Cada vez mais cedo as famílias têm se preocupado com o rendimento escolar dos pequenos. A preocupação começa já na educação infantil, no período que antecede a alfabetização, e muitas vezes segue até o ensino médio. Mas afinal, quando é realmente necessário contratar um apoio pedagógico extra-escolar?

Eu conversei com a pedagoga especialista em Educação Infantil, Ramona Souza, e a professora Daniele Miranda, que faz acompanhamento pedagógico, e ambas têm o mesmo pensamento: o reforço é uma ferramenta importante mas precisa ser desenvolvido de forma individualizada, levando em consideração o perfil de cada criança. “Não basta ocupar o tempo dela e colocá-la em uma sala com mais 4 ou 5 estudantes para ter mais uma aula. Definitivamente, não é assim que se consegue bons resultados”, diz Ramona Souza, que também é coordenadora pedagógica de uma escola de Educação Infantil.

Por que? Quando? Como?
Os principais fatores que levam pais a buscarem um apoio pedagógico – o tradicional “reforço escolar” – é a falta de tempo para acompanhar a rotina escolar e o aparecimento das primeiras dificuldades no decorrer do processo de aprendizagem.

“As escolas, cada vez mais cedo, estão diagnosticando essas dificuldades e sinalizando aos pais a necessidade desse apoio pedagógico”, diz a pedagoga. A idade para começar também é uma dúvida comum. Tanto pode ser aos 4, como pode ser aos 10. Vai depender da necessidade dessa criança. “Se há, de fato uma dificuldade, quanto mais cedo for trabalhada, melhor e mais produtivo será esse processo”.

Daniele Miranda lembra também que o profissional deve ser um aliado e não pode preencher o espaço do professor de sala de aula. “É importante alinhar os pontos para potencializar essa aprendizagem e de um modo que a criança não fique confusa”, diz.

Prejuízos ou benefícios?
Entre os pais há também o temor de que colocar o filho no reforço poderia acabar “cansando” ou “estressando” a criança por ser mais uma atividade na rotina. Mas as duas especialistas esclarecem que tudo vai depender da forma como esse conteúdo é repassado para a criança. Daniele Miranda conta que é importante que as aulas não se restrinjam a papel e lápis. “As crianças precisam de estímulos novos e diferentes para aguçar a curiosidade. Aí entram os jogos, músicas, brincadeiras, contação de histórias, atividades com cola, tintas, recortes, desenhos… Com a utilização desses recursos, as possibilidades de sucesso são bem maiores”, diz.

Esse tipo de acompanhamento é um facilitador da aprendizagem porque o conteúdo é repassado de forma lúdica, já nos acompanhamentos tradicionais – com a repetição de atividades em folha e o professora na frente de um quadro ministrando o conteúdo – são mais engessados e o risco de estresse e rejeição são maiores. “Pode acabar trazendo mais prejuízos do que benefícios”, ressalta Ramona Souza.

Acompanhamento individualizado
As profissionais fazem uma ressalva importante: o acompanhamento precisa ser feito de forma personalizada, de acordo com o perfil e as necessidades de cada estudante. É importante que o professor compreenda a melhor forma que a criança absorve os conteúdos e usar essa forma. E a partir daí, também é importante ir também para as atividades concretas.

Emocional
Ramona lembra ainda que é importante olhar também para a dimensão emocional dessa criança. “As vezes não é só uma pedagoga que pode ajudar, precisa de uma equipe multiprofissional porque o processo de aprendizagem não envolve somente questões pedagógicas. Pode ser necessário um trabalho conjunto com psicóloga, terapeuta ocupacional ou fonoaudióloga que ajude nesse processo”.

O papel dos pais
Sozinha, a professora não dá conta. Mesmo quando há o acompanhamento multidisciplinar, se a família não estiver participando e inserida em todo o processo, o acompanhamento não vai render quanto poderia. Estar junto, apoiando e acreditar nessa criança, é a melhor forma de se conseguir êxito, afirma Ramona. Outro ponto destacado por ela é a confiança que os pais precisam ter no filho. “A criança faz leitura dos nossos olhos sobre ela, então acreditar no seu potencial é fundamental para que qualquer atividade seja bem desenvolvida”, diz Ramona Souza.