O brasileiro que nunca se emocionou com Galvão Bueno aos gritos de “é tetra”, milésimos após o pênalti perdido por Roberto Baggio, não entende a magia do futebol. A cena, certamente, está gravada na memória até dos que não eram nascidos naquele dia 17 de julho de 1994.

Chegar naquele Rose Bowl contra a excelente Seleção Italiana não foi fácil. Antes mesmo de chegar aos Estados Unidos, a Seleção Brasileira passou por um sufoco nas Eliminatórias. O técnico Carlos Alberto Parreira diz até hoje que foi uma campanha mais difícil do que da própria Copa do Mundo.

Era tudo ou nada. Depois de um 4 a 0 sobre a Venezuela, no Mineirão, um duelo contra o Uruguai decidiria a vaga para os Estados Unidos. Pedia um palco digno: o Maracanã, abarrotado por mais de 100 mil pessoas, viu o Brasil vencer por 2 a 0 e carimbar o passaporte.

Fase de grupos

Na estreia, em San Francisco, uma vitória de 2 a 0 sobre a Rússia. A classificação veio no jogo projetado como o mais difícil da Canarinho nesta primeira fase: contra Camarões, sensação da Copa de 1990. O Brasil venceu com facilidade por um sonoro 3 a 0.

Fechando a fase de classificação, os suecos deram trabalho. Depois de sofrer o primeiro gol na Copa, marcado por Kenneth Anderson, o Brasil conseguiu arrancar um empate em Detroit, com gol de Romário. O ponto conquistado foi o bastante para garantir o primeiro lugar do grupo.

Fase final

Jogar as oitavas contra os Estados Unidos não era o melhor dos desejos. Encarar os americanos em um 4 de julho, a maior data comemorativa do país anfitrião, não seria nada fácil.

A imprensa americana acreditava na zebra. O Dia da Independência inspiraria a seleção da casa a derrotar a então tricampeã do mundo. Mas o Brasil tinha Bebeto. O camisa 7 recebeu passe da esquerda, escorou de primeira e eliminou os Estados Unidos da Copa: 1 a 0.

O confronto das quartas de final está entre as partidas mais emocionantes da história da Seleção Brasileira. Contra a Holanda, em Dallas, um jogo de tirar o fôlego. Romário e Bebeto colocaram o Brasil em vantagem no início da segunda etapa, mas Bergkamp e Winter deram a dose de emoção pelo lado europeu.

A vitória viria dos pés de Branco, que estava substituindo o suspenso Leonardo. Ele ficou encarregado de marcar o craque Overmars, principal jogador holandês. Além de anular o adversário, acertou um foguete de falta, aos 36 minutos, arrancando o grito da garganta da torcida brasileira.

Quem caiu novamente no caminho da Seleção foi a Suécia, único adversário que o Brasil não tinha derrotado na Copa do Mundo. Apesar da retranca pesada e defesa atenta, os suecos não resistiram ao talento brasileiro e aos 90 minutos de calor intenso, em Los Angeles. Vitória por 1 a 0 e vaga na final contra os italianos.

Há 22 anos, o quarto título

Daquele Rose Bowl, na tarde de 17 de julho de 1994, sairia o primeiro tetracampeão do mundo. Na garganta do Brasil, a derrota para os italianos na Copa de 1982 ainda entalada. Para a Itália, ardiam as lembranças da final da Copa de 1970, o terceiro título brasileiro.

No tempo normal, a Azzurra jogou sua melhor partida nos Estados Unidos. Mesmo assim, poucas chances para ambos os lados. Na prorrogação, o Brasil melhorou com a entrada de Viola, mas não conseguiu marcar. Decisão da Copa nos pênaltis.

Foi quando brilhou a estrela de Taffarel. O astro Baresi cobrou para fora, mas Márcio Santos também desperdiçou. O goleiro brasileiro pegou a cobrança de Massaro. Roberto Baggio partiu para a cobrança decisiva. É TETRAAAA!!! O Brasil se tornava o primeiro país quatro vezes campeão do mundo.

O capitão Dunga ergueu a taça após um longo jejum brasileiro na Copa do Mundo (Créditos: Rafael Ribeiro / CBF)

O capitão Dunga ergueu a taça após um longo jejum brasileiro na Copa do Mundo (Créditos: Rafael Ribeiro / CBF)

TETRACAMPEÕES DO MUNDO

Goleiros
Taffarel – Reggina (ITA)
Zetti – São Paulo
Gilmar – Flamengo

Defensores
Jorginho – Bayern de Munique (ALE)
Cafu – São Paulo
Aldair – Roma (ITA)
Márcio Santos – Bordeaux (FRA)
Ricardo Rocha – Vasco da Gama
Ronaldão – Shimizu S Pulse (JAP)
Branco – Fluminense
Leonardo – São Paulo

Meias
Mauro Silva – Deportivo La Coruña (ESP)
Dunga – Stuttgart (ALE)
Raí – PSG (FRA)
Mazinho – Palmeiras
Paulo Sérgio – Bayer Leverkusen (ALE)

Atacantes
Bebeto – Deportivo La Coruña (ESP)
Romário – Barcelona (ESP)
Müller – São Paulo
Viola – Corinthians
Ronaldo – Cruzeiro
Zinho – Palmeiras

Treinador
Carlos Alberto Parreira

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