Robert Scheit começa a dar os primeiros passos na caminhada rumo à Olimpíada de Tóquio, em 2020. Ele disputa Troféu Princesa Sofia, em Palma de Mallorca, na Espanha, após dois meses de preparação desde a decisão de voltar a treinar na classe Laser para tentar a vaga na equipe brasileira que vai competir no Japão. “Vai ser o primeiro campeonato grande após um longo período de ausência na classe Laser. Certamente vou encontrar dificuldades, mas já melhorei bastante de nível. Estou fisicamente bem e bastante motivado para recomeçar, competir e dar o meu máximo”, contou o velejador. As atividades fora da água, como a cerimônia de abertura, começam na sexta-feira (29), mas as regatas têm início na segunda (1/4).

O bicampeão olímpico de 45 anos parte em busca da sexta medalha olímpica, a quarta na classe Laser, na qual acumula os ouros em Atlanta/1996 e Atenas/2004 e uma prata (Sidney/2000). Se conseguir a classificação, Scheidt será o recordista brasileiro em participações em Olimpíadas, com sete no currículo. “Sei que vai ser um grande desafio, mas já me sinto bem melhor no barco, mais preparado e condicionado fisicamente. Tive duas sessões de treino bem importantes. A primeira foi em fevereiro, em Vilamoura, Portugal, com um grupo de velejadores de altíssimo nível. Depois, treinei em Palma de Mallorca, há uma semana. Também foram sessões bem intensas, com velejadores de alto nível e na raia que vamos competir agora”, informou.

Focado em voltar a velejar em alto nível, Robert sabe que é preciso dar um passo de cada vez. “O primeiro objetivo é conseguir a vaga para representar o Brasil na Olimpíada. Esse é o meu foco agora. Atualmente, ainda não estou com o pensamento em Tóquio. Penso em velejar melhor, entrar em ritmo na Laser para buscar a classificação”, garante o maior medalhista olímpico da história do Brasil, com cinco pódios, que tem patrocínio do Banco do Brasil e Rolex e apoio do COB e CBVela.

Após o Troféu Princesa Sofia, Scheidt seguirá para outras competições importantes. Em abril, disputa o Campeonato Europeu, em Hyères, na França. Na sequência, vai disputar o Mundial no Japão, a partir de 3 de julho. “O objetivo é evoluir a cada competição. Diferentemente da campanha para a Rio 2016, iniciei o ciclo olímpico mais tarde. Falta apenas um ano e meio para Tóquio e, por isso, minha preparação terá que ser mais seletiva em relação ao número de competições e intensidade de trabalho”, revelou o atleta que tinha 43 anos na Olimpíada do Brasil.

Com inscrições abertas a atletas de todo mundo, o Troféu Princesa Sofia é a competição com maior número de participantes no calendário internacional de classes olímpicas. Este ano, são mais de 1.200 velejadores, de 68 países. Só a Laser reunirá mais de 190 barcos. Isso significa que Scheidt vai enfrentar alguns dos melhores velejadores da atualidade, como o cipriota Pavlos Kontides, campeão mundial em 2017 e 2018, e o holandês Marit Bouwmeester, medalha de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

O retorno – Ao anunciar o objetivo de tentar disputar mais uma Olimpíada, em fevereiro, no Yacht Club Santo Amaro, Scheidt explicou seus motivos. “A partir de 2018, quando voltei a fazer alguns treinos no Laser, no Lago Di Garda (na Itália, onde mora com a família), junto com velejadores italianos e alguns estrangeiros, senti que ainda era bem competitivo, com um bom nível de energia física. Comecei a pensar que talvez existisse a possibilidade de tentar mais um ciclo olímpico. Depois disputei a Copa Brasil (foi vice-campeão). Mas a definição veio da minha vontade de tentar mais uma vez, provavelmente a última possibilidade que terei de buscar uma olimpíada. A vontade de me superar, de atingir esse objetivo falou mais alto”, explicou Scheidt.

Equipe verde-amarela – O Brasil terá 22 velejadores na 50ª edição do evento. Além de Robert, a Equipe Brasileira de Vela terá nomes de peso como as campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze (49er FX), as medalhistas olímpicas Fernanda Oliveira (470 feminina) e Isabel Swan (Nacra 17), e o campeão mundial Jorge Zarif (Finn). Por outro lado, a delegação tem estreantes como Giovanna Prada, da RS:X feminina, de 17 anos. A filha de Bruno Prada (companheiro de Robert Scheidt na conquista de duas medalhas olímpicas na classe Star)  prepara-se para o Mundial de Vela Jovem, em julho.

Maior atleta olímpico brasileiro

Cinco medalhas:
Ouro : Atlanta/96 e Atenas/2004 (ambas na classe Laser)
Prata : Sidney/2000 (Laser) e Pequim/2008 (Star)
Bronze : Londres/2012 (Star)

180 títulos – 88 internacionais e 92 nacionais, incluindo a Semana Internacional do Rio, o Campeonato Brasileiro de Laser e a etapa de Miami da Copa do Mundo, todos em 2016. Em novembro de 2017, pela Star, conquistou a Taça Royal Thames e, neste domingo, o Paulista de Star.

Laser
– Onze títulos mundiais – 1991 (juvenil), 1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002*, 2004 e 2005 e 2013
*Em 2002, foram realizados, separadamente, o Mundial de Vela da Isaf e o Mundial de Laser, ambos vencidos por Robert Scheidt
– Três medalhas olímpicas – ouro em Atlanta/1996 e Atenas/2004, prata em Sydney/2000

Star
– Três títulos mundiais – 2007, 2011 e 2012*
*Além de Scheidt e Bruno Prada, só os italianos Agostino Straulino e Nicolo Rode venceram três mundiais velejando juntos, na história da classe
– Duas medalhas olímpicas – prata em Pequim/2008 e bronze em Londres/2012

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