Quer ser juiz? Quer mesmo?

24 de julho de 2012 por cenajuridica

Comentários 88

Hoje eu abro espaço em nossa Cena Jurídica para o objetivo, realista e sensato texto da Juíza Federal Carolina Malta.

QUER SER JUIZ? QUER MESMO?

Quer ser Juiz? Quer mesmo? Por que? Você tem vocação? O que exatamente faz um Juiz? Quanto trabalha? Quais são as peculiaridades da profissão? O que fazer para alcançá-la? Qual a razão da dificuldade do concurso?
O debate aqui é exclusivo sobre a motivação que induz alguém, em um determinado momento, a querer ser Juiz. A questão sempre me causou uma inquietação muito grande e certo desconforto porque vejo inúmeros candidatos a Juiz dirigirem-se a um estudo exaustivo para alcançarem esta profissão sem possuírem qualquer ideia, sequer vaga, das atribuições do cargo e sem analisarem a vocação.
É bom que se diga, de início, que o magistrado de hoje em dia dificilmente usa toga, exceto quando participa de sessões de julgamento nos Tribunais. Houve uma substancial mudança, ainda, na formalidade das sessões e audiências. Quem nunca viu, nos filmes americanos, todos se levantando para receberem o Juiz? Na prática, isso não existe!!!
A profissão tem pouco ou quase nada do “glamour” que a ela se atribui. A pessoa, então, ao decidir abraçar esta atividade deve estar atento, desde sempre, que a solenidade de antigamente hoje corresponde a uma atuação silenciosa e quase operária, visando à diminuição da quantidade de processos e à busca pela realização dos atos processuais da forma mais rápida possível, a despeito de inúmeras dificuldades estruturais. E tudo com uma forte cobrança social e também interna…
Para quem pensa que o trabalho do Juiz é feito por seus assessores, saibam que ser Juiz é estar abarrotado de processos quando o assessor invade sua sala com outras duas urgências. Você mantém o raciocínio para concluir a decisão que estava preparando quando é novamente interrompido porque existem advogados aguardando para falar com você. Após atender os advogados, você tenta retomar o raciocínio e aparece outra urgência. Neste momento, você é informado que todas as partes já chegaram e que as 05 (cinco) audiências marcadas para a tarde já podem começar. Além disso, existem mais de 10 (dez) minutas de sentenças na sua mesa para serem conferidas e uma centena de despachos. A atenção para cada sentença/decisão/despacho é que vai determinar o correto funcionamento da sua Vara e a manutenção da coerência dos seus posicionamentos. Nada deve passar despercebido. O erro não será perdoado!
Como já expôs Carnelutti, “nenhum homem, se pensasse no que ocorre para julgar um outro homem, aceitaria ser Juiz”.
Ninguém se torna um Juiz através do concurso. É você que deve investigar, de antemão, o quanto existe em você de ponderação, de equilíbrio, de compromisso com as questões relacionadas ao outro, de responsabilidade, de honestidade, entre tantas outras coisas.
A pessoa que pretende abraçar a magistratura pensando na remuneração logo quebrará a cara! Não vale à pena do ponto de vista financeiro, em virtude do tanto de dedicação que a atividade lhe vai exigir. Assim, a pessoa que pretende abraçar a magistratura pensando em não trabalhar também deve buscar outra atividade.
Quem pretender ser Juiz deve, primeiro, ter um processo pessoal na Justiça. Este é o primeiro passo! Deve sentir na própria pele o que é ser parte; o que é suportar os efeitos da demora de uma decisão; o que é receber uma sentença e demorar anos para executá-la; o que é ter seu direito negado através de uma sentença ou decisão padrão que não analisou corretamente o caso; o que é embargar desta decisão/sentença e receber, como resposta, que a pretensão é de mera rediscussão do julgamento; etc.
Só assim esta pessoa ingressará nos quadros na magistratura enxergando que: há pessoas atrás dos processos; que ela assumiu, antes de tudo, um compromisso de celeridade e respeito com o jurisdicionado; que ela irá trabalhar sem buscar o reconhecimento do Tribunal a que está submetido ou de quem quer que seja, porque o trabalho é voltado para alcançar a finalidade diuturna e simples de entregar a cada um o que é seu; que irá trabalhar dias e noites a fio para cumprir da melhor forma a sua profissão; que não sossegará enquanto tiver processos na estante, que representam pessoas aguardando uma resposta; que a resposta, ainda que negativa, deve ser rápida, para propiciar à parte a possibilidade de recorrer; que cada pedido de habilitação representa uma pessoa que morreu aguardando uma resposta do Judiciário; etc. etc. etc.
Aí eu pergunto: você está pronto para este compromisso?
Assumir a magistratura com qualquer outra finalidade, sobretudo com a finalidade nefasta de não trabalhar ou de fazer o mínimo, chega a ser criminoso. O Juiz relapso, acomodado, preguiçoso não sabe o mal que ele faz a todo jurisdicionado que tem a infelicidade de ter um processo em suas mãos. É este o Juiz que você pretende ser? É para isso que você pretende abraçar a magistratura? São questões que merecem profunda reflexão!
Por outro lado, todo o conhecimento cobrado no concurso é o que dará ao futuro Juiz ferramenta para trabalhar. Ninguém se aventura a proferir sentenças e conduzir audiências sem a preparação adequada. Logo ao entrar na audiência o Juiz poderá estar diante de um representante do Ministério Público e de um advogado devidamente preparados que lhe farão questionamentos para os quais você deve ter pronta resposta. É a preparação para o concurso que lhe dará as respostas.
Então, não desrespeite o processo de aprendizado inerente ao concurso, que será fundamental para a sua atuação profissional. Seja objetivo em sua preparação e otimize o seu estudo, mas não busque atalhos ou “bizus” que proponham a desnecessidade do estudo ou pouco empenho na interpretação das matérias, das leis, da jurisprudência…
O Juiz não deve ser um reprodutor de julgamentos proferidos anteriormente. É preciso que ele tenha conhecimento suficiente para criticar a interpretação dada anteriormente e avaliar se aquela é a melhor interpretação a ser conferida ao caso concreto. Apenas após este filtro interno é que o precedente pode ser aplicado ao caso e, posteriormente, já sem tanto esforço, aos casos idênticos, sem prejuízo das constantes reavaliações.
Por isso, não despreze a necessidade de “preparar-se” para assumir uma profissão como esta. Assuma, de logo, o compromisso de que, uma vez aprovado, será o melhor Juiz que puder, o mais rápido, o mais trabalhador, o mais comprometido com a seriedade da profissão.
Cabe lembrar a lição de Calamandrei: “O juiz é o direito feito homem. Só desse homem posso esperar, na vida prática, a tutela que em abstrato a lei me promete. Só se esse homem for capaz de pronunciar a meu favor a palavra da justiça, poderei perceber que o direito não é uma sombra vã”.
Então, quer ser Juiz? Quer mesmo? Assumirás este compromisso com o outro?
Fonte: http://rehabjuridico.blogspot.com.br/2012/06/quer-ser-juiz-quer-mesmo.html

