País do Futebol?

O Brasil não é o País do futebol. Ao menos em termos profissionais não é mesmo. Esse fato está comprovado por um estudo da empresa especializada em análise do futebol no País, a Pluri Consultoria. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (20) e aponta que os 650 clubes que atualmente disputam competições profissionais no Brasil (todas as divisões de estaduais e nacionais) estão distribuídos por apenas 422 dos 5.570 municípios brasileiros. O que significa que cerca de 100 milhões de pessoas (cerca de metade da população do país) vivem em cidades sem nenhum futebol, além daquele que é praticado de forma recreativa. Não bastasse a pouca penetração geográfica, na média, a atividade desses clubes ocupa apenas 35% do calendário útil do futebol, equivalente a cerca de três meses do ano. O relatório afirma que “esse Raio X do futebol brasileiro permite apontar as tantas oportunidades perdidas de criação de uma verdadeira indústria do futebol nacional, que seja geradora de renda, emprego e impostos, com verdadeira abrangência territorial, e que fortaleça a revelação de mais e mais talentos”.

O estudo aponta várias nuances que são dignas de serem listadas:

1 – Os clubes brasileiros passaram 65% de seu período de atividade sem disputar uma única partida;

2 – Apenas128 clubes (19,7% do total) têm calendário anual, por disputarem uma das 4 divisões do Campeonato Brasileiro. As outras 522 equipes profissionais tiveram apenas as competições estaduais e, em raros casos, a Copa do Brasil para disputar;

3 – São Paulo é a unidade de federação que possui mais clubes profissionais no Brasil (89), seguida por Rio de Janeiro, com 66, e Rio Grande do Sul, com 41;

4 – Amapá, com 5 clubes, e Roraima, com 6, são as unidades de federação que contaram com menos clubes disputando, ao menos, alguma competição profissional em 2019.

5 – O RN é o 19º do Brasil com clubes profissionais em atividade – 13 (2019).

6 – O nosso estado ocupa apenas 34% do calendário anual do futebol. Somos a 12ª unidade da federação em relação a este quesito. São Paulo lidera e é o único estado com taxa superior a 50%. Em relação ao Nordeste somos o quinto colocado. À frente dos potiguares estão o Maranhão (41,8%), a Bahia (37,2%), o Caeará (37,1%) e Pernambuco (34,2%).

7 – As U.Fs com maior percentual de municípios com clubes profissionais em atuação são o Distrito Federal (100%), Rio de Janeiro (33,7%) e Sergipe (28%). São Paulo tem clubes profissionais em apenas 1 de cada 10 de seus municípios. A Bahia é o estado com menor distribuição do Futebol em seu território, com apenas 2,6% de seus municípios tendo clubes profissionais de futebol. Na sequência aparecem Minas Gerais com 3,4% e Piauí com 3,6%.

8 – 106 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes não contaram com nenhuma equipe disputando competições profissionais em 2019. São Paulo concentra 40 delas, seguido por Minas Gerais com 13 e Bahia, com 10.

9 – Em 2019 o Brasil tinha 3,09 clubes profissionais para cada milhão de habitantes. O maior índice por unidade de federação foi de Sergipe, com 11,75, seguido por Acre com 11,34 e Roraima com 9,90.

10 – A Bahia apresentou o pior índice, com 1,08 clube para cada milhão de habitantes, seguido por Minas Gerais com 1,89 e São Paulo, com 1,94.

11 – A relação bilhão de reais de PIB pelo número de clubes de futebol profissional foi de 10,13 no Brasil. Enquanto em São Paulo esse indicador foi de 23,82, no Acre a taxa foi de 1,43 em 2019.

Comentários do Site

  1. Janio
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    Itamar Ciriaco o Brasil não é o pais do futebol e mesmo assim ainda circula essa quantidade de dinheiro, imagine se fosse.

  2. Abadon, o sicário.
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    O primeiro título mundial ficou entalado na garganta em 1950. Jogando pelo empate e abrindo o marcador na final, o Brasil sucumbiu para a catimba uruguaia e levando uma virada histórica, caiu diante de 200.000 incrédulos.
    Mas, duas décadas após essa tragédia, o Brasil seria tricampeão mundial no México e conquistaria a Julles Rimet em definitivo.
    E fechou-se para o mundo.
    Ser campeão Brasileiro era mais “valioso” que uma libertadores ou mundial inter clubes. E com isso o Brasil aumentou ainda mais a antipatia nos vizinhos. Nessa época, a dupla dinâmica Ricardo Teixeira e Jean-Marie Faustin Goedefroide Havelange arquitetavam a eleição do sogrão para a presidência da FIFA, angariando os votos das federações filiadas menos favorecidas como as da Àfrica e Àsia.
    Tanto que, em 1973 quando o Abc esteve suspenso de todas as competições oficiais em solo brasileiro por usar de pilantragem no campeonato nacional de 1972, foi aconselhado a excursionar por aquelas bandas, pois pegaria times mais fracos. Se ficasse aqui na América iria só levar porrada e o tiro sairia pela culatra.
    Mas depois dos anos 80, quando o Brasil novamente voltou a respirar ares internacionais o êxodo de talentos começou em massa. Com isso, a ginga e a manha do brasileiro foram importadas por outros países mundo afora e assim, a inevitável equiparação se configurou potencializada pela globalização.
    O mundo cão do futebol mudou.
    Nossa sorte é que a miscigenação de raças nos deixou o legado do habilidoso improviso, que se encarrega de nos conferir um infindável manancial de craques e nos manter ao menos no primeiro escalão.
    Mas o Brasil já deixou de ser “o país” do futebol á décadas atrás !!

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