A morte de um torcedor do Botafogo/PB após o jogo do time de João Pessoa contra o Globo reascende o debate sobre a violência e o futebol. Em qualquer pesquisa realizada sobre os que deixaram de frequentar os estádios, o medo de atos violentos aparece sempre como o principal motivo para a troca da arquibancada pelo sofá. As brigas planejadas, as viagens para outros Estados com objetivos diferentes daquele que deveria ser o original: torcer, transformaram o ato de ir ver o seu clube numa aventura perigosa.

Até o começo dos anos 1990, violência nos estádios era notícia vinda da Europa, onde os hooligans aterrorizavam. No entanto, dois casos colocaram o Brasil de vez na rota da violência. Em 1992 a morte de um jovem de 13 anos em um jogo Corinthians x São Paulo. O torcedor foi atingido por uma bomba caseira lançada pela torcida do Tricolor. Em 1995 uma batalha que deixou 102 feridos em um jogo da Copa São Paulo entre o Tricolor paulista e o Palmeiras, no Pacaembu terminou com a morte, a pauladas, de um jovem de 16 anos.

No Rio Grande do Norte essas mortes também chegaram associadas a violência no futebol e atingiram até o esporte amador. O Governo do Estado teve que cancelar as aberturas de Jogos Escolares, temendo brigas. No livro Futebol e Violência, a professora da Unicamp Heloisa Helena Baldy dos Reis lista 21 ações sugeridas, nos anos 1980, pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa). Ela destaca: Proibição da venda de bebidas alcoólicas, policiamento ostensivo dentro e fora do estádio, incluindo agentes à paisana nas ruas e arquibancadas, revista rigorosa, restrição da circulação da plateia a setores específicos do estádio e instalação de câmeras que permitam a identificação de agressores. Além disso, a punição a clubes cujos torcedores se envolvessem em ações violentas ficou muito mais rigorosa. Algo precisa ser feito.

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