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18 Comentários para “Quer ser juiz? Quer mesmo?”

  1. José Américo disse:

    Me perdoe, caro Paulo, mas a rotina sugerida pela Doutora Carolina Malta não corresponde à realidade prática dos magistrados, pelo menos em sua maioria, PRINCIPALMENTE da justiça federal.

    Quem lá já trabalhou e quem costuma atuar por lá, sabe bem disso. Os magistrados não chegam cedo – costumam chegar depois das 9 da manhã, no mínimo -, exceto quando tem audiência, não trabalham dia e noite – raríssimas vezes vi magistrados federais depois das 18h no Fórum, e a preocupação com o rigor das decisões fica a cargo de subordinados, que conferem linha por linha o que vai ser assinado.

    Concordo que a estrutura não é a ideal e tão pouco a quantidade de juízes e servidores. Porém, o que a Justiça faz para mudar isso? Pagam parcelas de retroativos – de forma administrativa – que estouram os orçamentos e inviabilizam as novas – e necessárias – contratações.

    A estrutura do Judiciário, feita para funcionar mal, não é combatida. Não há debate – ao menos público – e reconhecimento de culpa nesse sentido. Lembro que cabe ao próprio Poder Judiciário organizar o funcionamento dos seus serviços. Já viu greve de Juiz por criação de novos cargos, reformas nos Códigos Processuais e nos Regimentos de Tribunais e Leis de Organização Judiciária?

    Eu nunca vi, só vejo reclamarem do salário…e só reclamam porque tem servidor que ganha mais do que eles – o que é uma distorção absurda, porém, não combatida em tempo pelos próprios magistrados.

