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A importância da rotina para crianças de todas as idades

Sempre que vejo uma criança calma, pouco trabalhosa e segura, instantaneamente já penso: com certeza ela tem uma rotina estabelecida. E o contrário quase sempre também é verdadeiro.
Quem me conhece sabe que eu sou quase “a louca da organização”, mas desde que tive filhos consigo ver que criar uma rotina em casa é quase fundamental para a garantia da sanidade mental das mães – e dos pequenos. Isso acontece porque nenhuma criança fica confortável em uma situação em que não sabe o que esperar. Eles ainda não estão emocionalmente preparados para isso. A rotina dá uma sensação de segurança. Saber o que ele vai fazer, onde ele vai estar, dá um ordenamento psíquico que deixa essa criança livre para se desenvolver nas diversas áreas sem a preocupação sobre ‘o que virá depois’?

“É preciso rodear as crianças de um mundo seguro que as permita explorar a simples inquietude do descobrimento”, explica a psicóloga Bianca Lins, que conversou com o EED sobre o assunto. Só assim, elas serão capazes de conhecer e desenvolver suas habilidades graças à estabilidade que os hábitos e a vida transmitem.

A partir de que idade posso começar a estabelecer uma rotina para meu filho?
Já nas primeiras semanas. A hora das brincadeiras, do banho de sol, do banho antes de dormir, o hábito de vestir o pijama… Tudo isso já pode ser entendido com uma rotina mesmo para os bebezinhos menores. A medida que a criança vai crescendo outras demandas e atividades vão aparecendo, mas Bianca Lins faz um alerta. “Não é porque o seu filho está crescendo que ele vai perder essa necessidade de segurança e rotina. Estabelecer horário para as refeições, continuidade de atividades extra-escolares, hora para acordar e dormir, hora de brincar e de estar em casa… Tudo isso é fundamental para garantir a estabilidade emocional das crianças, mesmo as maiores”, diz a psicóloga.

E quando a família não tem rotina?
Claro que uma pessoa que tem a vida naturalmente caótica pode ter mais dificuldades de estabelecer rotinas e programações dentro de casa, mas sempre é possível fazer um pouquinho. Melhorar hábitos, organizar, programar aqui e ali de modo que toda a família possa ter ganhos. E é possível oferecer regularidade e constância para os mais jovens sem ter uma vida engessada. “Imprevistos podem acontecer, mas não ocorrem todos os dias. É importante que as crianças se acostumem a uma organização mínima, com horários e atividades, porque isso se reflete diretamente no seu equilíbrio emocional, na sua tranquilidade e até no aprendizado”, explica Bianca Lins.

Por fim…
Agora vamos fazer um exercício. Pare e pense nas crianças mais “mal comportadas” que você conhece. Avalie a rotina dela. Há constância? Há segurança? Há estabilidade?
O que você quer para o seu filho?
Vamos refletir?

DicasPsicologia

Como nutrir a saúde mental do seu filho

Mais uma listinha de coisas que você pode fazer pelo bem do seu filho. Não precisa fazer tudo de uma vez, mas é importante ir treinando e melhorando um pouquinho a cada dia.

Escute-o ativamente, antes de dar seu conselho. (E se ele for pequeno, se abaixe e fique na altura dele);

Seja paciente;

Conte a verdade, mas de uma forma que ele possa entender;

Compartilhe os seus sentimentos (sempre!) e valide os dele;

Reserve um tempo para ficar com ele;

Limite as atividades com telas e eletrônicos;

Reconheça e elogie sempre que ele fizer algo positivo;

Controle suas emoções e reaja calmamente – mesmo quando você estiver exaltado;

Vá até ele e o abrace;

Diga que o ama. E repita sempre ate que você tenha a certeza que ele sabe que é amado. Sentir-se amado pode fazer os maiores milagres na vida futura de uma criança, acreditem!

Psicologia

Como lidar com o medo infantil

Você conhece alguma criança que nunca sentiu medo? De inseto, do escuro, de monstros ou de estranhos? Não? Nem eu.

Apesar de ser um sentimento corriqueiro, nem sempre os pais sabem lidar corretamente com o medo de seus filhos. Principalmente porque boa parte desses temores tem origem na imaginação das crianças. Mas, afinal, como saber se esse medo é normal ou exagerado?

A psicóloga Carolina Macedo explica que na maioria das vezes o medo pode estar relacionado com os estímulos que a criança recebe – histórias de terror, filmes e desenhos assustadores, por exemplo. Mas o sentimento nem sempre é algo ruim. Ele faz parte do amadurecimento da criança e acaba sendo uma forma que ela encontra de, gradativamente, ir separando o mundo real do imaginário.

A psicóloga orienta os pais a observarem o comportamento da criança, analisando se suas atividades estão sendo realizadas normalmente, apesar do medo, sempre conversar a respeito, mas nunca ridicularizar o que a criança está sentindo. “É muito importante que o cuidador valide o relato da criança, mostre que entende, que acredita, porque só assim ela se sentirá segura para externalizar esse sentimento”, diz Carolina Macêdo. Quando a criança já estiver mais calma e segura, começa a segunda etapa do processo que é o diálogo mostrando que aquele medo pode ser ultrapassado e que aquele monstro não é tão assustador quanto ela imaginava.

É importante ter uma ajuda especializada no caso em que os medos estão impedindo a criança de realizar atividades corriqueiras ou quando a insegurança se torna excessiva, impedindo que a criança se desenvolva socialmente de forma plena. “Aí entra o olhar atento dos pais perceber essas mudanças no comportamento. Se aparece algo que não é habitual, excessivo, seja gradual ou repentino, é importante saber que ela está sinalizando algo. E aí precisamos refletir que medos são esses, quando aparecem, decorrentes de que, e se os pais não estiverem conseguindo lidar com isso, é o caso de procurar um apoio  profissional”, afirma Carolina Macêdo.

medo

 

Os medos mais comuns de acordo com a idade:

De 0 a 5 meses – O bebê se assusta com barulhos altos e abruptos;
De 6 meses a 1 ano – Aparece o medo de pessoas estranhas, coisas e situações desconhecidas;
Entre 2 e 3 anos – Medo de animais, bichos e insetos; O medo do escuro geralmente aparece nesta fase e pode se estender por vários anos e se relacionar a outros tipos de temores.
Entre 4 e 5 anos – No período pré-escolar, aumenta o medo de animais que mordem e, mais tarde, dos animais que parecem muito poderosos. Muitos temores infantis dessa idade estão relacionados a possíveis danos que a criança possa sofrer como afogamento, queimaduras ou acidentes que provoquem dor física;
Entre 6 e 7 anos – Quando a criança se torna capaz de assimilar o passado e imaginar o futuro, seus medos passam a ser formulados em forma de perigos remotos ou imaginários – monstros, vampiros;
A partir dos 8 anos – Aí surge a fobia da morte. Nessa fase, o temor principal é o da morte da mãe, porque isso se apresenta como uma separação ou um abandono.