Dados

O jornalismo de dados é uma das formas mais libertadoras da comunicação digital. É possível fazer reportagens inteiras com dados e análises sem ficar aguardando informações de ‘administradores públicos’. Mas ainda há três barreiras que impedem a ‘popularização’ desse modelo entre nós, jornalistas:

1 — Além de gostar de dados, é preciso aprender algumas técnicas de raspagens das informações disponíveis na internet.

DICA: Já fiz três cursos de Jornalismo de Dados e farei quantos outros aparecerem, porque as técnicas vão sendo aperfeiçoadas. É muito importante atualizar conhecimento nessa área. A Abraji está com pré-inscrição , a Knight Center sempre abre e esse blog aqui da Escola de Dados é sensacional . Vale muito a pena. Os cursos são bem baratos (já fiz cursos gratuitos e que custaram até 100 dólares). São online e com ótima didática. O custo benefício é sensacional. Além de técnicas de raspagem de dados, os cursos também orientam quais as melhores ferramentas para monitorar e apresentar as informações.

2 — Acreditem: apesar da Lei da Transparência muitos sites de instituições públicas ainda teimam em não disponibilizar os dados ou dificultam ao máximo essa raspagem.

Mas há técnicas que ensinam como superar esses obstáculos. Aqui mesmo no Estado (RN) ainda resistem. O da ALRN passou por reformulação completa, liberou bastante as informações sobre folha de pessoal, mas ainda há deficiências em outras áreas. O da Câmara Municipal de Natal tem muitos problemas em relação à folha de pessoal, assim como o do TJ e o do MPRN (esse último atualizou recentemente o site, mas a lista de funcionários é em PDF, o que dificulta a raspagem para análises e comparações). Mas a análise desses sites merece um texto específico que farei em breve.

3 — Falta interação entre jornalismo e tecnologia da informação, que pode ajudar muito na melhor apresentação de dados.

Nós, jornalistas, aprendemos facilmente a raspar e analisar dados, mas é preciso alguém bom em informática (com conhecimento em jornalismo) para trabalhar em parceria. Esses dois mundos ainda estão muito distantes, mas precisam começar a fazer parcerias.

DICAS:

No Brasil, considero o grupo do Estadão Dados como um dos mais competentes. É comandado por José Roberto Toledo que inclusive ministrou um dos cursos que fiz pela Knight Center. No Estadão, há esse blog sobre dados, mas os melhores trabalhos fazem parte de grandes reportagens.

É isso… espero que as dicas ajudem a vocês tanto quando ajudaram a mim! Confesso que sempre gostei muito de dados, mas me sentia uma estranha nas redações quando eu falava em números… quase ninguém entendia e eu não sabia explicar direito… e quando passei a estudar mais o assunto, um novo universo no jornalismo se abriu…

Abaixo, seguem links: fiz as raspagens e análises de dados que estão nessas reportagens.

– ALRN é a segunda com maior número de cargos comissionados e a terceira com maior número de servidores em geral.

– Comissionados da ALRN triplicam em cinco anos

– Folha da Câmara de Natal custa R$ 3,2 milhões

Achou interessante? Se sim, então compartilhe. Vamos distribuir informação e conhecimento!