    Não compartilho do “sofrimento” dos magistrados. O sofrimento é do cidadão, da parte, como ela bem colocou, porque é penalizada pelos maus julgamentos, pela burocracia e formalismos inúteis que atravancam a resolução do processo. São prejuízos financeiros, pessoais e sociais. Para os advogados, então, costuma ser pior: está submetido às angústias e infelicidade da parte e precisa superá-las a espera do tão almejado resultado.

    Enquanto isso, o Juiz pode dormir seu sono dos anjos, embora, com certeza, muitos se preocupem com a conjuntura do seu local de trabalho e as implicações negativas para jurisdicionados e advogados, no entanto, nunca serão punidos ou forçados a atingir metas inalcançáveis. Ou você já viu algum Juiz punido por não julgar? É a independência do magistrado…

  2. JUNIOR CAMARA disse:

    Com este salário do judiciário eu quero se Juiz sim, uma, duas vezes, tres vezes………..

  3. livia C. Campello disse:

    O prezado José Américo falou muito e disse muito pouco: esqueceu de citar os inúmeros ‘fins-de-semana’ que a maioria dos juízes sacrificam para tentar dar andamento aos processos (e levar um mínimo de serviço útil a população, já que a estrutura do Poder Judiciário é deficiente na maioria das suas esferas), das férias não gozadas por acúmulo de serviço e falta de profissionais, dos problemas emocionais – e psicológicos – gerados pela cobrança diária das pessoas e de parte da imprensa que nada sabe sobre funcionamento de um Estado de Direito.
    Para contratar pessoal (incluindo aí, Juízes), é preciso dotação orçamentária e isso sempre é rejeitado pelo LEGISLATIVO ou vetado pelo EXECUTIVO.
    Sobre o formalismo inútil, este é ditado pelo Código de Processo Civil, tão ao agrado daqueles que ‘amam’ procrastinar um feito, jogando-o para as calendas gregas, através dos inúmeros recursos previstos em lei….
    E quanto às “parcelas de retroativos”, o próprio Sr. José Américo, se fosse juiz e a elas fizesse jus, certamente estaria brigando para recebê-las.
    Criticar é fácil…..
    Vamos ver se esse senhor, se um dia for juiz, manterá a ‘postura ética’ e ‘crítica’ que fez neste arrazoado cheio de meias-verdades…
    Livia

  4. Amaro disse:

    Para ganhar R$ 150.000,00 por mês como estão ganhando no RN, pode até dobrar esta carga de trabalho. Que aliais, duvido muito que seja assim.

  5. José Américo disse:

    Senhora Lívia, conhecendo a rotina do Judiciário, muitos sabem que poucos são os Juízes que, de fato, “sacrificam” fins de semana em prol do serviço público. Sim, são minoria e acredito que a senhora, se Magistrada for ou algo do tipo, bem sabe disso, pois a maioria dos magistrados, mesmo os que ficam de plantão, apenas esporadicamente é que dedicam os fins de semana ao batente, de forma efetiva e por obrigação da profissão.

    Ademais, Sra. Lívia, não quis propalar meias verdades, mas sim a impressão de quem está no cotidiano da advocacia há um certo tempo e de quem trabalha no serviço público, com contato diário com servidores, membros de Ministério Público e Julgadores.

    Alguns, de fato, são verdadeiros heróis do serviço público, mas, repito, trata-se de minoria extremamente produtiva e combativa, em contraposto a uma maioria que só se presta a fazer o básico, quando muito! Os exemplos, igualmente, não costumam sequer estar no topo da carreira, Sra. Lívia, mas no chão e no batente – são servidores, assessores e assistentes, que produzem feito logo para atender às pressões sobre os magistrados.

    Não se vê Juízes trabalhando o dia inteiro no Fórum, sabe-se lá por quais razões. Não se vê Juízes com boa vontade de entender os anseios do jurisdicionado e dos seus advogados. Não se vê Juízes fazendo greve para contratação de servidores, com o intuito de melhorar sua estrutura funcional, o que naturalmente desafogaria suas atribuições e faria o custo/benefício dos seus rendimento aumentar. Mas sempre quando se fala em paralisações tem-se por motivo os próprios salários. Curioso, não?

