Todos, ao menos os que tem juízo suficiente, sabem que o Covid-19 é um inimigo poderoso e que temos de tomar todos os cuidados para evitar um colapso ainda maior do nosso cambaleante sistema de saúde. No entanto, em alguns casos, a realidade nua e crua parece estar se impondo ao medo da doença. O futebol mostra sinais disso e, na minha opinião, esse esporte pode mostrar à sociedade, como voltar a funcionar dentro de padrões seguros e preservando a saúde de todos. Uma pesquisa realizada pela FENAPAF (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), que ouviu 734 jogadores de todo o Brasil aponta que 68% se disseram a favor, 32% responderam ser contra o retorno imediato do futebol. Mas não são esses números que apontam para a realidade dura que citei anteriormente. Ao dissecar a pesquisa, os números apontam que, entre jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro esse percentual é de 55% pela volta e 45% contra. Já entre atletas da Série D, onde estão ABC, América, Globo e Potiguar/M o resultado é 85% pela volta e apenas 15% contra. Ou seja, a pressão pelo retorno a qualquer custo vem dos que ganham menos, dos que tiveram os salários cortados ou que temem ficar sem emprego caso o Campeonato Brasileiro não se realize.

A dura realidade 1

A pesquisa da FENAPAF aponta ainda que entre os atletas das séries B e C os números se aproximam mais da realidade da Série D. Nesse caso são 74% de favoráveis e 26% de contrários. Isso mostra que apenas a Série A vive uma espécie de ilha de salários melhores e de riscos menores de perdas contratuais. Que apenas 20 clubes e, talvez uns poucos, entre essas duas dezenas, sejam felizardos. Os demais encaram a dura realidade de um país extremamente desigual em todos os setores. O futebol, que faz parte dessa organização social não é diferente. Números apontam que cerca de 90% dos jogadores brasileiros ganham entre um a dois salários mínimos. Apenas 10% vivem um pouco melhor e cerca de 2 a 3% têm salários dignos de serem chamados de ricos.

A dura realidade 2

Pois é nesse cenário, que representa com rara fidelidade, o que acontece nos outros setores da sociedade brasileira, que um bom exemplo de civilidade e bom funcionamento pode surgir. A Confederação Brasileira de Futebol pode comandar um processo de retorno sob regras sólidas, civilizadas, sustentáveis e que sejam capazes de serem cumpridas por todos só clubes das quatro séries. A entidade pode comandar uma grande venda de transmissões que incluam a Série D, redistribuindo ganhos. De lá também deve partir um protocolo unificado para treinos e jogos. Por fim, a entidade pode servir com uma grande fiadora dos clubes junto aos bancos, na busca por financiamentos. Fica muito mais fácil uma instituição financeira atender aos apelos da bilionária CBF, do que aos pedidos de Abc ou América. Agindo assim, de forma organizada, o futebol pode ser exemplo para outros setores e quem sabe assim tenhamos ganhos maiores do que a simples volta da bola rolando.

Sudeste

E para quem acha que a desigualdade não se reproduz em todos os lugares, vejam só os números registrados por outra pesquisa. Dessa vez, foi a Pluri Consultoria que foi em busca dos números. O que poderíamos esperar da região que concentra boa parte dos clubes mais tradicionais do país? Campeonatos estaduais mais estruturados para todos que o disputam? Calendário com datas que não sacrifiquem a maior parte do ano das equipes menores? Pois, não é o que encontramos quando nos debruçamos sobre a estrutura do futebol na região. São Paulo, apesar de ser o estado com mais clubes profissionais, também é aquele com maior potencial desperdiçado, afinal foram 40 cidades com mais de 100.000 habitantes que não contaram com clubes disputando competições profissionais em 2019. O Rio de Janeiro, apesar de vir logo atrás, com seus 66 clubes, é apenas o 8º no ranking nacional de utilização do calendário. Os clubes cariocas atuam, em média, pouco mais de 4 meses do ano. Em Minas Gerais o potencial também é imenso, pois o estado é apenas o 15º que mais utiliza o calendário, enquanto o Espírito Santo deixa ainda mais a desejar com apenas dois clubes disputando alguma divisão nacional. O Raio X do futebol do Sudeste confirma o imenso potencial desperdiçado na região que, assim como nos outros cantos do país, os clubes grandes jogam muito, e o pequenos quase não jogam.

Redes sociais

O surfe do Brasil reinou entre os TOP 10 da Nielsen Sports: Gabriel Medina é o 6º no ranking semanal, principal fornecedor de análises e perspectivas no domínio da indústria do desporto. Com isso, o bicampeão do Circuito Mundial de Surfe (Championship Tour – CT), promovido pela World Surf League – WSL, se torna o único brasileiro nessa classificação que avalia o engajamento de atletas de todas as modalidades em redes sociais. O ranking traz, entre os 10 melhores, também 8 atletas da UFC – Ultimate Fighting Championship e do WWE- World Wrestling Entertainment e um da NBA (National Basketball Association),Giannis Antetokounmpo, na 2ª posição. A Nielsen Sports mede o engajamento nas mídias sociais pela quantidade de interação dos usuários de certa plataforma com uma página ou perfil. No caso dos atletas, se considera o nível de envolvimento, interação e influência que cada um tem com seus seguidores em suas contas.

Comentários do Site

  1. Abadon, o sicário.
    Responder

    Queda de braço bonita está se desenhando no Rio de Janeiro.
    A CBF, que está matando cachorro á grito e parecendo um sirí numa lata doida pelo retorno do futebol, após ter levado um bom puxavante de orelha prá ficar quietinha e ouvir a voz da saúde, parece que vai mudar de tática e por intermédio do governo do rio, elegeu o Flamengo como testa de ferro.
    O urubú da gávea, que atualmente manda e desmanda no futebol brasileiro em todos os quesitos, está tendo um prejuízo doido com a parada. Se juntou ao Vasco (que está falido com um pires na mão) e com os clubes pequenos que, lá como aqui no RN, também só servem pra fazer número, levar porrada e roubar um pontinho aqui outro alí de algum clube grande que estiver em crise, e passando por cima da realidade pandêmica que assola a cidade maravilhosa querem por fina força voltar com o campeonato carioca em 14 de junho !!!!
    Logo no rio, segundo maior reduto de coronavírus do país e em vias de lockdown !!
    Somente Botafogo e Fluminense não se curvaram a essa proposta insana e mantém uma postura consciente ouvindo a voz da razão.
    O Flamengo mostrou que quer briga pois voltou a treinar em campo mesmo sem a autorização da prefeitura mostrando que os próximos quinze dias serão de um duelo por enquanto, fora de campo.
    È…
    Assim como os 7 x 1 pouco ensinaram ao futebol brasileiro no sentido de repensar suas premissas, parece que a tragédia dos garotos no ninho do urubú não ensinaram porra nenhuma ao Flamengo…

Deixe um comentário