Qualquer estagiário de jornalismo que goste de esporte sabe que a formação de talentos é essencial para que um clube se desenvolva esportivamente e, no estilo empresarial do futebol atual, economicamente falando também. Um estudo elaborado pela empresa Sports Value, especializada em marketing esportivo, branding, patrocínios, avaliação de marcas e de propriedades esportivas avaliou os principais clubes brasileiros e colocou, mais uma vez, a negociação de atletas como uma das principais fontes de renda das instituições esportivas.

O estudo utilizou dados extraídos das demonstrações contábeis dos 20 clubes com maiores receitas do Brasil. Foram analisadas as receitas e custos dos clubes, além dos resultados financeiros e dívidas. O esporte movimenta muita grana. O volume total gerado do mercado atualmente é de R$ 6,5 bilhões. Muito disso gerado com a venda de jovens talentos que surgiram nas bases dos clubes.

Só para vocês terem uma ideia. A análise da Sports Value considera os Top 20 times em receitas. Os 20 times viram suas receitas crescerem 2,4% em 2018.

O volume gerado pelos 20 times somados foi de R$ 5,26 bilhões no ano passado, frente aos R$ 5,14 bilhões de 2017. O crescimento foi muito afetado pelas receitas com transferências que atingiram R$ 1,3 bilhão em 2018, o maior valor da história.

As receitas com TV caíram 0,2% e estão no mesmo patamar de 2017. As transferências cresceram 32%. Em dois anos as transferências evoluíram mais de 70%. A bilheteria cresceu 3% e atingiu R$ 421 milhões. As receitas com sócios (social, amador e sócio torcedor) caíram 3,7%, somando R$ 632 milhões em 2018. Os recursos com patrocínios caíram 18% e estão no mesmo patamar de 2015.

Os maiores

O Palmeiras se tornou o clube com maiores receitas do futebol brasileiro com R$ 654 milhões gerados no ano passado, um crescimento de 30%. Na sequência aparecem Flamengo com R$ 543 milhões, Corinthians R$ 470 milhões, São Paulo R$ 424 milhões e Grêmio com R$ 420 milhões. O número de clubes com faturamento superior a R$ 400 milhões é recorde na história do futebol nacional.

O risco

Um dos pontos mais sensíveis da gestão dos clubes brasileiros é o excesso de despesas financeiras, reflexo de atualização de dívidas tributárias, despesas com empréstimos e financiamentos.

Segundo análise da Spots Value as despesas financeiras somadas dos 20 times foram de R$ 538 milhões em 2018 e de R$ 631 milhões em 2017. Nos últimos 2 anos os times despenderam R$ 1,17 bilhão em despesas financeiras.

As dívidas fiscais dos 20 times atingiram R$ 2,5 bilhões em 2018, frente aos R$ 2,6 bilhões de 2017, queda de 3,4%. As dívidas fiscais representam atualmente 36% do endividamento total dos times, que o diga o ABC.

As conclusões

1 – Os números financeiros dos clubes brasileiros continuam impactados por receitas extraordinárias. Os recursos oriundos do PROFUT em 2015, luvas da TV em 2016 e transferências em 2017 e 2018 escondem os déficits potenciais.

Queda do interesse por futebol no Brasil.

2 – Os clubes brasileiros permanecem operando de forma alavancada, com custos acima de suas possibilidades. Para manter a alta performance antecipam receitas futuras e pagam altas despesas financeiras.

3 – As receitas permanecem muito dependentes dos direitos de TV e transferências de atletas. Os recursos com patrocinadores e diretamente com o torcedor são baixíssimos para o potencial do mercado brasileiro.

Segundo análise da Sports Value Flamengo, Athletico-PR, Palmeiras e Grêmio são os grandes destaques em termos de gestão no futebol brasileiro na atualidade.

4 – A Sports Value analisou profundamente todos os grandes mercados esportivos do planeta. Sem dúvida o futebol brasileiro somente evoluirá em termos econômicos e sociais se seus clubes colocarem em prática modernas técnicas de gestão corporativa, criarem uma Liga Profissional e deixarem seu modelo político atual para trás.

Fonte: Sports Value

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