    Meia-verdade, Sra. Lívia, com todo o respeito, é dizer que o Executivo e o Legislativo barram as pretensões do Judiciário, quando se sabe que este Poder tem Orçamento e Finanças póprias, e, existindo disponibilidade orçamentária-financeira, é tudo uma questão de formalidade. Mas como sobrará disponibilidade orçamentária se pagam milhões de reais em valores retroativos (em muitos casos já prescritos) a uma categoria de agentes públicos? Assim falta dinheiro para a reclamada estrutura deficiente…e isso, convenhamos, não é uma meia verdade, é um fato.

    Quanto aos formalismos, Sra. Lívia, de fato, os Códigos e Leis processuais preveem alguns que são inúteis, mas, novamente convenhamos, a maioria dos formalismos decorre de Regimentos e Resoluções de Tribunais, a pretexto de regulamentar leis, quando não decorrem de construções jurisprudenciais e rotinas administrativas do órgão judicial, algumas construídas – curiosamente – em favor dos maiores litigantes no Judiciário. É piada corrente na advocacia que cada vara e/ou Comarca tem seu Código de Processo Civil e Penal.

    Poderiamos discutir até mais a fundo tal problemática, se ela é culpa dos advogados – que recorrem demais e procrastinam os feitos – ou dos magistrados – que admitem recursos incabíveis, não aplicam com rigor as multas por litigância de má fé e constroem jurisprudências absolutamente permissivas e excessivamente garantistas, porém, seria desvirtuar o debate.

    Concordo que há uma enorme pressão sobre os magistrados, mas muito concentrada e episódica, porém, fruto ainda da má gestão e da inadequada compreensão do Judiciário acerca do seu papel atual perante a sociedade, a mídia e a necessidade de transparência de suas condutas. Ora, vá explicar ao cidadão comum por qual motivo o Tribunal Superior ampara seu direito e o Juiz de Cabrobó entende que o mesmo direito não lhe assiste?

    Do mesmo modo, por que as políticas judiciárias se sobrepõem a interesses legítimos dos cidadãos, como, por exemplo, no excessivo indeferimento de pedidos de Justiça Gratuita e de ações repetivivas com teses consolidadas? Para fazer o cidadão desistir de procurar o Judiciário? Atrasar trâmites processuais e macular a carreira de advogados?

    A segurança jurídica no Brasil é vã filosofia e, garanto à Sra. Lívia Campelo, que a responsabilidade por isso não é dos advogados e dos jurisdicionados.

    Por fim, não sou e nem pretendo ser Magistrado.

    Abraço e pretendo abraçar ainda por muito tempo a advocacia, mesmo com a desvalorização absurda da profissão, culpa dos colegas e da OAB, em sua maior parte, além também dos mesmos fatores que os Juízes apontam em desprestígio de suas carreiras: falta de valorização profissional e remuneratória; dificuldades de estrutura e acesso ao Judiciário; enorme pressão por resultados; entre outros fatores MUITO mais exigentes e desgastantes do que a atividade no serviço público, em que, apesar de um Juiz demorar anos a sentenciar um processo, não será acusado jamais de prevaricar e terá em quem apontar a culpa: no próprio Judiciário; se o advogado perde um prazo, a quem culpará senão a si mesmo?

    Portanto, Sra. Lívia, espero ter dado razões suficientes para a senhora compreender os motivos da crítica de advogados e jurisdicionados ao Poder Judiciário, que é sim MUITO improdutivo, lento, conservador e está longe de entender – quiçá, atender – os anseios atuais da sociedade, devido a uma erstrutura arcaica e conservadora, assim consagrada pela inércia dos muitos que só querem saber do seu próprio salário, a despeito do mundo estar ruindo ao seu redor.

  6. Gustavo Ribas disse:

    Gostaria de conseguir generalizar toda uma classe de trabalhadores igual muitas pessoas conseguem o fazer nesse Brasil. É uma pena….

  7. Rodrigo disse:

    Faço minhas as palavras do colega José Américo.
    A parte mais fragilizada é jurisdicionado e seu causídico.

    Costumo dizer que o “ato atentatório ao direito do jurisdicionado” é o que falta a ser reconhecido, principalmente no ordenamento jurídico brasileiro. O desrespeito ao jurisdicionado é gritante.

    O texto sobre a carreira da magistratura, é comovente, quase fez uma lágrima rolar pelo meu rosto (ironia).
    A vida real, o dia a dia é bem diferente. Salvo honrosas exceções claro.

