Você sabe para onde vai o “óleo lubrificante” após troca na oficina?

19 19Etc/GMT+3 fevereiro 19Etc/GMT+3 2021 por fernandosiqueira

 

Todos os anos, mais de 150.000.000 de litros desse tipo de resíduo não são coletados e destinados adequadamente

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Óleo lubrificante do motor de um carro sendo trocado. FOTO: divulgação

A população brasileira está cada vez preocupada com a sustentabilidade e consciente do impacto de seus hábitos de consumo. Pesquisa da Nielsen de 2020, por exemplo, mostrou que 42% dos consumidores está modificando seus comportamentos a fim de reduzir seus impactos ambientais. Mas será que essa preocupação com a sustentabilidade chega ao universo do automóvel?

Um dos resíduos de maior volume gerado pelo CARRO é o “óleo lubrificante”, que é trocado por tempo de uso ou por quilometragem. Considerado Perigoso Classe I, segundo a NBR-10004, o resíduo é a altamente poluente e, se destinado incorretamente, gera grandes danos à saúde e ao meio ambiente.

Um único litro de OLUC (Óleo Lubrificante Usado e Contaminado) é capaz de contaminar 1.000.000 de litros de água, segundo a AMBIOLUC, entidade que representa o setor. Além disso, para cada 10 litros de OLUC queimados são geradas 20 gramas de metais pesados, de acordo com dados da  CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

A legislação brasileira determina que todo OLUC deve ser coletado e destinado à “reciclagem”, através do RERREFINO, e proíbe, taxativamente, o uso do resíduo como combustível ou a queima para quaisquer fins.

“Apesar dos 500.000.000 de litros de óleo lubrificante usados ou contaminados que são coletados adequadamente, um volume próximo de 150.000.000 de litros é destinado, de forma inadequada, e não passa pelo processo legal de RERREFINO no Brasil. Uma fatia significativa desse volume coletado no País vem da indústria automotiva”, destaca Aylla Kipper, gerente de relações institucionais e sustentabilidade da Lwart Soluções Ambientais, uma das maiores indústrias do mundo no segmento de RERREFINO de óleo lubrificante usado.

Consumidor deve verificar qual é o destino do óleo lubrificante trocado

A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) é a responsável por regular e fiscalizar as atividades de coleta, transporte e RERREFINO do óleo lubrificante, além de punir os que descumprem as normas operacionais. A competência para fiscalizar aspectos ambientais é compartilhada entre IBAMA e órgãos integrantes do SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) esferas Estadual e Municipal. Entretanto, a baixa fiscalização, faz com que milhões de litros de óleo lubrificante usado sejam descartados irregularmente no meio ambiente ou queimados.

No meio da cadeia de óleo lubrificante, que conta com produtor, oficinas mecânicas, postos de gasolina e centros de troca de óleo (chamados de revendedores), até o coletor e o RERREFINADOR, o consumidor é um agente fundamental de fiscalização. Cabe a ele verificar com o revendedor, qual é o destino do óleo lubrificante usado retirado do seu automóvel e se o local possui as autorizações e licenças ambientais necessários, assim como se o coletor é devidamente autorizado pela ANP e, da mesma forma, possui as autorizações e licenças necessárias.

Como identificar se o centro de coleta de óleo lubrificante é legal?

 Segundo Aylla, o consumidor deve checar se o óleo lubrificante usado é separado em local apropriado após ser retirado do carro. “O consumidor também tem o direito de questionar qual é a destinação do resíduo, isto é, se o revendedor repassa para um coletor autorizado pela ANP ou se comercializa para qualquer outro agente. Ele também deve verificar se a oficina, posto ou centro de troca de óleo que ele frequenta tem o CCO (Certificado de Coletas de Óleo) que certificam que o OLUC gerado no estabelecimento foi destinado à empresa coletora autorizada pela ANP”, finaliza.  

O ciclo correto do óleo lubrificante usado

 

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