fernandosiqueira

 

Coronavírus fez faturamento do setor cair aproximadamente 80%, diz presidente da associação das montadoras. Quarenta e três unidades fabris estão paralizadas

 

fábrica da fiat em Betim (MG)

Fábrica de automóveis instalada no Brasil. FOTO: divulgação

Por Reuters

A indústria automotiva brasileira inicia preparativos para retomada de produção até junho próximo, mas em ritmo abaixo do normal, em consequência da queda “dramática” de vendas no segundo trimestre e volumes nos meses seguintes, provavelmente abaixo dos registrados no ano passado.

Luiz Carlos Moraes, presidente da ANFAVEA (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), afirmou ontem, dia 25 de abril, durante entrevista transmitida online, que o faturamento do setor caiu aproximadamente 80% com o impacto causado pelo Coronavírus  no mercado brasileiro.

Por conta disso, o setor está tomando medidas para proteger o “caixa”, o que o levará a rediscutir com o Governo Federal o cronograma de investimentos obrigatórios, como inclusão de itens de segurança nos veículos e cortes em emissões de poluentes.

“Hoje, temos aproximadamente 43 fábricas paradas…, com previsão de retorno a partir do final deste mês de abril, meados de maio e algumas em junho. Estamos nos preparando para o retorno, que será numa velocidade diferente e com um modelo de produção diferente por questões de segurança”, afirmou Morais, se referindo a medidas de proteção dos funcionários e limpeza das máquinas de produção contra possível contaminação pelo Coronavírus.

Por dia, 2,5 mil emplacamentos

Segundo o presidente da ANFAVEA, os emplacamentos no final de março foram de aproximadamente 1.400 carros por dia, número bem abaixo dos 10.000 veículos diários antes das medidas de quarentena adotadas pelos Estados brasileiros.

De lá para o início deste mês, os licenciamentos melhoraram, segundo Moraes, mas ainda seguem em nível muito menor que os verificados antes do Coronavírus, que foram de 2.500 por dia.

Além da queda na demanda, e do fechamento de concessionárias ocasionado pela crise, o presidente da ANFAVEA citou também problemas de burocracia de órgãos públicos que fazem os emplacamentos dos veículos.

“O Denatran precisa se reinventar. Por que não fazer licenciamento vitual?”, questionou Moraes, se referindo ao Departamento Nacional de Trânsito, responsável pelos registros dos emplacamentos dos carros nos DETRANS de todo o País.

“Este trimestre está muito difícil… Dependendo da crise da saúde, o terceiro trimestre pode ser melhor, mas vai ser substancialmente menor que o ano passado. Não tenho dúvida”, disse o presidente da ANFAVEA. Ele afirmou, porém, que caminhões pesados e extrapesados estão tendo melhor desempenho de vendas por conta da demanda de setores menos atingidos pelo Coronavírus, como o de produção de grãos.

Diante da necessidade de preservar caixa, Moraes afirmou que os planos de investimentos do setor estão congelados, mas admitiu que parte deles pode ser cancelado pelas matrizes das marcas. Ele não mencionou valores. “A prioridade agora é pagar o boleto do mês”, afirmou o executivo.

Questionado sobre eventual fechamento de unidades de produção após a passagem do Coronavírus, Moraes respondeu: “a indústria tem, agora, uma queda absurda do mercado interno, as exportações, que eram pequenas, ficaram menores ainda, com a Argentina em situação ainda pior. Temos mais problemas na América Latina…Vejo, sim, um problema difícil de ser solucionado”.

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