    O que há é muito conservadorismo, individualismo e indiferença.
    Marcas irrefutáveis do judiciário brasileiro.

  8. katia regina silva disse:

    Oii como que eu faço pra fazer o curso pra ser juiza???

  9. Jully Kezia disse:

    Eu quero ser Juiz sim, e vou ser umas das melhores se Deus quiser, vou colocar diante de Deus e seja oque ele quizer ! ……

  10. Nadia Moraes disse:

    Concordo com o depoimento da Juíza Carolina Mota, mesmo porque, já trabalhei no judiciário e tive a oportunidade de acompanhar o trabalho dos majistrados de perto. Cansei de saber, de ver, que juizes estavam desde cedo trabalhando nos processos ou levando processos para casa. Muito embora nos funcionários não percebam isso.
    O trabalho é realmente muito cansativo e exaustivo.
    Eu mesma tive que trabalhar junto a outros colegas bem antes do expediente devido ao excesso de trabalho e congestionamento de autos, no tocante, um juiz era pouco para a devida vara.
    Se o juiz da referida vara fosse cumprir o real horário das 12:00 as 18:00, não seria possível despachar a metade dos processos e, muito menos fazer audiências, que diga atender advogados sem contar com a entrada dos próprios funcionários sempre com dúvidas.
    Realmente é uma profissão desgastante e que exige muito conhecimento e muita paciência em ficar ouvindo todos os dias advogados e partes com diferentes situações. Haja raciocínio, haja cérebro, haja paciência e controle emocional, até porque, é sabido por todos que, juiz têm que estar disponível mesmo que ele esteja atolado de serviço, ele não pode deixar de atender aos funcionários do cartório e nem o público.
    Não contrariando o Sr. José Américo, no tocante, o setor o qual ele trabalhou, deveria estar cheio de juízes inoperantes.
    De tudo o que eu já vi e acompanhei acredito que, a tão cobiçada remuneração dos magistrados deveria ser o dobro no que tange a realidade interna dos trabalhos e das horas extras que o mesmo se atrbui a fazer para dá andamento aos processos.
    Sendo assim, se você está pretendendo abraçar a carreira pensando somente no subsídio, vai se decepcionar. Agora se pensa no mesmo e também gosta de trabalhar, é paciente, ama ver as prateleiras e mesa abarrotadas de processo e fazer muita hora extra sem remuneração compatível as horas extras, vai em frente. Vai valer muito a pena para o seu bolso, seu padrão de vida, e, o judiciário, os advogados, as partes vão ficar muito feliz com o seu desempenho.
    Precisamos de celeridade, de competentes e de muita ação.
    Quanto ao que, “não corresponde à realidade prática dos magistrados”, sempre será a minoria que faz com que a maioria passe por esse impasse – inoperantes e dos vidas boas.
    Se quem assim pensa, é porque daria tudo para estar nessa boa vida e daria tudo para ter um gabinete abarrotado de processo e ou, me chame de preguiçoso mas me deixe aqui, ou bem ou mal, estou fazendo o meu trabalho e o meu bolso está muito feliz.
    Sim, em absoluto há os preguiçosos, não obstante, os que trabalham com seriedade num desempenho para que os processos possam ter a celeridade necessária, predominam. São requisitados, têm seus merecimentos, etc.
    Eu prefiro ficar na escala dos operantes e pensar que todos estão fazendo o que eu usei muito em ver. E digo mais, morro de saudade do meu judiciário de toda aquela correria e vou fazer de tudo para abraçar esta carreira, infelizmente meus subsídios não corresponde com a carga horária de estudo que eu deveria ter para conseguir passar no tão almejado concurso. Ainda não, mas eu chego lá em breve com fé em Deus.
    Parabéns Doutora Juíza Federal Carolina Malta pelo seu gratificante depoimento e seu tão almejado trabalho.
    Deus abençõe a todos os concurseiros que almejam uma carreira jurídica seja por amor, potencial ou mesmo pelo bolso. O que importa é que, se chegou lá, foi porque fez por merecer chegar.
    “E o salário ó”. Beleza!
    “E o trabalho ó”. Riqueza!

  11. mazolalouve disse:

    Deixa de ser pessimista meu amigo. Pense positivo.

  12. Gilson claver disse:

    Sempre Gostei de ser um Juiz:Desde Pequeno quero ter essa chance” por isso que comecei me preocupar com os meus estudos judiciais.

