Em três casos revelados de doping, no futebol brasileiro, até aqui, em 2019, associados ao uso da cocaína, dois estavam atuando no futebol do Rio Grande do Norte. Esse fato é grave e digno de observação. O jogador, como qualquer outra pessoa que enfrente problemas com drogas, precisa de ajuda e não de preconceito ou abandono. Os dirigentes e a sociedade precisam estar atentos a isso. A simples punição, sem apoio em um processo de recuperação não é o melhor caminho.

A maioria dos clubes têm oferecido ajuda aos atletas, apesar da Lei Pelé permitir que o atleta seja abandonado. Segundo a legislação, “a entidade de prática desportiva poderá suspender o contrato especial de trabalho desportivo do atleta profissional, ficando dispensada do pagamento da remuneração nesse período, quando o atleta for impedido de atuar, por prazo ininterrupto superior a 90 (noventa) dias, em decorrência de ato ou evento de sua exclusiva responsabilidade, desvinculado da atividade profissional, conforme previsto no referido contrato”.

O simples uso dessa cláusula contratual, sem apoio é desumano. Além de punido com o afastamento de sua atividade profissional, o atleta fica sem os recursos, que poderiam ser essenciais para seu tratamento, além de garantir o sustento de sua família. A origem do problema e o uso reprovável de determinadas substâncias não deve ser justificativa para darmos às costas aos que precisam de auxílio. A CBF poderia instituir um programa de recuperação para aqueles jogadores que cometessem erros desse tipo, oferecendo tratamento e acompanhamento para os que desejassem deixar o vício para trás.

Por fim, os clubes potiguares precisam estar cada vez mais atentos, não apenas na hora de contratar o atleta, mas também após sua chegada a Natal. Sem contar na obrigação de orientação aos seus jovens jogadores, nas categorias de base.

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