Depois de 146 dias, o Brasileirão finalmente voltou! Com ele, muitos gols e estádios cheios pelos, literalmente, quatro cantos do país, afinal, a atual edição é a recordista de estados representados, com 10 no total. Isso faz com que uma grande variação no estilo de jogo das equipes seja vista em campo e, consequentemente, ótimos duelos entre as equipes e os treinadores. Neste último quesito, inclusive, o atual líder da competição, Ceará, está muito bem, já que conta com Enderson Moreira, o técnico mais atuante da Série A desde 2012.

Responsável por apresentar uma equipe avassaladora na estreia do Campeonato Brasileiro, quando goleou o CSA por 4 a 0, Enderson estreou no comando técnico do Vozão com um belo cartão de visitas do que pode oferecer ao clube. Mas o “recado” vai além do ótimo desempenho de seu time, com alta intensidade, ofensividade e consistência invejáveis. Isso porque, dentre todos os treinadores da elite nacional, Enderson Moreira é quem mais trabalhou nas últimas sete temporadas e meia, desempenhando a função nas séries A e B. O comandante assumiu o Goiás em outubro de 2011 para iniciar um projeto tão duradouro quanto vencedor, mas neste estudo está sendo levado em conta o trabalho a partir de janeiro de 2012. De lá pra cá, mais 7 equipes no currículo e um número baixíssimo de dias sem clube se comparado à realidade dos técnicos em exercício no país do futebol: apenas 238 dias em 2676 dias possíveis.

Na cola de Enderson, aparece Jorge Sampaoli, do Santos, com 327 de inatividade no mesmo período. O argentino é seguido de perto por Claudinei Oliveira, atualmente no Goiás, com 344 dias sem trabalhar; por Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, que ficou parado 372 dias e, fechando o TOP 5, Marcelo Cabo, hoje no CSA, com 419 dias longe do comando de uma equipe. Bem-humorado, Enderson rechaçou a ligação direta entre o tempo em atividade com os resultados na abertura do Brasileirão 2019 – dos “cinco mais trabalhadores” quatro venceram seus jogos –, mas deixou claro que a prática leva à perfeição.

“O que eu posso dizer? Aqui é trabalho! (Risos). Essa frase do nosso mestre Muricy Ramalho, por quem tenho muita admiração, é o melhor resumo não só sobre mim, mas sobre a nossa classe. A verdade é que o técnico trabalha o tempo inteiro, seja dentro do clube ou fora dele, empregado ou não. A família e os amigos que sofrem, porque o assunto é só um. Mas a gente gosta, e, particularmente, acho que, como em qualquer atividade, quanto mais você pratica e busca especialização, melhor você vai ficando. Com o treinador de futebol não é diferente, e me deixa realmente satisfeito saber que estou aí há tanto tempo dando minha contribuição ao esporte. Sobre esse índice de quatro dos cinco treinadores da Série A com período de menor inatividade terem vencido, acho que é uma coincidência, na verdade. Óbvio que, hoje, somos alicerçados por diversas estatísticas que ajudam muito, mas o futebol não é uma ciência exata, definitivamente. O que mais vale é o trabalho desempenhado no dia a dia”, finalizou Enderson, de apenas 47 anos, mas que já habita as prateleiras dos mais experientes treinadores brasileiros.

Confira abaixo o ranking completo dos 20 treinadores da Série A de 2019 em dias de inatividade desde janeiro de 2012. Tiago Nunes (Athletico-PR), Roger Machado (Bahia), Fábio Carille (Corinthians), Rogério Ceni (Fortaleza) e Odair Hellmann (Internacional) estão no segundo bloco por serem treinadores que iniciaram seus trabalhos após 2012. Os treinadores Eduardo Barroca (Botafogo), Marcos Valadares (Vasco) e Rodrigo Santana (Atlético-MG), estão contemplados no fim do levantamento por estarem desempenhando, na atual temporada, o primeiro trabalho de Série A.

Treinadores da Série A com menos dias de inatividade

1 – Enderson Moreira

238 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

2 – Jorge Sampaoli

327 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

3 – Claudinei Oliveira

334 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

4 – Luiz Felipe Scolari

372 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

5 – Marcelo Cabo

419 dias sem trabalho (de janeiro de 2013 a abril de 2019)

 

6 – Fernando Diniz

466 dias sem trabalho (de outubro de 2012 a abril de 2019)

 

7 – Mano Menezes

538 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

8 – Cuca

604 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

9 – Abel Braga

851 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

10 – Renato Gaúcho

906 dias sem trabalho (de julho de 2013 a abril de 2019)

 

11 – Geninho

992 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

12 – Ney Franco

1254 dias sem trabalho (de julho de 2012 a abril de 2019)

 

Treinadores que iniciaram a atividade após 2012

13 – Odair Hellmann

0 dia sem trabalho

 

14 – Fábio Carille

5 dias sem trabalho (de dezembro de 2016 a abril de 2019)

 

15 – Rogério Ceni

129 dias sem trabalho

 

16 – Tiago Nunes

476 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

17 – Roger Machado

642 dias sem trabalho (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

 

Treinadores em seu primeiro trabalho de Série A

18 – Eduardo Barroca e Marcos Valadares

0 dia sem trabalho

20 – Rodrigo Santana

Pelo menos 301 dias sem trabalho

 

Detalhamento de Enderson Moreira

Iniciou a temporada de 2012 no clube e ficou até 14/12/2013 (Goiás)

2 dias

16/12/2013 até 27/07/2014 (Grêmio)

38 dias

03/09/2014 até 05/03/2015 (Santos)

12 dias

17/03/2015 até 20/04/2015 (Athletico Paranaense)

31 dias

21/05/2015 até 16/09/2015 (Fluminense)

86 dias

11/12/2015 até 08/06/2016 (Goiás)

43 dias

21/07/2016 até 16/06/2018 (América-MG)

3 dias

19/06/2018 até 31/03/2019 (Bahia)

23 dias

23/04/2019 até atualmente (Ceará)

TOTAL: 238 dias sem clube (de janeiro de 2012 a abril de 2019)

Fonte: Francis Melo Assessoria e Gestão Esportiva

 

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