Eleito melhor técnico de esportes coletivos do ano pelo COB, comandante da seleção masculina de vôlei relembra 2018 e projeta uma temporada ainda melhor no próximo ano

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Renan, após receber o prêmio de melhor técnico do ano na festa do COB. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Sentado em uma cadeira de rodas e com a perna esquerda completamente esticada, Renan Dal Zotto não se incomodava com as dificuldades de locomoção que uma cirurgia no joelho lhe trouxe desde que se submeteu ao procedimento para corrigir um sério edema ósseo há duas semanas. A recuperação o impedirá de apoiar-se sobre o pé esquerdo até, pelo menos, meados de fevereiro.

Apesar disso, Renan estava orgulhoso por estar ali, no Teatro Bradesco, na Barra da Tijuca, onde recebeu, no último dia 18, o Troféu de Melhor Técnico de Esportes Coletivos, nomeado Troféu Bebeto de Freitas, por seu desempenho na temporada.

A premiação veio depois de o treinador ter levado a seleção brasileira à final do Campeonato Mundial. O Brasil terminou como vice-campeão, mas o reconhecimento se traduziu na homenagem recebida no Prêmio Brasil Olímpico, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) para premiar os melhores atletas e técnicos da temporada.

“Fiz uma cirurgia bastante delicada, mas não podia perder esse momento em hipótese alguma. Estou aqui representando minha comissão técnica e toda equipe de atletas. É um momento muito especial para o nosso voleibol e para o esporte brasileiro. Estou muito feliz por ter recebido esse reconhecimento”, disse o treinador, que fez um balanço de 2018.

“Foi um ano muito intenso, porque tivemos uma Liga das Nações muito longa, com muitas viagens, e um Campeonato Mundial com uma tensão muito grande. A gente não foi com força máxima, porque o Lucarelli (ponteiro) e o Borges (o também ponteiro Maurício Borges) fazem uma falta tremenda para qualquer seleção do mundo. Mas eu fiquei muito orgulhoso de cada atleta que foi para o Mundial. Todos foram extremamente comprometidos, vestiram a camisa como sempre fizeram na seleção brasileira, e conseguimos um vice-campeonato mundial de forma brilhante. Foi um ano muito bacana e agora o foco total para 2020, pois a gente vai buscar esse título”, avisou.

“A gente vai continuar focando sempre em resultado, mas com um olho muito crítico na questão de renovação. Para os Jogos Olímpicos, nós vamos com o que tivermos de melhor no momento, seja um garoto ou um jogador experiente”
Renan – técnico da seleção brasileira masculina de vôlei

Na trilha de Bernardinho

Ao aprofundar o balanço da temporada que se encerra, Renan falou sobre o peso de suceder no comando da seleção brasileira masculina um técnico tão bem sucedido como Bernardinho, que deixou o time após a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

“Comandar a seleção brasileira é sempre uma pressão muito grande e uma responsabilidade enorme. Principalmente por tentar manter uma história de sucesso como foi a do Bernardo e fazer que a gente consiga pelo menos estar próximo dessa linda história que ele deixou”, reconheceu.

“A ideia é focar nos trabalhos. A gente sabe que as dificuldades vão aparecer, que situações de estresse vão aparecer, mas para a gente, que vive do esporte de alto rendimento há quarenta anos, isso é algo que nos alimenta. Foi um ano de muito aprendizado e de muita evolução. Espero que 2019 seja ainda melhor do que 2018”, continuou.

A próxima temporada, por sinal, será bastante movimentada. “Temos cinco competições internacionais. A primeira delas é a Liga das Nações. A segunda é o Pan-Americano, que infelizmente a gente não deve ir com força máxima, mas sempre que o Brasil vai ele é tido como um dos favoritos e então vamos com o que temos de melhor com a seleção B. Depois do Pan, o calendário casa quase que simultaneamente com a classificação olímpica. É o ano para se classificar para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Em seguida tem o Sul-Americano e depois tem a Copa do Mundo do Japão”, enumerou.

O objetivo principal são os Jogos Olímpicos de Tóquio. É lá que Renan enfrentará seu principal desafio deste ciclo. E ele sabe disso. Tanto que já tem em mente como será o trabalho até o verão de 2020 no Japão.

“A gente vai continuar focando sempre em resultado, mas com um olho muito crítico na questão de renovação. Para os Jogos Olímpicos, nós vamos com o que tivermos de melhor no momento, seja um garoto ou um jogador experiente. A expectativa é fazer com que todos estejam na melhor condição possível antes dos Jogos Olímpicos para que a gente possa ir com a potência máxima para Tóquio”, encerrou o treinador.

Luiz Roberto Magalhães – rededoesporte.gov.br

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