A ideia de finalizar a Copa do Nordeste em uma sede única é a melhor solução. Além de minimizar riscos de contaminação com o Covid-19 com o transporte dos atletas e comissões, permite a redução do tempo necessário para a conclusão da competição regional. Rentável como é e importante para o desenvolvimento do futebol regional, o certame não pode ficar de fora nessa retomada do esporte.

Copa do Nordeste

Aliás, diante desse novo “normal”, a Liga do Nordeste poderia avaliar uma modesta sugestão deste colunista, que pega carona nessa ideia da sede única para finalizar o torneio atual. Acredito que poderia funcionar a Copa do Nordeste em sedes únicas todos os anos. Igual a Copa do Mundo. Em 30 dias a competição estaria concluída, o que seria uma “benção” para o calendário sempre inchado, movimentaria a economia dos estados-sedes que se revezariam ano a ano, sendo escolhidos pela Liga/CBF. Imaginem Natal recebendo as delegações de todos os clubes, torcidas para os jogos, hotéis e bares lotados, consumo em alta. Tudo o que o Nordeste turístico sonha. Vale à pena pensar/sonhar.

Impacto

As arenas deixaram de ser apenas estádios e viraram centros de negócios. Eventos, shows e até escritórios fazem parte dessa nova realidade. No entanto, como tudo na economia mundial, esse negócio passou a ter problemas com a pandemia de Covid-19. Os prejuízos se espalharam, não apenas porque os locais deixaram de receber os jogos de futebol mas, principalmente, em alguns casos onde o futebol rende pouco, como aqui no Rio Grande do Norte, pela ausência dos eventos. Em contato, há alguns meses, com a direção da Arena das Dunas, fui informado que eles estavam tranquilos uma vez que a maioria dos eventos programados para lá estava agendado para o segundo semestre. No entanto, passados os meses e renovados os decretos, esse prazo fica cada vez mais apertado. Além disso, a arena local está no meio de uma disputa judicial para ter o seu repasse de verbas, decorrente de contrato de PPA (Parceria Público Privada), com o Governo do Estado, reduzido.

Impacto 1

Em outros lugares a situação também não está fácil. Carlos Aragaki, coordenador da Câmara dos Contadores do Ibracon – Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes, alerta que o impacto da pandemia nas arenas do futebol brasileiro é muito negativo. Ele cita como exemplo o Maracanã, cuja receita com os jogos do Flamengo, segundo a última demonstração contábil de 31 de dezembro de 2019, foi de R$ 109 milhões. “Este montante é maior do que o total (transmissão/patrocínio/negociação de atletas/bilheteria/royalties) de qualquer um dos 20 clubes que participaram do campeonato brasileiro da Série B em 2018”, compara.

Impacto 2

Também serão perdidas as receitas decorrentes do tour pelas instalações e seus museus, que somente podem ser realizados virtualmente, e as de aluguel para fast foods, lanchonetes, restaurantes, lojas de conveniência e academias que funcionam nas arenas e são parte marcante de seu conceito de negócio. Isso demandará renegociações de contratos e implicará mais prejuízos. Ademais, muitos clubes já estão tendo de negociar a devolução dos tickets ou criar créditos futuros, com descontos, no âmbito dos programas de sócio-torcedor, o que pode resultar em alterações no reconhecimento de receitas.

Impacto 3

Ainda existem os casos de redução das receitas decorrentes de aluguéis de jogos de futebol, como ocorrido com clubes que disputaram partidas em outros estados, vendendo os mandos de campo. Essa modalidade, sem público, perde toda a sua força. “Finalmente, também com grandes consequências e impactos nas contas, teremos as negociações para redução das perdas com os patrocínios e naming rights”, salienta Aragaki, ponderando que será necessário reduzir os custos, o que não é tão simples no caso das arenas, cuja manutenção é bastante dispendiosa. Tudo isso pode resultar em uma deterioração significativa na situação econômica de algumas entidades, que podem gerar incerteza relevante relacionada com a sua continuidade operacional, comentou o pesquisador.

