Os números, relativos a pirataria de material esportivo, em qualquer pesquisa, são assustadores. Segundo o Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade, realizado em 2017, o Brasil perde R$ 130 bilhões anuais com pirataria, contrabando e comércio ilegal de produtos e conteúdo. Parte desse “bolo” está com material relativo aos esportes, com destaque para o futebol. Segundo a SPV Brasil, 43,5% dos torcedores, ouvidos em uma pesquisa, admitiram utilizar uniformes piratas de seus clubes. Dia desses, até o presidente Jair Bolsonaro posou para fotos com uma camisa pirata do Palmeiras.

Esse tipo de comportamento, os preços altos e o baixo volume de dinheiro repassado aos clubes criou um novo filão de negócios que está sendo explorado por vários times. Já em 2017, o Liverpool o adotou uma estratégia muito interessante. Os “Reds” lançaram uma camisa a preço reduzido na China em uma tentativa de impedir que falsificações predominem entre os inúmeros fãs do clube no país. Em alguns lugares, as providências subiram de nível e muitas agremiações estão lançando suas próprias marcas.

O Fortaleza vai lançar no dia 2 de novembro, no jogo diante do Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, uma camisa popular, dirigida aos vendedores ambulantes. O modelo vai custar R$ 59,90 enquanto o original sai por R$ 199,00. Com o lançamento, o clube pretende combater a pirataria e se aproximar do comércio informal, que representa um segmento importante na venda de uniformes do clube. O novo modelo será vendido pelo clube para comerciantes ambulantes identificados e cadastrados numa central de vendas já existente. Eles vão adquirir a camisa pelo preço de fábrica e revendê-la de forma oficial. A primeira fase do projeto prevê a produção de 4,5 mil unidades, com a possibilidade de expansão.

Já em 2016 o Paysandu criou a sua própria marca. Em 2015, o Papão havia recebido R$ 472 mil de royalties. No ano seguinte, com sua marca, mesmo que com preços mais baratos, o lucro líquido foi R$ 3 milhões.

O Juventude criou a 19Treze e o Fortaleza lançou a Leão1918, os dois times tinham contrato com a Kappa. A OCTO (marca do Joinville) substituiu a Umbro. Depois de usar Penalty e Dryworld, o Santa Cruz desenvolveu a marca Cobra Coral. De aproximadamente R$ 800 mil recebidos da Umbro, em 2017, o Bahia com sua marca própria Esquadrão, em 2018, faturou R$ 4 milhões.

E é justo do Bahia, que teve como presidente Marcelo Sant’ana, atual consultor do ABC, que vem a sugestão para que o Alvinegro crie sua própria marca. No relatório produzido por sua empresa a Footway, em relação à gestão alvinegra, ele sugere essa possibilidade. Avaliando o contrato com a marca esportiva que veste o time abecedista e seus torcedores, a Footway vê espaço para que a marca própria seja mais lucrativa para o clube de Ponta Negra.

Pode parecer que Natal não teria mercado para esse tipo de ação, mas é um engano. Em 2014, durante a Copa do Mundo, a Adidas contratou o advogado Airton Romero Ferraz, na capital potiguar, só para acompanhar casos envolvendo pirataria com sua marca. À época, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o advogado afirmou que, no Estado, os casos de pirataria não estavam restritos apenas a venda dos produtos. Segundo ele, o Rio Grande do Norte também era produtor deste tipo de material.

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