  13. Meiry Aguiar disse:

    sei q é mto dificil ser juíz mais eu vou ser..com a minha fé, força de vontade,dedicação e as graças de DEUS eu vou chegar la eu vou consegui se DEUS quiser..essa é a profissão que eu quero ter e vou dedicar-me com tudo a isto. um abraço e dsejo uma boa sorte a todos aqueles que tambem lutam por isso.

  14. Idelbrando Jr. disse:

    Sinceramente, achei o texto lindo e comovente, pero totalmente utópico. Como vivenciei rotina em alguns tribunais do país e diferentes varas, comarcas e seções judiciárias nos meus 18 anos de serviço público tenho bagagem para ser categórico em afirmar que esses juízes comprometidos são MINORIA MÍNIMA. Isso é um fato, doa a quem doer esta afirmação. Os mais novos, os que pretendem ser promovidos, os pretendem mudar pra mais próximo da capital etc geralmente trabalham muito, pois correm atrás de números (ou seja, mais um processo julgado e não mais um bem da vida entregue a quem de direito). Já vi juiz despachar no recesso forense, em época de Natal e Ano Novo, para garantir que sua vara tivesse mais processos julgados do que o de outra vara cujo o juiz também pretendia ser removido. Não era porque esperava prestar a tutela jurisdicional efetiva e tempestivamente. Já vi processo ser extinto sem julgamento de mérito pelas mais variadas razões não contempladas na lei. Já vi exigências descabidas para provocar arquivamento de autos e declínios de competência infundados (isso em grande quantidade!!!) para esvaziar a estatística de processo. Já vi Juízes assinarem as mais diversas sentenças elaboradas por assessores e estagiários sem nenhuma leitura prévia, mesmo que repercussão financeira, moral ou até em relação ao direito à liberdade. Já vi outras coisas que tenho até vergonha de escrever aqui. O ideal de juiz é o que está descrito no texto da Dra. Carolina, mas, a vida… ah a vida!!!! ela faz a gente acordar!!!!!!

  15. Ana Paula F. disse:

    Primeiramente Sr.José Américo você está totalmente enganado em julgar os juízes como um todo geral ,nem todos são iguais,não quer dizer que um é “boa vida” que todos outros serão.Dizendo minha opinião,afirmo que muitos seguem essa carreira por amor,orgulho e principalmente esforço e dedicação.Atualmente estou formando e vejo o quão é corrido e dificultosa essa carreira.Mal me pergunte mais o Sr por acaso já é formado,casualmente já deve ter ouvido na mídia que muitos juízes são ameaçados por causa de meros processos e julgamentos,você simplesmente não deve ter noção do que é ter uma mesa empilhada de processos para solucionar,sendo que ao mesmo tempo tendo que atender advogados o dia todo juntamente também com a população.Agora convenhamos imagine uma juíza,casada,mãe de família,tendo que repartir deveres de casa,família,escola,trabalho,segurança e principalmente emocional,será que isso não é dedicação?!Percebo que essa profissão necessita bastante de tempo, profissionalismo real,capacitação e principalmente dedicação.Claro que “alguns” de fato tiram proveito da situação,do salário e não cumprem devidamente seus deveres mediante á sociedade,mais isso é acaso…”Não podemos julgar um erro e condenar o mundo” ,em partes eu concordo sim que muitos pensam primeiramente no salário,mais afirmo novamente que essa profissão é sim merecedora de muito ,porque além de ter que estudar por longos anos se capacitando cada vez e vivendo apenas pensando em concursos,sendo que acima de tudo ainda acaba-se correndo riscos,sendo ameaçados,isso em geral afeta o emocional da pessoa,mais justamente por isso que deve haver preparamento em geral…Mais finalizo dizendo que pra ser juíz(a)primeiramente deve existir amor,dedicação e paciência pela profissão e o “resto” vem depois…Espero ter sido clara!

  16. nayara disse:

    eu quero ser uma juiza federal mas como eu tou no primeiro ano do ensino medió como eu fasso pra comerçar…..

  17. Valeria disse:

    Esse artigo e p desistir ou p encorajar….preferi nem ler!

  18. Ricardo Melo disse:

    Como sou um pessimista concordo com José Américo, mas essa crítica não se restringe apenas aos juízes, e sim a todo funcionalismo público ! e a classe política então nem se fala

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