É ponto pacífico que a educação e o esporte caminham de mãos dadas. As lições aprendidas com a prática esportiva são fundamentais para a socialização das nossas crianças na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e saudável. Apesar disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, da última pesquisa relativa ao Censo Escolar em 2017, apontam que as escolas públicas municipais do País não têm estrutura adequada para a prática de esportes. Em 27% das cidades brasileiras os estabelecimentos de ensino têm campo de futebol, ginásio, piscina ou pista de atletismo. Nem mesmo a Olimpíada do Rio de Janeiro foi capaz de mudar essa realidade. Em 2016 havia apenas 43 pistas de atletismo em escolas públicas e 265 piscinas. Ao todo, o País tem 4.190 instalações esportivas em 3.971 escolas municipais. Pouco mudou de lá para cá.

Uma das grandes vitórias dos educadores físicos foi a inserção da disciplina na Base Nacional Comum Curricular, que é um documento lançado pelo Ministério da Educação, que define as aprendizagens essenciais que os alunos brasileiros devem ter no Ensino Básico. O objetivo é que, independente das diferenças sociais ou culturais, todos os estudantes tenham seus direitos de acesso ao conhecimento preservados. A conquista da Educação Física veio com a inserção da disciplina na área de Linguagens, ao lado das disciplinas de Artes, Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Sendo assim, a atividade assumiu, além do aspecto físico, um papel sociocultural importante no desenvolvimento dos alunos.

No entanto, as duas notas anteriores precisam caminhar de braços dados para o perfeito funcionamento da disciplina e para que ela consiga atingir seus objetivos. Apenas a introdução na Base Nacional Curricular não funciona sem que haja uma estrutura mínima para os alunos. Pior que isso, como tudo no processo educacional, o desenvolvimento nessa área está interligado com outras ações tais como, evasão escolar, alimentação adequada, educação em tempo integral, integração entre a escola e a comunidade, participação dos pais, qualificação dos professores e, claro, salários dignos e em dia para os educadores. É fundamental que os gestores atentem muito mais para políticas de estado na educação e esporte e menos para a política de governo, muito mais associada a interesses eleitorais.

Desde 2017, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou a proposta que obriga a construção de quadras poliesportivas para a prática de educação física e de outras atividades esportivas em todos os novos estabelecimentos públicos de ensino fundamental e médio. No entanto, de lá para cá, apenas algumas ações esporádicas foram vistas no País. Muito disso porque, em escolas, principalmente no interior dos estados e periferia, funcionam em locais improvisados, alugados, meros depósitos de estudantes. Esses locais não são adequados para aprender o básico, imaginem para que o aluno possua uma formação multidisciplinar. Temos muito a evoluir antes de atingirmos o desenvolvimento de nações do primeiro mundo, mas podem ter certeza, esse processo começa na escola e com a ajuda do esporte.

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