Crise dos semicondutores (chips) paralisa fábricas e atrasa lançamentos de veículos no Brasil

 

Automóveis ansiosamente aguardados, como os novos Citroën C3, Honda HR-V e Volkswagen Polo, ainda não foram apresentados ao mercado, em consequência da falta de “semicondutores” (chips). E o pior é que a crise não tem data para ser contida

O jornalista Vagner Aquino acaba de publicar um trabalho excelente sobre a atual crise dos famigerados CHIPS, que passamos a explicitar.

Esse tormento passou a atingir o universo automotivo em 2021, quando a vacinação contra o coronavírus ainda estava no início e a pandemia apresentava números inimagináveis. Mas, este ano, a crise dos semicondutores persiste e continua a contendo a produção de automóveis em todo o mundo. Em nosso País, algumas montadoras estão sendo muito atingidas com essa PRAGA.

Como consequência lógica, os lançamentos de automóveis estão atrasados, notadamente os mais esperados do ano, como os novos Honda HR-V, Volkswagen PoloChevrolet Bolt EV e Equinox, além do Citroën C3. Em março, do ano em curso, quando divulgou o início da produção do hatch à imprensa especializada, a marca francesa prometeu que o modelo estaria nas concessionárias autorizadas em abril. Deverá chegar  somente no próximo mês..

A realidade é que esse “inferno astral” atinge diretamente toda a indústria automotiva. Os semicondutores (chips), atualmente, são parte essencial dos automóveis. Eles estão por toda a arquitetura eletrônica do carro, e controlam motor, câmbio, módulos de airbags, multimídia, alarme etc. A BMW, por exemplo, optou por remover telas e outros equipamentos para conseguir entregar seus carros aos clientes. A Volkswagen fez o mesmo com T-Cross e outros modelos.

A General Motors, em 2021, ficou meses sem produzir o Onix, seu campeão de vendas, líder do nosso mercado. Resultado: o modelo despencou no ranking dos mais vendidos. Assim como ocorreu com as outras montadoras, a General Motors precisou paralisar a sua unidade fabril de Gravataí (RS) por um período maior que o previsto, um prejuízo incalculável.

Perspectivas

Com base na ASMI, fabricante holandesa de chips, o jornal Financial Times apontou recentemente que a crise dos chips vai persistir por mais dois anos. A pesquisa da consultoria GlobalData, por seu turno, afirma que as dificuldades no abastecimento podem perdurar até o ano 2023, a depender da região. Afinal, isso envolve políticas e estratégias.

Por enquanto, as montadoras de automóveis priorizam a adoção de chips (semicondutores) em CARROS que entregam maiores margens de lucro, como Utilitários Esportivos e pick-ups. Os mais antigos, por exemplo, que usam menos chips, perderam espaço na lista de prioridades.

 

chips

Pick-up TORO, sucesso de vendas da FIAT em todo o Brasil. Foto: divulgação

Segundo Lucas Mastromonico, operador de renda variável da B.Side Investimentos, a solução está mais perto do que se prevê. Para ele, a situação, que tinha apresentado sinais de melhora, voltará à estaca zero, mas deve ser retomada em alguns meses.

“Há poucas semanas, os casos de Covid-19 começaram a aumentar na China e, Pequim, com sua política (de Covid Zero), promoveu lockdowns em 20 cidades, afetando apresentando 200 milhões de pessoas”, explica Mastromonico. “Isso, portanto, afeta também o porto de Xangai, responsável por 30% das exportações chinesas. Ou seja, a crise deve ser amenizada depois de alguns meses, quando a China relaxar suas medidas”.

De Honda a Tesla

Também em consequência da “crise” dos chips (semicondutores), a Honda ainda não lançou o novo HR-V. O SUV  tem até hotsite brasileiro. Ele está confirmado por Atsushi Fujimoto, CEO da marca na América do Sul, mas o lançamento vai ocorrer somente em agosto próximo. De início,  a apresentação seria no primeiro trimestre deste ano.

 

chips
 

FOTO: Honda/Divulgação

 

O Honda HR-V (foto acima), que será produzido em Itirapina (SP), tem, entre outros destaques, grade frontal muito insinuante e amplo conteúdo tecnológico. O próprio Fujimoto disse que o novo HR-V “vai estabelecer uma nova referência no segmento”. Ou seja, quanto mais equipado, mais dependente é de semicondutores e, assim, fica explicado o atraso no lançamento. Afinal, a tendência é que as montadoras tenham um abastecimento irregular ou em menor quantidade dessas peças, o que impacta na produção.

A situação é tão “delicada”, que até mesmo a Tesla, que comemorava o fato de não ser afetada pela crise dos CHIPS (semicondutores), foi forçada a atrasar o lançamento de dois automóveis. Há um ano, a marca do bilionário Elon Musk alterou a data de lançamento de novas versões do sedã Model S e do SUV Model X. À época, a fabricante, que não tem assessoria de imprensa, não assumiu o problema e preferiu deixar de apresentar justificativas.

Como tudo começou

Meses depois do início da pandemia da Covid-19, em 2020, as indústrias automotivas e de tecnologia foram atingidas por uma crise sem precedentes. Após a paralisação das fábricas em todo o planeta, os semicondutores – ou chips – ficaram escassos. Isso não voltou ao normal até hoje.

E com esse excesso de demanda, o preço de tudo ficou mais alto, afetando o bolso da clientela. Nesse sentido, a fabricante paga mais caro para obter os semicondutores, bem como precisa arcar com a despesa da interrupção da produção. Assim, o preço da mercadoria sobe e, como sempre, quem paga o preço é o consumidor final. Isso, por fim, prejudica a retomada das vendas, que não vinham bem das pernas por causa da pandemia.

 E os agravantes não param por aí. De acordo com Mastromonico, “Outro ponto negativo está relacionado às exportações brasileiras de veículos, que também são relevantes. Sem contar o mercado de trabalho, que também poderá ser afetado com montadoras possivelmente dispensando funcionários”, pondera.

Tem saída?

Mesmo grandes potências, como Estados Unidos, Japão e os países europeus, estão na mesma situação do Brasil em relação a dependência de CHIPS (semicondutores) e, portanto, suscetíveis a crise. Isso é culpa da globalização. “Nesse sentido, não há saída a curto prazo para esse problema”, diz Mastromonico.

Por outro lado, o executivo explica que a solução para o Brasil se tornar menos dependente de componentes importados consiste em investir na indústria doméstica. “No entanto isso não ocorre porque há barreiras, como os altos custos de investimento”, esclarece.

 

produção
Foto: Stringer/Reuters

 

Há projeções de que a China concentrará 80% da produção mundial de semicondutores nos próximos anos. Afinal, a corrida por chips significa estar no topo do desenvolvimento tecnológico. Hoje, de acordo com a ABISEMI (Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores), 90% dos semicondutores no Brasil vem do exterior. Ou seja, os lançamentos vão continuar atrasando não só em nosso País, mas no mundo todo.

É preciso, portanto, DIFUNDIR a produção de CHIPS (SEMICONDUTORES) por toda a cadeia automotiva MUNDIAL.