Colaboradores da VW em SBC (SP) aprovam estabilidade por 5 anos e plano de demissão voluntária

16 16Etc/GMT+3 setembro 16Etc/GMT+3 2020 por fernandosiqueira

 

Mês passado, montadora afirmou que poderia demitir 35% de sua força de trabalho das 4 unidades industriais brasileiras. Unidades do interior de São Paulo e do Paraná ainda votarão acordo

 

 

Trabalhadores da Volkswagen aprovam acordo para manter empregos por 5 anos — Foto: Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

      Trabalhadores da Volkswagen aprovam acordo para manter empregos por 5 anos. FOTO: divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP)

Os colaboradores da Volkswagen do Brasil em São Bernardo do Campo (SP) (FOTO acima), no momento em que “aprovaram”, por unanimidade, ontem, dia 15 de setembro do ano em curso, a proposta feita pela montadora junto aos Sindicatos dos Metalúrgicos das cidades onde a empresa possui fábrica, a fim de alterar diversos pontos do acordo coletivo de trabalho.

A solução encontrada pelas partes garante emprego dos funcionários por 5 anos. A proposta original da Volkswagen, apresentada em meados do mês passado, tinha como “escopo” demitir 35% dos seus colaboradores no Brasil.

Além da estabilidade dos postos de trabalho, o plano contém diversos outros pontos, como a abertura de um PDV (Plano de Demissão Voluntária) com pagamento de até 20 salários a quem aderir.

Os colaboradores da unidade Anchieta em São Bernardo do Campo (SP), a maior e mais antiga da montadora no Brasil, foram os primeiros a aprovar o acordo. Hoje, dia 16 de setembro, devem ser publicados os resultados das Assembleias nas unidades fabris de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).

A votação na fábrica de motores de São Carlos (SP) está prevista para acontecer amanhã, dia 17 de setembro. Os sindicatos que representam os trabalhadores das três cidades afirmaram à imprensa, que estão confiantes na aprovação do acordo.

Abaixo, estão os principais pontos da proposta da Volkswagen do Brasil, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos

  • garantia de emprego por 5 anos aos trabalhadores;
  • abertura de um PDV com pagamento de até 20 salários a quem aderir;
  • fixação no valor da participação nos lucros da montadora em R$ 12.800,00 em 2020;
  • correção no valor da participação nos lucros da VW, de acordo com o INPC até 2024;
  • possibilidade de utilização do “layoff” até o limite de 10 meses;
  • teto salarial reduzido em 17,05% para os horistas admitidos a partir de 2021;
  • prorrogação, por 5 anos, das demais cláusulas trabalhistas do acordo coletivo que não foram tratadas na negociação deste ano.

Além das cláusulas do acordo coletivo, a Volkswagen do Brasil e os Sindicatos dos Metalúrgicos ainda acertaram algumas propostas relacionadas a possíveis novos produtos nas unidades fabris de São Bernardo e Taubaté (SP).

Uma das sugestões é garantir que um CARRO produzido em São Bernardo do Campo (SP) também possa ser montado no interior, mesmo sem estar utilizando a capacidade máxima em São Bernardo do Campo (SP). A contrapartida é que o volume de produção na primeira unidade fabril deverá ser maior que na segunda.

O outro ponto é a exclusividade na unidade de São Bernardo do Campo (SP) na produção da pick-up SAVEIRO e de uma possível sucessora da mesma.

Linha de produção da Saveiro na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, SP — Foto: Celso Tavares/G1

Linha de produção da pick-up SAVEIRO na unidade fabril da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP). FOTO: divulgação

Crise provocada pelo “coronavírus”

Em julho do corrente ano, Pablo Di Si, presidente da Volkswagen na América do Sul, afirmou que a montadora que dirige teria “fôlego para alguns meses” antes de pensar em demissões no Brasil.

Naquele momento, o executivo havia declarado que a empresa iria conversar com os Sindicatos para realizar a adequação da força de trabalho.

“Se não tivermos uma melhora (nas vendas), teremos que adequar as fábricas, sim, mas essa será uma conversa que primeiro teremos com os Sindicatos, no momento certo, ainda não tomamos uma decisão. E acho que vamos esperar mais um pouco para isso”, afirmou Di Si na época.

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