A queda do ABC para a Série D do Campeonato Brasileiro é ruim sob todos os aspectos. Primeiro para o clube cujo valor de mercado cairá abruptamente. De produto com interesse mediano para o marketing esportivo, o Alvinegro passará, em tese, a ser uma marca com menor poder de atração em termos de negócios. O Próprio futebol potiguar, com seus dois principais clubes (ABC e América), na quarta divisão do Campeonato Brasileiro, diminui de valor, fazendo com que a Federação Norte-rio-grandense de Futebol – FNF tenha trabalho redobrado para atrair investidores ao Campeonato Estadual. No entanto, um velho lobo dos negócios sempre vê, no fundo do poço, uma oportunidade para recomeço e, por estar no chão, é bem mais fácil iniciar um projeto com base sólida para crescimento tendo um bom alicerce, evitando o que os economistas chamam de “voo de galinha”, ou seja, aquela ascensão seguida de uma rápida queda.

Em meio a todos os erros identificados na atual temporada alvinegra, um acerto parece claro. O clube identificou o verdadeiro valor de ingresso que o seu torcedor pode pagar em jogos no estádio Maria Lamas Farache – Frasqueirão. Os preços atribuídos a uma promoção levaram o torcedor raiz de volta à casa abecedista. Depois que esses valores começaram a ser praticados o time nunca deixou de receber, no mínimo, 6 mil pessoas para apoiá-lo. Amigos que frequentam a arquibancada relatam encontros com torcedores de bairros periféricos de Natal que há muito não frequentavam a praça esportiva. Acredito que, para um recomeço de história, nada melhor do que voltar às raízes, estar junto com sua massa de torcedores, trazê-los para perto, ouvi-los e acima de tudo: atendê-los.

Os críticos aos preços populares sempre relacionam isso a questão do sócio-torcedor. Segundo os defensores da tese, o ingresso mais caro obriga o torcedor a se associar, porque isso é uma vantagem. Critico essa posição porque acredito que o programa de associados precisa ter mais vantagens do que meramente o ingresso para o jogo. Se o clube preparar um setor com facilidades, estacionamento VIP, recepção, entrada adequada sem filas, garçons para vender as bebidas, atendimento para crianças, banheiros limpos (principalmente os femininos) e cobrar mais por isso, os torcedores com poder aquisitivo melhor continuarão a se associar. Mais que isso, se sentirão seguros para levar a família inteira e consumir os produtos no estádio. Na outra ponta, o torcedor mais pobre também estará próximo do clube e será um potencial consumidor de produtos oferecidos no estádio.

Todo esse trabalho precisa ser acompanhado por ações de marketing eficientes. O valor perdido com a queda de divisão poderá ser recuperado, ainda que na Série D, logo que as empresas observarem que, organizado, o clube tem penetração nas mais diversas classes sociais, que tem potencial e que pode, dessa forma, voltar a ser vencedor. Com essa imagem e público, o mercado publicitário com certeza abrirá as portas e as empresas voltarão a ter interesse em associar suas marcas ao clube. “O esporte tem a capacidade de atingir pessoas de todas as idades, culturas ou classe social, sendo assim considerado parte integrante em nossas vidas”, escreveram as especialistas Melissa Johnson e Jane Summer sobre Marketing esportivo. Carla Dualib, no livro Marketing Esportivo no Brasil (2005), afirma que “uma empresa que procura um clube para patrociná-lo está buscando: agregar valor à imagem, maximizar a exposição da marca, alavancar os benefícios dos parceiros através de novas oportunidades de negócio”. Diante disso tudo é enxugar as lágrimas e mãos à obra.

Comentários do Site

  1. Lúcifer
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    O ABC já vem “rebaixado” faz tempo.
    Essa de que “a torcida ajuda” não passa de um apêlo emocional porque, se força de torcida fizesse diferença Flamengo e Corínthians eram campeões todo ano.
    O que determina o sucesso de um clube de futebol é um trabalho sério, profissional e determinado de um corpo diretor que vise exclusivamente o clube e não benefícios particulares.
    Queria ver se o prejuízo causado a determinado clube pela sua diretoria, saísse do bolso de quem protagonizou o rombo, se as gestões seriam tão desastrosas quanto essas que vem levando o ABC ao fundo do poço.
    Colecionando três rebaixamentos em cinco anos, o alvinegro vem despencando ano após ano e ingresso á cinco conto ou sócio torcedor dividido em 60 mêses não farão a menor diferença.
    Depois de cair em campo o alvinegro tenta permanecer dando entrada no tapetão, o que é típicamente abcdista.
    Mas não dá em nada, o atleta do Treze não tem nenhuma irregularidade. Tanto que lá na Paraíba ninguém nem fala no assunto e trata-se apenas de uma tão somente manjada tática para aplacar a ira inicial do torcedor alimentando nele falsas esperanças e ganhar tempo até que a raiva passe.
    Comentários se dão conta de que os bastidores do ABC são uma podridão só, e o que se conhece de má gestão é apenas a ponta do Iceberg.
    Um clube que deve salários, fornecedor de marmita e padaria, sinceramente…Se não chegou ao fundo do poço está bem perto.
    Para um clube que no começo de sua história foi “adotado” pela classe política como sendo o clube do povo e por isso sempre teve os mimos, ao logo da história sempre foi favorecido em detrimento aos outros tanto pela antiga liga quanto pela atual federação e nos últimos doze anos teve receita de sobra, se encontrar nessa situação como diria Bóris Casoy; “È uma VERGONHA!”

    • aderson martins da silva
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      Aqui se colhe, o que se planta, o ABC e AMERICA, estava na ´serie B, com um simple empate o America não caia, para a série C, o ABC, entrou com uma equipe, de meninos, e perdeu de goleada, a diretoria e a torcida, fizeram um carnaval, vendo o AMERICA na série C.,agora o ABC, começa a pagar, sua divida, o que falta, e humildade, nos administradores

  2. Ronile Santos
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    Vários empresários mandam no ABC, a anunciam que venderam as pratas de casa por preços de banana, quando na realidade o preço real foi para o bolso dos empresários e alguns dirigentes, é o que se comenta nas ruas, tenham vergonha dirigentes do ABC, temos muito bons valores no RN, vamos firmar os nossos jogadores, só assim seremos fortes como antes.

  3. altamir
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    O ABC chegou onde planejou. Tal indicação vem desde que Geninho implorou por reforços e não deram ouvido.
    O clube é um cabide de emprego, basta observar a quantidade de gente que “engana” nos dias de jogos. É uma festa!
    É muito cacique para pouco índio e nada funciona que preste.
    Ligue para a secretaria que ninguém sabe informar nem o horário dos jogos.

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