Em um mundo cada vez mais digital, será que as crianças ainda precisam aprender a escrever à mão? Sim ou com certeza?

Em um artigo recente publicado no “Journal of Early Childhood Literacy”, a professora de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, Laura Dinehart, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico e chegou a algumas conclusões. Crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores. Já as que têm dificuldades com a escrita costumam pensar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, tirando o foco do conteúdo que precisa ser absorvido, resultando em baixo desempenho escolar.

“Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas. Isso influencia não só na letra bonita mas há uma série de reflexos em todo o processo cognitivo do indivíduo”, diz a professora.

Laura Dinehart afirma também que diante dos resultados iniciais, mais pesquisas serão necessárias para avaliar a melhor forma de estimular essa escrita nos anos pré-escolares e também quais as estratégias para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

Além do estudo de Laura Dinehart, um outro artigo, publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, demonstra como a linguagem oral e escrita se relaciona com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como o planejamento, por exemplo).  E tanto entre crianças com dificuldades de aprendizagem quanto nas sem dificuldades, as que escrevem à mão demonstram uma melhor organização de pensamento e facilidade no planejamento e execução de tarefas pedagógicas.

Por mais digital que seja o mundo hoje, os aprendizados tradicionais não podem ser substituídos sob pena de prejuízos gigantescos para toda a percepção de mundo dos pequenos.