Ministério Público quer “recall” de 1.300.000 Onix montados desde 2012

15 15Etc/GMT+3 setembro 15Etc/GMT+3 2020 por fernandosiqueira

 

Em “Ação” conjunta impetrada contra a General Motors do Brasil, o Denatran e a União exigem o “recall” de todas as unidades do hatch compacto comercializadas desde o fim de 2012 em nosso País

 

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Onix pode abrir a porta traseira em uma colisão. FOTO: divulgação

Modelo líder de comercialização do mercado nacional desde 2015, o ONIX é alvo de um pedido de “recall” que pode envolver todas as unidades produzidas desde o final do ano 2012. O Ministério Público Federal e o Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG), além do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito)  e a UNIÃO, entraram com ação civil pública contra a General Motors do Brasil. Se o “recall” for deflagrado, o mesmo envolverá aproximadamente 1.300.000 unidades do hatch.

A ação é baseada no teste de colisão feito em maio de 2017 pelo Latin NCAP. O órgão independente afere a segurança dos carros na América Latina. Na ocasião, o ONIX “zerou” o crash-test. O hatch não obteve nenhuma estrela das 5 possíveis. Para reduzir os efeitos negativos da notícia, a a GM do Brasil reforçou o chassi do modelo.

Em janeiro de 2018, o Latin NCAP submeteu novamente o ONIX (e o sedã Prisma) a crash-test. Com chassi reforçado, os dois carros foram aprovados com 3 estrelas para a proteção de adultos e crianças. O Ford Ka produzido em Camaçari (BA) também teve resultado ruim em um crash-test feito em 2017. Um ano depois o modelo foi reforçado e conquistou, também, 3 estrelas em relação ao nível de segurança.

Porta traseira pode se abrir em colisão

A queda de braço entre MPF, MP/MG e GM está apenas no começo. Segundo informações da montadora todas as normas de segurança veicular exigidas no Brasil foram cumpridas. Essas regras são determinadas pelo CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) e pelo DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito). Mas as imagens do teste de colisão lateral do Latin NCAP jogam contra a General Motors do Brasil.

O principal elemento que comprovaria a baixa segurança do automóvel ONIX é a imagem das portas traseiras se abrindo após impacto na lateral do Onix. A nova Norma Brasileira de Ensaios de Impacto Lateral (ABNT NBR 16204-1) foi publicada em 2013. O problema é que só passou a valer em 1º de janeiro de 2018, quando a estrutura do carro havia sido reforçada. Ou seja: na prática, a GM está dentro da lei.

“A deficiência desse modelo é tão gritante, que, quando da realização do teste, sua porta traseira se abriu, comprovando o alto risco para seus ocupantes, especialmente crianças. Além disso, apuramos que o modelo comercializado no Brasil não cumpre a regulação de proteção contra impacto lateral básica das Nações Unidas (UN95), sendo que o modelo equivalente da GM vendido na Europa e nos Estados Unidos tem resultados muito melhores de segurança do que o disponibilizado em nosso País. Os testes demonstraram que o ONIX brasileiro não seria aprovado pela regulação da ONU, nem pela Norma Federal de Segurança Veicular dos Estados Unidos. Ou seja, ele sequer poderia ser vendido naqueles países”, afirma Cléber Eustáquio Neves, PROCURADOR DA REPÚBLICA.

Promotoria AFIRMA que GM sabia do problema

No documento divulgado pelo MPF, consta que a GM vendeu mais de 1.300.000 unidades do ONIX, do seu lançamento, no fim de 2012, até outubro de 2018. No período, teria lucrado, aproximadamente, R$ 8,3 bilhões anualmente. Em 2019, a performance se repetiu, com o ONIX ocupando, pelo QUINTO ano consecutivo, o posto de automóvel mais vendido no Brasil. Foram comercializadas 241.214 unidades, mais que o dobro do segundo colocado.

Para Fernando Martins, promotor de Justiça, a GM sabia da periculosidade que esses automóveis proporcionam aos seus proprietários. Por isso, inclusive, ela fez as alterações, para que fosse minimamente resistente a impactos laterais. Martins se refere justamente aos reforços estruturais que o ONIX recebeu após ser reprovado.

Um argumento favorável à montadora é que o ONIX foi aprovado pelo Latin NCAP no crash-test de dezembro de 2014. Na ocasião, o hatch conseguiu três estrelas para adultos e duas na proteção de crianças. Os protocolos não incluíam o impacto lateral nem a batida contra o poste, que são exigidos atualmente. O órgão costuma endurecer as provas a cada 4 anos.

 

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