Há quatro anos, na Copa do Mundo de 2014, a Seleção Brasileira estreou contra a Croácia – partida na qual o Brasil ganhou de 3 x 1. Coincidentemente, no início de junho, a nossa seleção participou de um amistoso justamente contra os croatas.

Em uma análise de dados estatísticos realizada pelo SAS, empresa de tecnologia e líder global em soluções de análise de dados, em parceria com a Footstats, especializada em coleta e análise de informações relacionadas ao futebol, e a Analysis, consultoria de inteligência analítica, é possível enxergar dois cenários distintos nos dois tempos da partida. No primeiro tempo, o Brasil teve grandes chances de tomar gols e poucas oportunidades de fazer. Isso mudou na segunda metade do jogo com a entrada de Neymar, quando o time aumentou de 8% para 26% as oportunidades de gol e por isso venceu a disputa (2 x 0), mostrando a diferença que o atacante fez em campo.

Tal conclusão é baseada na avaliação de quatro quadrantes, com uma série de combinações entre fundamentos ofensivos e defensivos do futebol, que indicam a alta ou a baixa probabilidade de a Seleção e seus adversários fazerem ou tomarem gols, conforme mostra o gráfico abaixo. O resultado dessas forças para o agrupamento dos quadrantes se baseou nas análises das posturas ofensiva e defensiva dos times.

Amistoso Brasil e Croácia – 2018

No primeiro tempo, a Seleção Brasileira não chutou nenhuma bola de dentro da área da Croácia, enquanto que no segundo foram quatro chutes, com dois deles resultando em gols. “Um detalhe importante é que, nos dois tempos de jogo, o Brasil teve, em média, o mesmo porcentual de posse de bola (62,5%), o que comprova que o time que vimos em campo no segundo tempo era muito diferente daquele do início da partida”, explica o CEO da Footstats, José Eduardo Romanini.

O Brasil aumentou, ainda, o desarme em 160% no segundo tempo, com a presença de Neymar, que fez o time todo avançar, mais bem posicionado na saída de bola da Croácia. O time também aumentou sua presença no terceiro terço do campo em 25%.

Relembrando a Seleção Brasileira em 2014

Na Copa de 2014, houve um equilíbrio tanto do Brasil quanto da Alemanha na capacidade de executar as funções defensivas e ofensivas nas disputas com seus respectivos adversários na fase de grupos. O Brasil teve um padrão semelhante nos jogos contra Croácia, México e Camarões e o mesmo ocorreu com a Alemanha jogando contra Portugal, Gana e Estados Unidos, conforme mostram os gráficos abaixo.

Durante as oitavas de final, ainda que tenha ido para os pênaltis contra o Chile, o Brasil teve apenas 9% de chances de tomar gols, contra 49% de chances de fazer gols, apresentando um volume de jogo muito maior. O mesmo ocorreu com a Alemanha, ao ir para a prorrogação com a Argélia, que teve poucas oportunidades de fazer gols.

Nas quartas de final, no difícil jogo contra a Colômbia, a postura ofensiva da Seleção se sobrepôs muito à sua própria fragilidade defesa, sendo algo compensado pelo ataque. O destaque ficou, porém, com a Alemanha, que teve uma disputa difícil com um time forte como a França, levando ambos os times a um desempenho semelhante, em que as defesas anularam os ataques e vice-versa, como mostra o gráfico abaixo.

Na seminal, no confronto direto com a Alemanha, os números mostram que o Brasil mudou de forma drástica na comparação com as posturas ofensiva e defensiva dos jogos anteriores. Nessa fase, as chances de o Brasil tomar gols aumentou em 10 vezes em alguns casos, assim como as chances de fazer gols diminuiu em mais de 10 vezes na comparação com outras partidas. Com isso, a Seleção construiu o pior cenário possível em toda a Copa. Por outro lado, a Alemanha manteve o seu padrão de jogo, mesmo nas piores partidas.

Segundo Romanini, o que ocorreu na partida entre Brasil e Alemanha foi a quantidade de chutes próximos ao gol que o Brasil tomou, algo fundamental quando se determina quem é o vitorioso durante uma partida. “Antes disso, a Seleção jamais tinha permitido que tantos chutes fossem dados dentro da sua área, da forma como foi. A fragilidade da defesa foi o grande ponto de desequilíbrio, e para chegar a esse cenário, o problema ocorreu no ataque, uma vez que o time estava sem o seu melhor jogador. O Brasil ficou completamente cego nesse ponto”, diz.

Os números de 2014 e do amistoso de 2018 contra a Croácia mostram que o talento Neymar ainda é o destaque quando a Seleção Brasileira está em campo. “Ele fez a diferença no amistoso e nas eliminatórias. Com a ausência do Daniel Alves, ele dribla, sozinho, mais que o segundo, terceiro e quarto maiores dribladores da Seleção juntos”, conclui Romanini.

Metodologia

O levantamento é resultado de um estudo inédito realizado pelo SAS, empresa de tecnologia e líder global em soluções de análise de dados, em parceria com a Footstats, especializada em coleta e análise de informações relacionadas ao futebol, e a Analysis, consultoria de inteligência analítica.

Para chegar a esse resultado, foram analisadas 396 mil informações do banco de dados da Footstats, contendo diversas variáveis de desempenho, tais como cruzamentos, desarmes, faltas, passes, entre outras. A análise foi feita por meio do software SAS Enterprise Miner, usando técnicas de machine learning (aprendizado de máquina), em que os computadores “aprendem” a interpretar informações a partir dos dados estatísticos.

Sobre o SAS
O SAS é o líder de mercado em Analytics. Por meio de soluções analíticas inovadoras, voltadas para a inteligência do negócio e gerenciamento de dados, a companhia ajuda seus clientes em mais de 80.000 localidades a tomarem decisões de forma rápida e acurada. Desde 1976, o SAS fornece aos clientes ao redor do mundo THE POWER TO KNOW® (O Poder do Conhecimento). No Brasil desde 1996, a subsidiária brasileira conta com escritórios em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) e atua em diferentes setores como finanças, telecomunicações, varejo, energia, governo, manufatura e educação. Confira o site: www.sas.com/br

Sobre a Footstats
A Footstats atua há 11 anos no mercado, oferecendo dados estatísticos por meio de uma plataforma própria destinada ao mercado corporativo. Entre os principais clientes, estão alguns dos principais clubes brasileiros, profissionais que atuam na indústria do futebol e algumas empresas de mídia, como a ESPN, a Globosat e o Grupo RBS.

Sobre a Analysis
A Analysis é uma empresa de consultoria especializada na aplicação de técnicas avançadas de análise e modelagem estatística a fim de encontrar soluções para problemas de negócios. Com mais de 20 anos de existência, a empresa acumulou larga experiência nos segmentos de atuação dos seus clientes, tornando suas soluções essenciais para apoiar seu desenvolvimento do mercado.

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