TV

O Campeonato Carioca está aí, entretanto, os jogos do Flamengo podem não vai ter transmissão na TV. Isso se deve a falta de um acordo entre o time da Gávea e a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão da competição. A disputa entre emissora e clube acontece desde o início do ano. O Flamengo quer receber mais do que os outros clubes, alegando ter maior visibilidade e, consequentemente, dando maior audiência para a Globo. O canal de televisão aceita pagar mais, mas valores entre o que o clube quer e a TV propõe estão distantes.

TV1

O maior perdedor com essa briga é o torcedor flamenguista. Sem poder ir ao Maracanã para ver seu clube do coração, o rubro-negro esperava ter a chance de assistir ao seu clube de casa enquanto o afastamento social prosseguir. Concordo que os clubes devem se valorizar nas negociações, no entanto, não levar em consideração o momento social e econômico pelo qual o País passa é uma grande bobagem.

Comentários do Site

  1. Janio
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    Após esta pandemia bem que a distribuição dos campeonatos no Brasil poderia ser desta forma: como a CBF ja informou que pretende lançar as series A,B,C,D a partir de agosto, pensou que com 38 rodadas iria ate março com ferias em abril e voltaria em Maio ja com as series A,B,C,D de 2021 e colocaria os estaduais de junho a dezembro com equipes que não estejam disputando series A,B,C,D e que as mesmas disputem nestes estaduais vagas para copa do brasil e serie D dos anos seguintes, e no inicio de cada ano a partir de fevereiro as copas do nordeste, norte/centro oeste, sul/sudeste e que estas equipes que disputarem estas copas nao precisem disputar os estaduais, desde que não tenham conseguido vagas nos estaduais.

  2. Abadon, o Sicário!
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    O Brasil ao que tudo indica, não aprendeu nada com aquela botada dos 7 x 1.
    Se bem que, quem acompanha realmente futebol á nível de bastidores, sabe que ali não eram apenas as seleções de dois países que estavam em campo, mas as duas gigantes fabricantes e fornecedoras de material esportivo mundial é quem estavam se enfrentando…
    Mas quem quiser que procure pesquisar e descobrir.
    Porém, a redenção do futebol brasileiro passa por dois crivos:
    A readequação e consequente enxugamento do calendário, e a regionalização.
    O primeiro passo seria extinguir esses retrógrados, ultrapassados e deficitários campeonatos estaduais que só servem prá encher o calendário e dar prejuízo. Muitos alegam que seria desemprego em massa, porém com os estaduais em pleno andamento muitos clubes também encerraram suas atividades. Aqui no estado foram muitos: Parnamirim, Potiguar de Parnamirim, Atlético, Riachuelo, Ferroviário, Cosern, Potyguar, Caicó, Coríntians, São Gonçalo, Mossoró e Baraúnas são alguns dos exemplos. Portanto, antes que, os que ainda restam também fechem as portas (tem um aí que tá bem pertinho…) urge uma repaginada no cenário futebolístico nacional.
    A crônica esportiva é contra, porque vive disso. Quanto mais jogo tiver, melhor prá ela comentar. Ninguém tá pouco ligando prá saúde e bem estar dos atletas.
    Muitos consideram campeonato estadual “charme” mas futebol é um negócio que não contempla nostalgia nem caridade. A fórmula desse certame está ultrapassada faz tempo e só existem ainda porque são a principal moeda de troca da CBF para com suas subservientes federações em troca de voto, mas já não tem mais nenhuma empolgação, são facilmente manipuláveis e sem nenhuma credibilidade. O daqui então, nem se fala !!!!!!!! Se não trouxer árbitro FIFA, já sabemos quem vai ganhar, nénão ???????????????????
    Portanto, extinguir os estaduais seria o primeiro passo e priorizar as competições regionais como degrau ás competições nacionais seria o passo seguinte.
    Caso contrário, aquela vergonhosa e acachapante “voadora” de 7 x 1 no melhor estilo Flávio Boaventura, ainda vai doer no pé do ouvido do brasileiro que gosta de futebol por mais um centenário !!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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